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O Níquel na cultura da soja

O níquel (Ni) foi considerado como um micronutriente na década de 80. Sua essencialidade está em função da participação do Ni na metaloenzima urease, que catalisa a degradação da ureia em dióxido de carbono e amônia (DIXON et al., 1975), tornando esse elemento importante para o metabolismo do nitrogênio nas plantas. Além disso, esse nutriente participa do processo de fixação biológica de nitrogênio (FBN), como constituinte da enzima hidrogenase.

Segundo MELLIS et al. (2004), este elemento apresenta grande capacidade adsortiva em solos com altos teores de óxidos e matéria orgânica. Além disso, ainda segundo os mesmos autores, o pH influencia diretamente a disponibilidade de Ni para as plantas, sendo que essa disponibilidade é baixa a partir de pH 5,5.

Apesar do micronutriente estar presente no mercado e na legislação brasileira de fertilizantes, as informações sobre as doses, as formas de aplicação e a respostas das plantas a sua aplicação ainda são insuficientes para a recomendação do uso agrícola de Ni.


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As fontes utilizadas para a aplicação de Ni podem variar entre sais, como o sulfato, nitrato e cloreto, até formulações com EDTA, como quelatos. No Brasil, a Instrução Normativa 05, de 23 de fevereiro de 2007, que controla o registro de fertilizantes e corretivos minerais apresenta uma lista de produtos para aplicação via solo ou foliar e estabelece a concentração mínima para registro.

Para produtos de aplicação via foliar, solo ou fertirrigação, a quantidade mínima para registro é de 0,005% e 0,01% se o fertilizante for exclusivamente fonte de micronutrientes. Produtos para aplicação via tratamento de sementes devem conter ao menos um micronutriente, sem concentração mínima (BRASIL, 2007).

Respostas das plantas à adição de Ni

Além de aumentar a produção, a aplicação de Ni pode promover o aumento na germinação, a diminuição do ciclo das culturas, a resistência às doenças etc. GERENDÁS et al. (1999) concluíram que pulverizações com sais de Ni são eficientes contra a infecção de ferrugens de seis diferentes espécies (centeio, soja, trigo, colza, abobrinha e girassol) devido à sua toxidez para o patógeno e também devido a mudanças causadas na fisiologia do hospedeiro que levam à resistência.

Em experimentos com plantas cultivadas sem adição de Ni ao meio de crescimento, produziu-se grãos com baixa porcentagem de germinação, enquanto as plantas cultivadas com 1,0 µmol L-1 de Ni em suas soluções nutritivas produziram grãos com porcentagens de germinação superiores a 95%.



 Levando-se em consideração que o teor de NH3 estimula o florescimento, observou-se que o Ni pode aumentar a quantidade de flores e a porcentagem de pegamento (LOVATT et al.,1988). Embora promova benefícios às culturas, o manejo da adubação de Ni precisa ser adequado, pois o excesso desse micronutriente pode provocar a deficiência de outros nutrientes, como o P, por exemplo, prejudicando o desenvolvimento das plantas.

A importância do Ni para a cultura da soja

Alguns autores verificaram efeitos significativos desse micronutriente na fixação biológica e na atividade da urease das folhas. Segundo KLUCAS et al. (1983), a fixação simbiótica do N está diretamente relacionada com o Ni, levando-se em consideração que o elemento aumenta a atividade da hidrogenase em bacterióides isolados dos nódulos.

URETA et al. (2005) demonstraram que níveis abaixo de 0,1 mg kg-1 de Ni disponível nos solos agricultáveis pode limitar a atividade da hidrogenase simbiótica de Rhizobium leguminosarum. Em BERTRAND (1973), a adição de até 40 g ha-1 de Ni em vasos aumentou a nodulação e a produção de grãos de soja.

Em experimentos com plantas suplementadas com Ni, notou-se que a atividade da urease foliar das plantas cultivadas simbioticamente foi maior do que em plantas que receberam nitrato como fonte de N. A urease desempenha um papel importante no metabolismo da ureia derivada do catabolismo de ureídeos, que são os principais compostos que transportam o N fixado a partir de nódulos em plantas de soja (McCLURE e ISRAEL, 1979). As folhas, portanto, seriam os principais órgãos em que a ureia é metabolizada.


Veja também: Boro em soja e milho: nutriente importante e incompreendido?


Em estudo realizado por Levy, 2013, onde avaliou-se doses e formas de aplicação de Ni na cultura da soja, concluiu-se que a adição de Ni via solo e via foliar aumenta a atividade da urease em plantas de soja, além disso, a dose de 0,5 kg ha-1 aplicada via solo com textura mais argilosa aumentou em 25% o acúmulo de massa de matéria seca nas plantas, e por fim, as doses a partir de 0,25 kg ha-1 aplicadas via foliar aumentaram o teor de Ni nos grãos de soja, em médias acima do permitido para consumo como alimento.

Veja, nos gráficos abaixo os resultados obtidos no trabalho.

Figura 1: Área foliar das plantas de soja tratadas com Ni via solo em Latossolo vermelho eutroférrico de textura argilosa (LV) Latossolo vermelho-amarelo de textura arenosa (LVA) aos 40 DAP.

Fonte: Levy, 2013.

Figura 2: Número de vagens em plantas de soja tratadas com Ni via solo aos 70 DAP.

Fonte: Levy, 2013.

Para acessar o trabalho completo, clique aqui.

Elaboração:  Equipe Mais Soja.

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