Fonte: Embrapa – Circular Técnica 174 – ISSN 2176-2864

Destaque: Essas informações devem ser utilizadas na determinação de programas de controle, priorizando sempre a rotação de fungicidas com diferentes modos de ação e adequando os programas à época de semeadura. Aplicações sequenciais e de forma curativa devem ser evitadas para diminuir a pressão de seleção de resistência do fungo aos fungicidas.

Autores: Cláudia Vieira Godoy, Carlos Mitinori Utiamada, Maurício Conrado Meyer, Hercules Diniz Campos, Ivani de Oliveira Negrão Lopes, Ariel Muhl, Carlos André Schipanski, Chryz Melinski Serciloto, Edson Ricardo de Andrade Junior, Eloir Moresco, João Mauricio Trentini Roy, João Carlos Bonani, Lucas Navarini, Luana Maria de Rossi Belufi, Luís Henrique Carregal Pereira da Silva, Lucas Henrique Fantin, Luiz Nobuo Sato, Marcio Marcos Goussain Júnior, Marcos Vinicios Garbiate, Marina Senger, Mônica Anghinoni Müller, Mônica Paula Debortoli, Mônica Cagnin Martins, Nédio Rodrigo Tormen, Valtemir José Carlin (in memoriam)

A ferrugem-asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é uma das doenças mais severas que incide na cultura da soja, com danos variando de 10% a 90% nas diversas regiões geográficas onde foi relatada (Yorinori et al., 2005). Os sintomas iniciais da doença são pequenas lesões foliares, de coloração castanha a marrom-escura. Na face inferior da folha, pode-se observar urédias que se rompem e liberam os uredosporos. Plantas severamente infectadas apresentam desfolha precoce, que compromete a formação, o enchimento de vagens e o peso final do grão.

As estratégias de manejo recomendadas no Brasil para essa doença incluem: a ausência da semeadura de soja e a eliminação de plantas voluntárias na entressafra por meio do vazio sanitário para redução do inóculo do fungo, a utilização de cultivares de ciclo precoce e semeaduras no início da época recomendada como estratégia de escape da doença, a utilização de cultivares com genes de resistência, o monitoramento da lavoura desde o seu início de desenvolvimento para definir o melhor momento do controle químico, a utilização de fungicidas preventivamente ou no aparecimento dos sintomas e a definição de janelas de semeaduras para reduzir o número de aplicações de fungicidas ao longo da safra e com isso tentar atrasar a seleção de populações do fungo resistentes ou menos sensíveis aos fungicidas (Godoy et al., 2020a).

A resistência / menor sensibilidade do fungo P. pachyrhizi aos fungicidas do grupo dos inibidores da desmetilação (IDM – triazóis), inibidores da quinona externa (IQe – estrobilurinas) e inibidores da succinato desidrogenase (ISDHcarboxamidas) já foi relatada no Brasil (Schmitz et al., 2014; Klosowski et al., 2016; Simões et al., 2018), sendo esses os três principais grupos sítio-específicos que compõem todos os fungicidas registrados em uso para o controle da doença.

Experimentos em rede vêm sendo realizados desde a safra 2003/2004 para a comparação da eficiência de fungicidas registrados e em fase de registro para o controle da ferrugem-asiática. Nesses experimentos, os fungicidas são avaliados individualmente, em aplicações sequenciais, em semeaduras tardias, para determinar a eficiência de controle. Essas informações devem ser utilizadas na determinação de programas de controle, priorizando sempre a rotação de fungicidas com diferentes modos de ação e adequando os programas à época de semeadura. Aplicações sequenciais e de forma curativa devem ser evitadas para diminuir a pressão de seleção de resistência do fungo aos fungicidas.

A adoção do vazio sanitário tem contribuído no atraso da incidência do fungo nas lavouras de soja no Brasil, com os primeiros relatos no site do Consórcio Antiferrugem nos últimos anos nos meses de novembro, dezembro e em alguns estados somente em janeiro, evidenciando o escape da doença para as primeiras semeaduras (Godoy et al., 2020a). Por essa razão, os experimentos de ferrugem-asiática são realizados nas semeaduras tardias, a partir de novembro, para garantir a presença da doença, ressaltando que essa não é a situação de muitas lavouras no Brasil que têm apresentado escape da doença ou incidência tardia pela época de semeadura.

