Na busca pelo aumento da produtividade da soja, várias tecnologias são empregadas buscando o sucesso produtivo. Entretanto, algumas tecnologias servem apenas como um “ajuste fino” na produtividade da soja, sendo necessário condições adequadas ao crescimento e desenvolvimento vegetal para que surtam efeito.

Dentre os princípios básicos de vital importância na produtividade da soja, podemos destacar a compactação do solo. Solos compactados exercem influência negativa sobre a produtividade da soja, impondo barreiras físicas ao crescimento e desenvolvimento radicular, limitando o volume de solo explorado pelas raízes e consequentemente limitando a absorção de água e nutrientes do solo.

Uma das formas mais usuais de medir a compactação do solo é por meio da quantificação da resistência mecânica à penetração do solo (RP), a qual pode ser expressa em Mpa. Avaliando a “produtividade da soja e resistência mecânica a penetração do solo sob sistema de plantio direto no Cerrado brasileiro”, Dalchiavon et al. (2011) observaram que a medida que a RP aumenta, a produtividade da soja reduz, destacando a expressiva influência da compactação do solo sob a redução da produtividade da soja.

Figura 1. Equações de regressão da produtividade de grão obtida (PGO) da soja, em função da Resistência do Solo à Penetração, à profundidade de 0,10-0,20 m, em Latossolo Vermelho distroférrico (Selvíria, MS, 2008/2009).

Adaptado Dalchiavon et al. (2011).

Além das práticas de manejo de visam melhorar as condições físico-estruturais do solo e consequentemente reduzir sua compactação, no momento da semeadura da soja é possível optar por estratégias que possibilitam melhorar condições iniciais de crescimento e desenvolvimento da soja, refletindo em melhores produtividades.



Conforme observado por Sartori et al. (2015), quando utilizada a escarificação ou mecanismos sulcadores tipo haste no processo de semeadura da soja em áreas que apresentam compactação do solo nas camadas superficiais, maiores produtividade de soja são obtidas em comparação a semeadura realizada com mecanismos do tipo disco duplo e disco ondulado.

Tabela 1. Massa de matéria seca de nódulos por planta (MSN), no estádio R3, percentual de nódulos inviáveis (NI), nos estádios V6 e R3 de desenvolvimento das plantas, e rendimento de grãos em consequência dos sistemas de corte da semadora em Santa Maria, RS, safras 2013/2014 e 2014/2015, e em Formigueiro, RS, safra 2013/2014(1) (Sartori et al., 2015).

(1)Médias não seguidas de letras iguais, maiúsculas nas linhas e minúsculas nas colunas, diferem entre si pelo teste Tukey, a 5% de probabilidade. (2)Haste desencontrada, utilizada a 5 cm da linha de semeadura. NS Não significativo, nas linhas; ns Não significativo, nas colunas. *Significativo a 5% de probabilidade. MAS, mecanismo de acomodação do solo;
Adaptado: Sartori et al. (2015).

Embora os resultados obtidos por Sartori et al. (2015) sejam fruto de experimentos conduzidos em áreas de várzea, os resultados obtidos por Silva et al. (2018) também demonstram que quando comparada a semeadura utilizando disco duplo, à semeadura utilizando hastes sulcadoras, sejam elas do tipo fação (FA) ou guilhotina (GUI), maiores produtividades são observadas com o uso de hastes sulcadoras.

Figura 2. Produtividade de grãos da soja no ano agrícola 2006/2007 com uso de escarificador e de diferentes mecanismos sulcadores.

DD – Disco duplo; ESC+DD – Escarificação + Disco duplo; FA – Haste sulcadora tipo fação; GUI – Haste sulcadora tipo guilhotina.
Médias comparadas pelo teste de Tukey (p<0,05).
Adaptado: Silva et al. (2018).

Embora estatisticamente, Ginenez & Cortinove (2020) avaliando a influência de diferentes mecanismos sulcadores na produtividade da soja não tenham encontrado diferença, os resultados obtidos pelos autores apontam diferenças produtivas de até 228 kg.ha-1 quando comparado a semeadura com disco duplo e haste sulcadora sendo as produtividade obtidas de respectivamente 3378 e 3606 kg.ha-1.

Veja também: Inoculação e coinoculação da soja – Uma prática essencial na rentabilidade e sustentabilidade do cultivo

Sendo assim, com base nos aspectos observados, pode-se dizer que que para solos compactados principalmente nas camadas superficiais, a utilização de hastes sulcadoras ou escarificação podem proporcionar bons resultados visando a produtividade da soja, sendo alternativas viáveis, principalmente se tratando das hastes sulcadoras para uso no momento de semeadura da soja.

Referências:

DALCHIAVON. F. C. et al. PRODUTIVIDADE DA SOJA E RESISTÊNCIA MECÂNICA À PENETRAÇÃO DO SOLO SOB SISTEMA PLANTIO DIRETO NO CERRADO BRASILEIRO. Pesq. Agropec. Trop., Goiânia, v. 41, n. 1, p. 8-19, jan./mar. 2011.

GIMENEZ, L. M.; CORTINOVE, L. MECANISMOS SULCADORES AFETAMA QUALIDADE DE SEMEADURA DE SOJA. Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n.6, p.37706-37712 jun. 2020.

SARTORI, G. M. S. et al. RENDIMENTO DE GRÃOS DE SOJA EM FUNÇÃO DE SISTEMAS DE PLANTIO E IRRIGAÇÃO POR SUPERFÍCIE EM PLANOSSOLOS. Pesq. agropec. bras., Brasília, v.50, n.12, p.1139-1149, dez. 2015.

SILVA, F. R. et al. SEMEADURA DIRETA COM DIFERENTES MECANISMOS SULCADORES: ALTERAÇÕES EM PROPRIEDADES DE UM LATOSSOLO BRUNO E PRODUTIVIDADE DAS CULTURAS. Rev. Ciênc. Agrovet., 2018.

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