InícioDestaqueGlifosato no solo: Aplicação do herbicida aumenta a necessidade de adubação?

Glifosato no solo: Aplicação do herbicida aumenta a necessidade de adubação?

O glifosato é um dos herbicidas mais utilizados no controle de plantas daninhas na agricultura, se não o mais utilizado. Com o advento da soja RR (Roundup Ready), o glifosato possou a ser o principal herbicida utilizado na cultura, para o controle e manejo de plantas daninhas na dessecação pré-semeadura, assim como no controle em pós-emergência da soja. O glifosato é um herbicida não seletivo, de amplo espectro, utilizados a anos no Brasil, e disponibilizado no mercado com diferentes formulações (Gazziero; Adegas; Voll, 2008).

Entretanto, por ser considerado um herbicida sistêmico, seu comportamento no ambiente é frequentemente discutido, principalmente pelo amplo espectro de ação. No momento da aplicação, parte deste herbicida não atinge o alvo, sendo depositado no ambiente. A partir daí ocorrem processos que determinam seu destino. Destes processos, para o glifosato, os mais importantes incluem a formação de complexos em água com íons metálicos de Ca2+, Mg2+, sorção com sedimentos ou partículas suspensas em água e solo, absorção e metabolismo por plantas e biodegradação por microrganismos (Moraes & Rossi, 2010).

Considerado um sistema trifásico, coloidal e frágil, o solo é constituído por minerais, matéria orgânica, microrganismos, água e ar. No solo, a presença do glifosato está fortemente relacionada com sua capacidade de sorção, sendo essa influenciada por características de solo como granulometria, teor de argila, teor de matéria orgânica, capacidade de troca de cátiones e ânions.

Segundo Moraes & Rossi (2010) a sorção do glifosato no solo ocorre em duas fases, sendo a primeira delas praticamente instantânea, contribuindo com a retenção de mais de 90% do total aplicado, e a segunda um pouco mais lenta. Os autores destacam ainda que por suas propriedades físico-químicas, o glifosato pode ser considerado imóvel ou ligeiramente móvel no solo, sendo que sua mobilidade também pode ser influenciada pelo pH do solo.



Sobretudo, a persistência do glifosato no solo apresenta grande variabilidade, sendo que fotodegradação e degradação química não são significativas na dissipação de glifosato. Em virtude de apresentar alta capacidade de adsorção no solo, muitos estudos tentam analisar e explicar os mecanismos de ligação entre o glifosato e o solo.

FENG & THOMPSON (1990) destacam que os mecanismos mais comuns são a troca de ligantes com os óxidos de ferro e alumínio e as pontes de hidrogênio formadas entre o glifosato e as substâncias húmicas presentes no solo. Grande parte da adsorção do glifosato no solo é dada por sua capacidade em ligar-se a silicatos, óxidos, materiais não cristalinos ou matéria orgânica.

Mas em função da sua capacidade de adsorção no solo, o glifosato pode prejudicar a absorção de nutrientes pelas plantas, implicando na necessidade de aumentar a adubação após aplicação do herbicida?

Uma vez adsorvido, o glifosato pode ficar como resíduo ligado permanecendo no ambiente até sua completa mineralização, que pode durar dias ou meses, dependendo das características do solo. No entanto, cabe destacar que, até onde se sabe, o efeito do glifosato não afeta a disponibilidade dos nutrientes ao ponto de prejudicar a produtividade da cultura. A meia-vida do glifosato no solo varia de menos de uma semana até alguns meses, dependendo dos teores de argila e matéria orgânica e do nível de atividade microbiana (Moraes & Rossi, 2010).


Veja mais: Fertilidade do Solo – variáveis mais importantes para um solo fértil



Referências:

FENG, J. C.; THOMPSON, D. G. Fate of glyphosate in a Canadian forest Watershed. 2: persistence in foliage and soil. Journal of Agriculture and Food Chemistry, California, v.38, n.4, p.1118-1125, 1990.

GAZZIERO, D. L. P.; ADEGAS, F.; VOLL, E. GLIFOSATE E A SOJA TRANSGÊNICA. Embrapa, Circular Técnica, n. 60, 2008. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/CNPSO-2009-09/28579/1/circtec60.pdf >, acesso em: 23/11/2022.

MORAES, P. V. D.; ROSSI, P. COMPORTAMENTO AMBIENTAL DO GLIFOSATO. Scientia Agraria Paranaensis Volume 9, n. 3, P. 22-35, 2010. Disponível em: < https://www.cevs.rs.gov.br/upload/arquivos/201712/06131757-comportamento-ambiental-do-glifosato.pdf >, acesso em: 23/11/22.

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Equipe Mais Soja
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