O objetivo desta publicação é apresentar os resultados sumarizados dos experimentos cooperativos, realizados na safra 2020/2021, para o controle da ferrugem-asiática da soja.

Material e Métodos 

Com o objetivo de avaliar a eficiência i) dos fungicidas registrados para o controle da ferrugem-asiática da soja, ii) dos novos fungicidas que estão em fase de registro, iii) das combinações de fungicidas registrados e em fase de registro com fungicidas multissítios e iv) de monitorar mudanças de sensibilidade do fungo P. pachyrhizi aos fungicidas foram realizados quatro protocolos nas principais regiões produtoras, na safra 2020/2021, por 18 instituições (Tabela 1).

No primeiro experimento foram analisados os fungicidas registrados (Tabela 2), no segundo, fungicidas em fase de registro foram comparados a dois fungicidas registrados (Tabela 3). Em um terceiro experimento, fungicidas registrados e em fase de registro dos experimentos 1 e 2 foram misturados a multissítios (Tabela 4). Para monitorar mudanças de sensibilidade do fungo P. pachyrhizi aos fungicidas foi realizado um experimento com ingredientes ativos isolados (Tabela 5).

Os fungicidas avaliados pertencem aos grupos: inibidores da desmetilação (IDM – tebuconazol, ciproconazol, protioconazol e epoxiconazol); inibidores da quinona externa (IQe – azoxistrobina, trifloxistrobina, picoxistrobina, metominostrobina e piraclostrobina), inibidores da succinato desidrogenase (ISDH – fluxapiroxade, bixafen, benzovindiflupir, fluindapir e impirfluxam), ditiocarbamato (mancozebe), cloronitrila (clorotalonil) e inorgânico (oxicloreto de cobre). Para os fungicidas registrados (Tabela 2), foram avaliadas misturas de IQe e IDM (T2 a T6), mistura de IDM e cloronitrila (T7), mistura de ISDH e inorgânico (T8), mistura de IDM + ISDH (T9), misturas de IQe e ISDH (T10 a T12), misturas de IDM, IQe e ISDH (T13 e T14) e mistura de IQe, IDM e ditiocarbamato (T15). Os novos fungicidas em fase de registro (Tabela 3) são formados por misturas de IDM e ISDH (T3 a T5), mistura de ISDH e cloronitrila (T6), mistura de IDM e ditiocarbamato (T7), mistura de inorgânico, IDM e IQe (T8) e misturas de IQe, IDM e ditiocarbamato (T10 a T12). Nesse protocolo, os fungicidas registrados Blavity (T2) e Cronnos (T9) foram utilizados como padrão para comparação. Armero (T7) e Evolution (T12) foram registrados após a finalização dos experimentos.

No protocolo em mistura (Tabela 4), os fungicidas dos protocolos com fungicidas registrados (Tratamentos 4, 6 e 11 – Tabela 2) e em registro (tratamentos 4 e 5 – Tabela 3), foram misturados a multissítios. O padrão de comparação foi o fungicida Cronnos (mancozebe & picoxistrobina & tebuconazol).

Os fungicidas utilizados para monitorar mudanças de sensibilidade do fungo P. pachyrhizi são IDM (T2 a T5) e IQe (T6 a T8) (Tabela 5).

No experimento com produtos registrados foi realizado um programa (T16 – Tabela 2), que incluiu a rotação dos fungicidas em avaliação e a adição de multissítio aos fungicidas com menor eficiência de controle observada nos experimentos de safras anteriores (Godoy et al., 2019, 2020b).

O delineamento experimental e as avaliações foram definidos com protocolo único, para a realização da sumarização conjunta dos resultados dos ensaios. Os protocolos foram elaborados de forma que permitissem a comparação dos produtos, numa mesma situação.

