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Helicoverpa armigera na cultura da soja

A presença da Helicoverpa armigera foi identificada no Brasil em 2013, acarretando prejuízos em diversas culturas agrícolas. Na cultura da soja, geralmente, é observada em uma baixa densidade populacional, possivelmente, devido a fatores como a mortalidade natural e a atuação de agentes de controle biológico, como predadores, parasitoides, patógenos e nematoides. Contudo, devido ao potencial destrutivo dessa praga, é importante manter o monitoramento constante nas lavouras de soja (Roggia et al., 2020).

Na soja, Sosa-Goméz et al. (2014) ressaltam que, quando o ataque ocorre em estádios iniciais, as lagartas tendem a ser encontradas escondidas nos folíolos ainda não abertos totalmente. Tal comportamento é diferente quando o ataque ocorre em plantas já mais desenvolvidas.

Além de provocar desfolha em plântulas, em algumas situações, as lagartas podem consumir brotos apicais e cotilédones das plantas, raspando-as e perfurando-as. Já na fase reprodutiva, atacam as vagens, alimentando-se dos grãos e causando danos semelhantes aos danos causados por lagartas do gênero Spodoptera. No início do desenvolvimento da cultura, Guazina et al. (2019) destacam que a lagarta causa danos severos às plântulas de soja, consumindo folhas unifolioladas, cotilédones e haste, podendo resultar na redução e qualidade do estande de plantas.

A helicoverpa é considerada uma praga altamente polífaga, com grande quantidade de culturas hospedeiras, tais como leguminosas da família Fabaceae, e diversos hospedeiros secundários. Além disso, a lagarta possui elevado potencial reprodutivo e a grande capacidade de dispersão (em sua fase adulta) (Pessoa et al., 2019). As condições consideradas ótimas de temperatura para o desenvolvimento da H. armígera, ocorre em média de 26 °C, podendo em 30 dias a praga completar seu ciclo biológico (ovo-adulto) (Fragoso, 2014).

De acordo com o Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas (IRAC-BR, 2023), os ovos da H. armígera, são depositados isoladamente nas folhas e estruturas reprodutivas da planta, apresentando coloração branco-amarelada e próximo à eclosão adquirem a coloração marrom-escuro.  Vale destacar que a fêmea tem a capacidade de ovipositar de 1000 a 1500 ovos por ciclo.

Figura 1. Fases do ciclo biológico de Helicoverpa armígera. A) ovos; B) lagarta sobre dieta artificial com comportamento característico de encurvamento da cabeça; C) pupa; D) inseto adulto.

Fonte: Farias (2017).

As lagartas podem apresentar diversas colorações, de branco-amarelada a verde, com cabeça de coloração marrom-escura a preta, apresentando listras laterais de diversas cores nos diversos segmentos. Uma característica para identificação das lagartas é a presença, a partir do quarto ínstar, de tubérculos abdominais escuros e bem visíveis na região dorsal do primeiro segmento abdominal, dispostos na forma de semicírculo. Ainda possuem micropelos que podem ser observados com auxílio de uma lupa, de onde saem de pintas salientes do 1º, 2º e 8º segmentos abdominais (IRAC-BR, 2023).

Figura 2. Adulto de Helicoverpa armígera.

Foto: Sebastião José de Araújo (2014).

Conforme destaca Fragoso (2014), uma etapa considerada importante no manejo da Helicoverpa armígera, consiste no monitoramento antes da implantação da lavoura, considerando que existem pontes verdes, ocorrendo a migração de uma cultura para outra e a sobrevivência da praga em plantas hospedeiras no período da entressafra. O monitoramento pode ser realizado através do uso de armadilhas luminosas, uma vez que as mariposas são atraídas pela luz, armadilhas com feromônios para capturar especificamente indivíduos da espécie ou, através do uso do pano de batida.



O método de amostragem da lagarta por meio do uso de panos de batida, é realizado como nas demais espécies de lagartas. No entanto, durante o desenvolvimento da soja, no monitoramento dessa lagarta, é essencial realizar uma inspeção nos ponteiros, flores e vagens das plantas, somando as lagartas encontradas nesses locais às capturadas pelo método do pano de batida. Além disso, para monitorar os adultos (mariposas) da lagarta helicoverpa, recomenda-se o uso de armadilhas de feromônio (Roggia et al., 2020).

O nível de ação sugerido para o controle da helicoverpa na cultura da soja, é de 4 lagartas pequenas por metro linear ou 30% de desfolha na fase vegetativa da cultura. Já durante a fase reprodutiva, o nível de ação é de 2 lagartas pequenas por metro linear ou 15% de desolha (Figura 2).

Figura 3. Níveis de ação para as principais lagartas da soja.

Fonte: Roggia et al. (2020).

Veja mais: Danos de S. cosmioides em soja



Referências:

FRAGOSO, D. B. Helicoverpa armigera: CONHECER PARA COMBATER! Fronteira agrícola, informativo técnico, n. 1, 2014. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/142354/1/CNPASA-2014-fa1.pdf >, acesso em: 08/02/2024.

GUAZINA, R. A. et al. DANOS DA LAGARTA Helicoverpa armigera (Hübner, 1805) (LEPIDOPTERA: NOCTUIDAE) EM PLANTULAS DE SOJA. Revista de Ciências Agroveterinárias, Universidade do Estado de Santa Catarina, 2019. Disponível em: < https://revistas.udesc.br/index.php/agroveterinaria/article/view/9416/pdf > , acesso em: 08/02/2024.

IRAC-BR. DESENVOLVIMENTO E REPRODUÇÃO DE Helicoverpa armígera. Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas, IRAC-BR, 2023. Disponível em: < https://www.irac-br.org/single-post/desenvolvimento-e-reproducao-de-helicoverpa-armigera https://www.irac-br.org/single-post/desenvolvimento-e-reproducao-de-helicoverpa-armigera >, acesso em: 08/02/2024.

PESSOA, M. C. P. Y. et al. NÍVEL DE DANO DE Helicoverpa armígera EM FASE VEGETATIVA DE SOJA (SAFRA 2016/2017) EM PONTA PORÃ. Embrapa Meio Ambiente, Jaguariúna – SP, 2019. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1113824/1/DanoHelicoverpaPessoaBP852019.pdf >, acesso em: 08/02/2024.

ROGGIA, S. et al. MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS. Tecnologia de produção de soja, sistemas de produção, 17, cap. 9. Embrapa, Londrina – PR, 2020. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/223209/1/SP-17-2020-online-1.pdf >, acesso em: 08/02/2024.

SOSA-GÓMEZ, D. R. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE INSETOS E OUTROS INVERTEBRADOS DA CULTURA DA SOJA. Embrapa, documentos, 269, ed. 3. Londrina – PR, 2014. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/105924/1/Doc269-OL.pdf >, acesso em: 08/02/2024.

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Equipe Mais Soja
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