O monitoramento e controle de pragas é fundamental para obtenção de boas produtividades de soja, evitando perdas de produção decorrentes do ataque de pragas. Uma das principais pragas da cultura é a mosca-branca (Bemisia tabaci), a praga ataca a cultura podendo causar danos diretos e indiretos. Segundo Suekane et al. (2013), a mosca-branca pode sugar a seivas das plantas de soja, prejudicando o crescimento e desenvolvimento da cultura; atuar como agente transmissor de viroses e favorecer o desenvolvimento da fumagina (Capnodium sp.) em virtude da excreção de substancias favoráveis ao desenvolvimento do fungo nas folhas da soja.

Figura 1. Mosca-branca (Bemisia tabaci).

Embora o nome comum da praga induza a pensar que se trata de uma mosca, a Bemisia tabaci é uma cigarrinha sugadora que podem prejudicar o crescimento e desenvolvimento da soja por sugar a seiva da planta. Além disso, assim como os percevejos, a mosca-branca pode atuar como agente transmissor de viroses, tais como o vírus da “necrose-da-haste”, do grupo dos carlavírus, que com a evolução dos sintomas, pode levar a planta à morte (Embrapa).

Figura 2. Planta de soja infectada pelo vírus da necrose-da-haste.

Fonte: Adeney de Freitas Bueno – Embrapa.

 Segundo Tomquelski et al. (2020), o controle da praga é realizado basicamente com o emprego de inseticidas, sendo fundamental a busca por rotação de mecanismos de ação para evitar o desenvolvimento de casos de resistência. As características biológicas do inseto tornam o controle químico a principal ferramenta no manejo da praga, o que torna preocupante o surgimento de possíveis casos de resistência.

Sendo assim, é fundamental o posicionamento adequado de produtos que garantam o controle eficientes da praga sem aumentar a pressão de seleção induzindo a resistência. Para as safras 2017/2018 e 2018/2019, Tomquelski et al. (2020) avaliaram a eficiência de diferentes inseticidas no controle da mosca-branca (Bemisia tabaci) biótipo B (Hemiptera: Aleyrodidae) em soja.



O estudo realizado por Tomquelski et al. (2020) contemplou na safra 2017/2018 os estados do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Goiás e Bahia. Já na safra 2018/2019 os ensaios foram realizados nos estados do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Tocantins e no Distrito Federal.

Os inseticidas avaliados na safra 2017/2018, bem como a dose e ingrediente ativo podem ser observados na tabela 1. Já para os ensaios realizados na safra 2018/2019, podem ser observados na tabela 2.

Tabela 1. Ingrediente ativo (i.a.), produto comercial (p.c.) e respectivas doses dos inseticidas utilizados em duas aplicações com intervalo de sete dias, para o controle de Bemisia tabaci – biótipo B em soja. Safra 2017/2018 (Tomquelski et al., 2020).

Fonte: Tomquelski et al. (2020).

Tabela 2. Ingrediente ativo (i.a.), produto comercial (p.c.) e respectivas doses dos inseticidas utilizados em duas aplicações com intervalo de sete dias, exceto o tratamento 10, para o controle de Bemisia tabaci – biótipo B em soja. Safra 2018/2019 (Tomquelski et al., 2020).

Fonte: Tomquelski et al. (2020).

Em cada avaliação, a eficiência (Ef%) foi expressa como uma relação entre a quantidade de insetos encontrada na amostra de cada tratamento e da testemunha (Tomquelski et al., 2020). Conforme destacado por Tomquelski et al. (2020), os ensaios foram divididos em dois grupos, sendo eles: maior infestação e menor infestação, de acordo com a população de ninfas da mosca-branca observadas nos ensaios.