Não foram avaliados o efeito do momento da aplicação e o residual dos diferentes produtos. O delineamento experimental foi blocos ao acaso com quatro repetições. Cada repetição foi constituída de parcelas com, no mínimo, seis linhas de cinco metros.

As aplicações iniciaram-se 45-50 dias após a emergência, no pré-fechamento das linhas de semeadura. A calendarização não é uma recomendação de controle. Ela é realizada nos experimentos em rede para reduzir as causas de variação. Para a aplicação dos produtos foi utilizado pulverizador costal pressurizado com CO2 e volume de aplicação mínimo de 120 L/ha. Foram realizadas avaliações da severidade e/ou incidência da ferrugem no momento da aplicação dos produtos; da severidade da ferrugem, periodicamente, após a última aplicação; da severidade de outras doenças; da desfolha quando a testemunha apresentou ao redor de 80% de desfolha e da produtividade (em área mínima de 5 m2 centrais de cada parcela).

Para a análise conjunta, nos experimentos com fungicidas registrados e em fase de registro foram utilizadas as avaliações da severidade da ferrugem, realizadas entre os estádios fenológicos R5 (início de enchimento de grãos) e R6 (vagens com 100% de granação) e da produtividade. No protocolo de monitoramento, foi utilizada somente a severidade.

Foram realizadas análises de variância exploratórias para cada local. Além das análises exploratórias individuais, a severidade final, a correlação entre a severidade da ferrugem próximo ao estádio R6 e a produtividade nas análises individuais foram utilizadas na seleção dos ensaios que compuseram as análises conjuntas.

Os dados da severidade e de produtividade foram analisados inicialmente para cada local, considerando-se os efeitos fixos de tratamento e de bloco. Em cada caso, foram ajustados dois modelos de análise de variâncias, assumindo-se variâncias heterogêneas ou homogêneas entre tratamentos. O modelo com variância comum foi escolhido sempre que o teste da razão das verossimilhanças residuais não foi significativo (p≥0,05). Quando não houve ajuste para o modelo de variâncias heterogêneas ou esse não se mostrou apropriado, foi aplicada aos dados a distribuição gama, ao invés da normal.

O modelo estatístico da análise conjunta dos dados de produtividade e severidade referentes ao protocolo fungicidas registrados e a severidade referente aos dados de fungicidas em RET, considerou os efeitos fixos de tratamento (T), local (L), TL e bloco (L). O modelo adotado para a produtividade referente aos dados de fungicidas em RET considerou T e bloco (L) como efeitos fixos e o efeito TL aleatório. As matrizes de variâncias e covariâncias de ambos os modelos foram modificadas para permitirem variâncias heterogêneas entre locais, o que resultou em resíduos de Pearson aleatórios, independentes (verificados graficamente) e normalmente distribuídos. Embora os modelos descritos tenham sido os que forneceram os melhores ajustes, a distribuição dos resíduos de Pearson foi normalmente distribuída apenas para os dados de produtividade (Shapiro-Wilk, preg=0,538 e pret=0,4434). As médias foram agrupadas por meio do teste de Tukey (p≤0,05). Todas as análises foram realizadas no sistema SAS/STAT software, Versão 9.4®. Copyright© 2016 SAS Institute Inc., tendo sido usados os procedimentos sgplot (gráficos) e glimmix (na estimação de modelos e agrupamento de médias).



Resultados e Discussão

  • Fungicidas Registrados

No experimento com fungicidas registrados, não foi realizado o experimento no local 18. Somente não houve incidência de ferrugem nos locais 22 e 23 (Tabela 2). Dos 20 experimentos com ferrugem, em 14 foram realizadas quatro aplicações e em seis, três aplicações. O intervalo entre a semeadura e a primeira aplicação foi de 49 dias (± 3 dias), entre a primeira e a segunda aplicação foi de 14 dias, entre a segunda e a terceira aplicação foi de 14 dias (± 1 dia) e entre a terceira e a quarta aplicação (14 experimentos) foi de 14 dias. O Intervalo médio entre a última aplicação e a avaliação de severidade utilizada na sumarização foi de 13 dias (± 6 dias).

