Dentre os fatores que afetam a produtividade de uma cultura, podemos citar diversos influenciadores como por exemplo, material genético, práticas de manejo, nível tecnológico da lavoura entre outros. Contudo, há três variáveis indispensáveis que desempenham papel fundamental no crescimento e desenvolvimento de uma cultura, sendo elas:

  • Nutrição
  • Radiação solar incidente
  • Disponibilidade de água

A radiação solar incidente, é um fator difícil de se controlar a nível comercial, sendo controlada basicamente em casas de vegetação a nível experimental, contudo a correta orientação das linhas de semeadura pode auxiliar na maximização do uso da radiação por parte das plantas. A disponibilidade de água pode ser controlada por meio do uso de sistemas de irrigação e drenagem, porém, é necessário que se tenham recursos para investir no sistema e água disponível para uso em períodos considerados mais críticos, nos quais geralmente se tem uma má distribuição de chuvas. No entanto, a nutrição das plantas é um fator que pode ser controlado com maior facilidade, mas necessita de uma série de cuidados na hora da tomada de decisão.

A forma mais facilitada de se trabalhar a nutrição das plantas é por meio da adubação do solo, em especial quando se trata de macronutrientes. As raízes das plantas têm a função primordial de absorber água e nutrientes do solo além de dar sustentação à planta. De modo geral, tendo conhecimento das necessidades nutricionais da cultura a ser implantada e dos teores de nutrientes presentes no solo, é possível realizar as adubações de base e cobertura adequada para suprir a necessidade da cultura e a reposição do sistema.

O primeiro passo é a realização de uma análise química do solo; com base nisso, é possível diagnosticar as quantidades disponíveis de cada nutrientes no solo. Além dos nutrientes, conhecer o tipo de solo, teor de argila e matéria orgânica, são importantes para se ter noção das práticas de manejo a serem empregadas, visto que a quantidade de argila no solo e tipo de argila pode influenciar na adsorção de alguns nutrientes em função da carga elétrica presente nos coloides do solo e sua relação com os nutrientes.

Cada nutriente apresenta uma particularidade quanto a sua dinâmica de movimento no solo, sendo em sua maioria absorvidos pela planta em formas diferentes as que fornecemos ao solo, passando por transformações na solução do solo para sua absorção pela planta.

Avaliando o estado nutricional de folhas de soja em lavouras  cultivadas no ano agrícola de 2000/2001 e 2001/2002, no estado do Mato Grosso, URANO et. al, (2006) quantificou os nutrientes presente nas folhas das plantas no estádio R2 e sua produtividade para subpopulações de alta produtividade (superior a 4399 Kg.ha-1) e baixa produtividade (inferior a 4399 Kg.ha-1), conforme apresentado na tabela 1.

Tabela 1. Valores mínimos, máximos, médios e desvios-padrão (s) para teores de nutrientes em folhas de soja, e produtividade, em amostras coletadas na região sul do Estado de Mato Grosso do Sul, nos anos agrícolas de 2000/2001 e 2001/2002, nas subpopulações de alta e baixa produtividade.

Adaptado URANO et. al, (2006).

A partir disso, é possível compreender que as plantas necessitam de um bom aporte nutricional para uma boa produtividade, e é imprescindível que após  a adubação de correção do sistema, se continue avaliando a fertilidade do solo, a fim de realizar as adubações de manutenção do solo e suprindo a exportação de nutrientes por parte das plantas.


Veja também: Quantidades absorvidas e exportadas de nutrientes por toneladas de soja.


Em conjunto à correção e manutenção da fertilidade, é importante trabalhar o perfil do solo, fornecendo boas condições para que a planta não tenha dificuldades no crescimento do seu sistema radicular. A compactação do solo, causa impedimento físico e restringe o crescimento das raízes das plantas, além de dificultar a infiltração de água no solo. O crescimento limitado do sistema radicular prejudica a absorção de água e nutrientes do solo, em vista que um sistema radicular pequeno explora uma pequena camada de solo.

Nem todas as partes de uma raiz são eficientes na absorção de nutrientes. A zona de maior absorção de íons é a zona pelífera, a qual só está presente nas raízes novas como a radícola e as raízes secundárias das dicotiledôneas ou nas raízes seminais e nodais das monocotiledôneas (SANTOS, 2004)

Figura 1: Zonas da raiz e suas funções.

(SANTOS, 2004)

Logo, investir em descompactação do solo e rotação de culturas, pode auxiliar a cultura a expandir seu sistema radicular e consequentemente melhorar a absorção de água e nutrientes. Prática de manejo simples, mas que pode melhorar a produtividade da lavoura e o equilíbrio nutricional do solo.

Mas quando meu sistema já está em equilíbrio é possível melhorar a nutrição das plantas?

Uma alternativa é o uso da adubação foliar, ela serve para alguns nutrientes, mas não substitui a adubação no solo. Em culturas como a soja, quando se tem uma boa fertilidade do solo, a adubação foliar entra no sistema produtivo como um ajuste fino, FAQUIN (2005), coloca a adubação foliar como uma alternativa à períodos de estresse, onde pode ser utilizada de forma suplementar á adubação de solo, contudo nunca de forma substitutiva a esta. Geralmente a adubação foliar é utilizada para micronutrientes, onde por se tratar de pequenas quantidades a serem aplicadas, torna-se dificultosa a aplicação via solo.

Novas tecnologias vêm sendo empregadas no auxílio á nutrição do solo, como por exemplo a incorporação de micronutrientes em fertilizantes NPK, melhorando práticas de manejo e resultados de produtividade.


Veja em: Pesquisa desenvolve capa de micronutrientes para revestimento de fertilizantes NPK.


Contudo, cabe ao produtor e técnico responsável analisa-las e verificar a viabilidade dos seus usos, sem esquecer das práticas manejo básicas  que podem auxiliar no equilíbrio dos nutrientes do solo.

Referências:

URANO et. al, (2006), AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DA SOJA. Pesq. Agropec. bras., Brasília, v.41, n.9, p.1421-1428, 2006.

SANTOS, D. M. M. NUTRIÇÃO MINERAL DE PLANTAS. Fisiologia Vegetal. Unesp, Jaboticabal, 2004.

FAQUIN, V. NUTRIÇÃO MINERAL DE PLANTAS. Curso de Pós-Graduação “Lato Sensu” (Especialização) a Distância: Solos e Meio Ambiente. Lavras: UFLA / FAEPE, 2005.

Elaboração: Equipe Mais Soja.

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