Tomquelski  et al. (2020) destacam que para os ensaios da safra 2017/2018, tanto para o grupo de maior infestação quanto para menor infestação não foi observara a eliminação da população da mosca-branca, variando os níveis de eficiência de controle aos 15 dias após a segunda aplicação (dda2), de 21,3 a 85,2% para o grupo de menor infestação e 7,14 a 94,59% para o grupo de maior infestação. O tratamento acetamiprido + piriproxifem apresentou maior eficiência de controle da praga para esses ensaios.

Tabela 3. Número de ninfas por folíolo (NNF) e eficiência (Ef%) dos tratamentos com inseticidas específicos para Bemisia tabaci – biótipo B em relação à testemunha sem controle aos 7 dias após a primeira aplicação (dda1) e aos 3, 7, 10 e 15 dias após a segunda aplicação (dda2) dos ensaios que apresentaram população média 24,1 a 32,2 ninfas por folíolo na prévia (maior infestação) na safra 2017/2018 (Tomquelski  et al., 2020).

Fonte: Tomquelski et al. (2020).

Já para a safra 2018/2019, os resultados apresentados por Tomquelski  et al. (2020) apontam as maiores eficiências de controle para o grupo de menor infestação da mosca-branca aos 15 dda2 para os tratamentos contendo dinotefuram + piriproxifem; acetamiprido + piriproxifem e abamectina + ciantraniliprole, sendo de respectivamente 74,8%, 80,2% e 81,3%. Já para o grupo de maior infestação, a maior eficiência aos 15 dda2 foi observada para o tratamento ditotefuram + piriproxifem, sendo essa de 85,77%.

Veja também: Eficiência de inseticidas no controle do percevejo-marrom

Tabela 4. Número de ninfas por folíolo (NNF) e eficiência (Ef%) dos tratamentos com inseticidas específicos para Bemisia tabaci – biótipo B em relação à testemunha sem controle aos 7 dias após a primeira aplicação (dda1) e aos 3, 7, 10 e 15 dias após a segunda aplicação (dda2) dos ensaios que apresentaram população média 9,5 a 11,8 ninfas por folíolo (maior infestação) na safra 2018/2019 (Tomquelski  et al., 2020).

Fonte: Tomquelski et al. (2020).

Embora ambos os inseticidas avaliados nos ensaios não tenham proporcionado eliminação da população da mosca-branca, os resultados apresentados auxiliam no posicionamento de produtos no manejo e controle da mosca-branca na soja, entretanto, cabe destacar que a utilização de inseticidas não elimina o monitoramento da praga, sendo esse, fundamental no cultivo da soja.

Confira o trabalho completo de Tomquelski et al. (2020) clicando aqui!

Referências:

TOMQUELSKI, G. V. et al. EFICIÊNCIA DE INSETICIDAS PARA O CONTROLE DA MOSCA-BRANCA Bemisia tabaci BIÓTIPO B (Hemiptera: Aleyrodidae) EM SOJA NAS SAFRAS 2017/2018 E 2018/2019: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa, Circular Técnica, n. 158, 2020. Disponível em: <https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1121519/eficiencia-de-inseticidas-para-o-controle-da-mosca-branca-bemisia-tabaci-biotipo-b-hemiptera-aleyrodidae-em-soja-nas-safras-20172018-e-20182019-resultados-sumarizados-dos-ensaios-cooperativos>, acesso em: 19/10/2020.

EMBRAPA. MOSCA-BRANCA. Agência Embrapa de Informação Tecnológica. Disponível em: <https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/soja/arvore/CONT000fznzu9ib02wx5ok0cpoo6ariubmhq.html#:~:text=Em%20plantas%20de%20soja%2C%20a,resist%C3%AAncia%20varietal%20para%20esse%20v%C3%ADrus.>, acesso em: 19/10/2020.

SUEKANE, R. et al. DANOS DA MOSCA-BRANCA BEMISIA TABACI (GENN.) E DISTRIBUIÇÃO VERTICAL DAS NINFAS EM CULTIVARES DE SOJA EM CASA DE VEGETAÇÃO. Arq. Inst. Biol., São Paulo, v.80, n.2, p.151-158, abr./jun., 2013.

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