No momento da primeira aplicação dos produtos, não houve sintomas de ferrugem em nenhum dos experimentos. No entanto, no experimento de Campo Verde, MT (local 13, Tabela 2), após a primeira aplicação foi observada alta severidade de ferrugem. Esse experimento foi eliminado de todas as análises por ter sido aplicado no período de incubação da doença.

Além do local 13, os experimentos dos locais 4, 5, 17, 19 e 21 não foram incluídos na análise conjunta de severidade por apresentarem baixa severidade (local 4), ausência de avaliação de severidade (21) ou resultados discordantes da maioria dos experimentos. Na análise conjunta de produtividade não foram utilizados os resultados dos locais 4, 13, 14, 15, 19 e 21 pela baixa severidade (4), ocorrência de acamamento (14), mofobranco (15) e ausência de dados de severidade (21) ou resultados discordantes da maioria dos experimentos. Todos os experimentos estão apresentados de forma individualizada no Anexo I.

Todos os tratamentos apresentaram severidade estatisticamente inferior à testemunha sem fungicida (T1) (Tabela 6). A porcentagem de controle dos fungicidas registrados variou de 48% (T2) a 81% (T15). A menor severidade e a maior porcentagem de controle foram observadas para o tratamento com Cronnos (T15 – 81%), seguido de Blavity (T9 – 74%), do programa com rotação de fungicidas (T16 – 73%), Fox Xpro (T14 – 73%), Fezan Gold (T7 – 71%) e Fusão (T6 – 70%). As menores eficiências de controle foram observadas para os tratamentos com Aproach Prima (T2 – 48%) e Elatus (T10 – 49%) (Tabela 6). As maiores e menores eficiências de controle foram semelhantes às safras anteriores (Godoy et al., 2019, 2020b), com exceção do fungicida Blavity que foi registrado na safra passada e não estava nesse protocolo.

As maiores produtividades foram observadas para os tratamentos com o programa com fungicidas (T16 – 3.458 kg/ha), Cronnos (T15 – 3.416 kg/ha), Fox Xpro (T14 – 3.402 kg/ha), Audaz/Aumenax (T8 – 3.362 kg/ha), Blavity (T9 – 3.356 kg/ha) e Fezan Gold (T7 – 3.317 kg/ha) (Tabela 6). A redução de produtividade do tratamento sem fungicida (T1 – 2.499 kg/ha) em relação ao tratamento com a maior produtividade (T16) foi de 28%, superior à safra 2019/2020 (23%), mas inferior à safra 2018/2019 (39%) (Godoy et al., 2019). A correlação entre as variáveis severidade e produtividade foi de r=-0,98.

  • Fungicidas em fase de registro (RET)

No experimento com fungicidas em fase de registro (RET) (Tabela 3) não foram realizados experimentos nos locais 21 e 23. Não houve incidência de ferrugem no experimento do local 22 (Tabela 1). Dos 20 experimentos, em 12 foram realizadas quatro aplicações de fungicidas e em oito, três aplicações. O intervalo entre a semeadura e a primeira aplicação foi de 50 dias (± 4 dias), entre a primeira e a segunda aplicação, entre a segunda e a terceira aplicação e entre a terceira e a quarta aplicação (12 experimentos) foi de 14 dias (± 1 dia). O Intervalo médio entre a última aplicação e a avaliação de severidade utilizada na sumarização foi de 13 dias (± 7 dias).

De forma semelhante aos experimentos com produtos registrados, no momento da primeira aplicação dos produtos não houve sintomas de ferrugem em nenhum dos experimentos. No entanto, no experimento de Campo Verde, MT (local 13, Tabela 1), após a primeira aplicação foi observada alta severidade de ferrugem, por isso esse experimento foi eliminado da análise conjunta.

Além do local 13, os experimentos dos locais 4, 5, 17 e 19 (Tabela 1) não foram incluídos na análise conjunta de severidade por apresentarem baixa severidade (local 4) ou resultados discordantes da maioria dos experimentos. Na análise conjunta de produtividade
não foram utilizados os resultados dos locais 4, 13 e 19 (Tabela 1) pela baixa severidade (4) ou resultados discordantes da maioria dos experimentos. Todos os experimentos estão apresentados de forma individualizada no Anexo II.

Todos os tratamentos apresentaram severidade estatisticamente inferior à testemunha sem fungicida (T1) (Tabela 7). A porcentagem de controle dos produtos variou de 67% (T6) a 81% (T9 e T10). As menores severidades e maiores porcentagens de controle foram observadas para os tratamentos com mancozebe & picoxistrobina & protioconazol (T10 – 81%), semelhante ao fungicida registrado utilizado como padrão Cronnos (T9 – 81%), seguido de mancozebe & trifloxistrobina & protioconazol (T11 – 79%).

As maiores produtividades foram observadas para os tratamentos com mancozebe & picoxistrobina & protioconazol (T10 – 3.644 kg/ha) e mancozebe & trifloxistrobina & protioconazol (T11 – 3.576 kg/ha), seguido de Cronnos (T9 – 3.491 kg/ha) e mancozebe & azoxistrobina & protioconazol (T12 – 3.466 kg/ha) (Tabela 7). A redução de produtividade do tratamento sem fungicida (T1 – 2.501 kg/ha) em relação ao tratamento com a maior produtividade (T10) foi de 31,4%. A correlação entre as variáveis severidade e produtividade foi de r=-0,97.

  • Fungicidas registrados e em fase de registro em mistura com multissítios

No experimento com fungicidas registrados e em fase de registro em mistura com multissítios (Tabela 5) não foram realizados experimentos nos locais 7, 18, 21 e 23 (Tabela 1). Não houve incidência de ferrugem no experimento do local 22 (Tabela 1). Dos 18 experimentos, em 10 foram realizadas quatro aplicações de fungicidas e em oito, três aplicações. O intervalo entre a semeadura e a primeira aplicação foi de 51 dias (± 3 dias), entre a primeira e a segunda aplicação, entre a segunda e a terceira aplicação e entre a terceira e a quarta aplicação (10 experimentos) foi de 14 dias (± 1 dia). O intervalo médio entre a última aplicação e a avaliação de severidade utilizada na sumarização foi de 13 dias (± 6 dias).

O local 13 foi eliminado da análise conjunta pela alta severidade após a primeira aplicação. Além do local 13, os experimentos dos locais 4, 5 e 19 (Tabela 1) não foram incluídos na análise conjunta de severidade por apresentarem baixa severidade (local 4) ou resultados discordantes da maioria dos experimentos. Na análise conjunta de produtividade não foram utilizados os resultados dos locais 4, 13 e 19 (Tabela 1) pela baixa severidade (4) ou resultados discordantes da maioria dos experimentos. Todos os experimentos estão apresentados de forma individualizada no Anexo III.

Todos os tratamentos apresentaram severidade estatisticamente inferior à testemunha sem fungicida (T1) (Tabela 8). A porcentagem de controle das misturas de fungicidas variou de 74% (T9) a 81% (T2).

As menores severidades e maiores porcentagens de controle foram observadas para os tratamentos com Cronnos (T2 – 81%), tebuconazol & impirfluxam + Troia 800 WP (mancozebe) (T8 – 80%), Fusão + Absoluto SC (clorotalonil) (T7 – 79%) e Vessarya + Reference (oxicloreto de cobre & mancozebe) (T6 – 79%) (Tabela 8).

Os tratamentos com fungicidas em mistura com multissítios apresentaram produtividades semelhante e estatisticamente superior a testemunha sem fungicida. A redução de produtividade do tratamento sem fungicida (T1 – 2.485 kg/ha) em relação ao tratamento com a maior produtividade (T8) foi de 28,2%. A correlação entre as variáveis severidade e produtividade foi de r=-0,99.

  • Fungicidas para monitoramento

O monitoramento da sensibilidade do fungo P. pachyrhizi, com fungicidas com ingrediente ativo único (Tabela 5), foi feito por meio de 19 experimentos em diferentes regiões (Tabela 1). Nos locais 18, 21, 22 e 23 não foram realizados experimentos. Dos 19 experimentos, em 11 foram realizadas quatro aplicações de fungicidas e em oito, três aplicações. O intervalo entre a semeadura e a primeira aplicação foi de 50 dias (± 3 dias), entre a primeira e a segunda aplicação foi de 14 dias, entre a segunda e a terceira aplicação foi de 14 dias (± 1 dia) e entre a terceira e a quarta aplicação foi de 14 dias.

Fungicidas com ingredientes ativos isolados vêm sendo avaliados desde a safra 2003/2004 (Figura 1). Todos os experimentos foram aplicados sem sintomas de ferrugem-asiática. Nesse protocolo não foi eliminado nenhum experimento. A porcentagem de controle variou entre os locais para os diferentes ingredientes ativos. Todos os experimentos considerados na análise conjunta para o protocolo de monitoramento estão apresentados de forma individualizada no Anexo IV.

A maior porcentagem de controle foi observada para protioconazol (T5 – 54%) seguido de picoxistrobina (T7 – 47%) e tebuconazol (T2 – 44%) (Tabela 9), semelhante a safra 2019/2020 (Godoy et al., 2020b). Metominostrobina foi incluído pela primeira vez no monitoramento, sendo semelhante a tebuconazol e superior a azoxistrobina na porcentagem de controle. Semelhante a safra 2019/2020 (Godoy et al., 2020b), ciproconazol, tetraconazol e azoxistrobina foram semelhantes na severidade e na porcentagem de controle, diferenciando da testemunha sem fungicida (Tabela 9).

O protocolo dos ensaios cooperativos determina aplicações sequenciais para comparação dos fungicidas, não sendo uma recomendação de controle. No manejo da doença devem ser seguidas as estratégias antirresistência que incluem não utilizar mais que duas aplicações do mesmo produto em sequência e no máximo duas aplicações de produtos contendo carboxamida por cultivo.

Na safra 2020/2021, com o atraso nas chuvas na maioria das regiões produtoras, houve um atraso nas semeaduras ocorrendo a partir de outubro. Dessa forma, a maioria dos experimentos foi instalada em soja semeada em dezembro, para maior probabilidade do aparecimento da doença em razão da multiplicação do fungo nas primeiras semeaduras. Semear no início da época recomendada é uma das estratégias de manejo da ferrugem para escapar do período de maior quantidade de inóculo do fungo no ambiente. O manejo da ferrugem-asiática deve ser adequado para a época de semeadura. Os fungicidas representam uma das ferramentas de manejo, devendo serem adotadas todas as demais estratégias para o controle eficiente da ferrugem-asiática.

Informações sobre os autores: 

  • Cláudia Vieira Godoy, engenheira-agrônoma, doutora, Embrapa Soja, Londrina, PR;
  • Carlos Mitinori Utiamada, engenheiro-agrônomo, TAGRO, Londrina, PR;
  • Maurício Conrado Meyer, engenheiro-agrônomo, doutor, Embrapa Soja, Londrina, PR;
  • Hercules Diniz Campos, engenheiro-agrônomo, doutor, UniRV, Rio Verde, GO;
  • Ivani de Oliveira Negrão Lopes, matemática, doutora, Embrapa Soja, Londrina, PR;
  • Ariel Muhl, engenheiro-agrônomo, Centro de Pesquisa Agrícola Copacol, Cafelândia, PR;
  • Carlos André Schipanski, engenheiro-agrônomo, mestre, G12 Agro, Guarapuava, PR;
  • Chryz Melinski Serciloto, engenheiro-agrônomo, doutor, Agrosynthesis Pesquisa e Consultoria Ltda., Leme, SP;
  • Edson Ricardo de Andrade Junior, engenheiro-agrônomo, doutor, Instituto Mato-Grossense do Algodão, Cuiabá, MT;
  • Eloir Moresco, técnico em agropecuária, 3M Experimentação Agrícola, Ponta Grossa, PR;
  • João Mauricio Trentini Roy, engenheiro-agrônomo, Centro de Pesquisa Agrícola Copacol, Cafelândia, PR;
  • João Carlos Bonani, engenheiro-agrônomo, Coamo, Campo Mourão, PR;
  • Lucas Navarini, engenheiro-agrônomo, doutor, Planta conhecimento/ha, Passo Fundo, RS;
  • Luana Maria de Rossi Belufi, engenheira-agrônoma, mestre, Fundação de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico Rio Verde, Lucas do Rio Verde, MT;
  • Luís Henrique Carregal Pereira da Silva, engenheiroagrônomo, mestre, Agro Carregal Pesquisa e Proteção de Plantas Eireli, Rio Verde, GO;
  • Lucas Henrique Fantin, engenheiro-agrônomo, doutor, Fundação Chapadão, Chapadão do Sul, MS;
  • Luiz Nobuo Sato, engenheiro-agrônomo, TAGRO, Londrina, PR; Marcio Marcos Goussain Júnior, engenheiro-agrônomo, doutor, Assist Consultoria e Experimentação Agronômica Ltda., Campo Verde, MT;
  • Marcos Vinicios Garbiate, engenheiro-agrônomo, Coamo, Campo Mourão, PR;
  • Marina Senger, engenheira-agrônoma, doutora, 3M Experimentação Agrícola, Ponta Grossa, PR;
  • Mônica Anghinoni Müller, engenheira-agrônoma, doutora, Fundação Mato Grosso, Rondonópolis, MT;
  • Mônica Paula Debortoli, engenheira-agrônoma, doutora, Instituto Phytus, Santa Maria, RS;
  • Mônica Cagnin Martins, engenheira-agrônoma, doutora, Círculo Verde Assessoria Agronômica e Pesquisa, Luís Eduardo Magalhães, BA;
  • Nédio Rodrigo Tormen, engenheiro-agrônomo, doutor, Instituto Phytus, Planaltina, DF;
  • Valtemir José Carlin (in memoriam), engenheiro-agrônomo, Agrodinâmica, Tangará da Serra, MT.

Referências

GODOY, C. V.; SEIXAS, C. D. S.; MEYER, M. C.; SOARES, R. M. Ferrugem-asiática da soja: bases para o manejo da doença e estratégias antirresistência. Londrina: Embrapa Soja, 2020a. 39 p. (Embrapa Soja. Documentos, 428).

GODOY, C. V.; UTIAMADA, C. M.; MEYER, M. C.; CAMPOS, H. D.; LOPES, I. de O. N.; DIAS, A. R.; PIMENTA, C. B.; ANDRADE JUNIOR, E. R. de; MORESCO, E.; SIQUERI, F. V.; JULIATI, F.C.; JULIATI, F. C.; FAVERO, F.; ARAUJO JUNIOR, I. P.; CHAVES, I. C. P. V.; ROY, J. M. T.; GRIGOLLI, J. F. J.; NUNES JUNIOR, J.; NAVARINI, L.; BELUFI, L. M. de R.; SILVA, L. H. C. P.; SATO, L. N.; SENGER, M.; GOUSSAIN JUNIOR, M. M.; DEBORTOLI, M. P.; MARTINS, M. C.; TORMEN, N. R.; BALARDIN, R. S.; MADALOSSO, T.; VENANCIO, W. S. Eficiência de fungicidas para o controle da ferrugem-asiática da soja, Phakopsora pachyrhizi, na safra 2018/19: Resultados sumarizados dos ensaios cooperativos. Londrina: Embrapa Soja, 2019. 10 p. (Embrapa Soja. Circular técnica, 148).

GODOY, C. V.; UTIAMADA, C. M.; MEYER, M. C.; CAMPOS, H. D.; LOPES, I. de O. N.; DIAS, A. R.; MUHL, A.; WESPGUTERRES, C.; PIMENTA, C. B.; ANDRADE JUNIOR, E. R. de; MORESCO, E.; KONAGESKI, F. T.; BONANI, J. C.; ROY, J. M. T.; GRIGOLLI, J. F. J.; NUNES JUNIOR, J.; ARRUDA, J. H.; NAVARINI, L.; BELUFI, L. M. de R.; SILVA, L. H. C. P. da; SATO, L. N.; GOUSSAIN JUNIOR, M. M.; SENGER, M.; MULLER, M. A.; DEBORTOLI, M. P.; MARTINS, M. C.; TORMEN, N. R.; BALARDIN, R. S.; MADALOSSO, T.; KONAGESKI, T. F.; CARLIN, V. J. Eficiência de fungicidas para o controle da ferrugem-asiática da soja, Phakopsora pachyrhizi, na safra 2019/2020: resultados sumarizados dos ensaios cooperativos. Londrina: Embrapa Soja, 2020b. 19 p. (Embrapa Soja. Circular técnica, 160).

KLOSOWSKI, A. C.; MAY-DE-MIO, L. L.; MIESSNER, S.; RODRIGUES, R.; STAMMLER, G. Detection of the F129L mutation in the cytochrome b gene in Phakopsora pachyrhizi. Pest Management Science, v. 72, p. 1211-1215, 2016.

SCHMITZ, H. K.; MEDEIROS, A. C.; CRAIG, I. R.; STAMMLER, G. Sensitivity of Phakopsora pachyrhizi towards quinone-outsideinhibitors and demethylation-inhibitors, and corresponding resistance mechanisms. Pest Management Science, v. 7, p. 378-388, 2014.

SIMÕES, K.; HAWLIK, A.; REHFUS, A.; GAVA, F.; STAMMLER, G. First detection of a SDH variant with reduced SDHI sensitivity in Phakopsora pachyrhizi. Journal of Plant Diseases and Protection, v. 125, p. 21-26, 2018.

YORINORI, J. T.; PAIVA, W. M.; FREDERICK, R. D.; COSTAMILAN, L. M.; BERTAGNOLLI, P. F.; HARTMAN, G. L.; GODOY, C. V.; NUNES JUNIOR, J. Epidemics of soybean rust (Phakopsora pachyrhizi) in Brazil and Paraguay. Plant Disease, v. 89, p. 675-677, 2005.


Vitene


ANEXO I: Dados de cada local utilizados na sumarização do protocolo dos FUNGICIDAS REGISTRADOS (Tabela 2). TRAT (Tratamentos – Tabela 2), SEV (severidade entre R5 e R6), porcentagem de controle em relação ao tratamento testemunha (TRAT 1) (%C), PROD (produtividade) e EP (erro padrão da média).

ANEXO II: Dados de cada local utilizados na sumarização do protocolo dos FUNGICIDAS EM FASE DE REGISTRO (RET) (Tabela 3). TRAT (Tratamentos -Tabela 3), SEV (severidade entre R5 e R6), porcentagem de controle em relação ao tratamento testemunha (TRAT 1) (%C), PROD (produtividade) e EP (erro padrão da média).

ANEXO III: Dados de cada local utilizados na sumarização do protocolo dos FUNGICIDAS REGISTRADOS E EM FASE DE REGISTRO EM MISTURA COM MULTISSÍTIOS (Tabela 4). TRAT (Tratamentos -Tabela 4), SEV (severidade entre R5 e R6), porcentagem de controle em relação ao tratamento testemunha (TRAT 1) (%C), PROD (produtividade) e EP (erro padrão da média).

ANEXO IV: Dados de cada local utilizados na sumarização do protocolo dos FUNGICIDAS PARA MONITORAMENTO (Tabela 5). TRAT (Tratamentos -Tabela 2), SEV (severidade entre R5 e R6) e porcentagem de controle (%C) em relação a testemunha (TRAT 1) (%C) e EP (erro padrão da média).

Texto originalmente publicado em:
Embrapa - Circular Técnica 174 - ISSN 2176-2864
Autor: Embrapa - Circular Técnica 174 - ISSN 2176-2864

Nenhum comentário

Deixar um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.