O milho, assim como a maioria das culturas, está sujeito ao ataque de pragas em praticamente todas as fases de desenvolvimento. Os danos causados pelas pragas na fase vegetativa e reprodutiva do milho variam de acordo com o estádio fenológico da planta, condições edafoclimáticas, sistemas de cultivo e fatores bióticos localizados.

 Nos últimos anos, pragas anteriormente consideradas secundárias, como por exemplo, o pulgão-do-milho Rhopalosiphum maidis, passaram a atacar a cultura com maior frequência e intensidade, deixando de ser secundárias para se transformarem em um real problema para os produtores em algumas regiões do Brasil, principalmente, nos estados do Sul do país (COTRISOJA, 2007).

Saiba mais sobre a praga

O pulgão-do-milho (Rhopalosiphum maidis) é um inseto sugador de seiva que se alimenta ao introduzir seu aparelho bucal nas folhas novas. É transmissor de viroses como a do mosaico comum, causada por potyvirus, por exemplo.

 Essa virose tem se destacado entre as doenças mais importantes na cultura do milho em razão do aumento de sua incidência e das perdas que pode causar na produção. Causada por um complexo de vírus do gênero potyvirus, transmitido na natureza por várias espécies de afídeos, o pulgão-do-milho distingue-se pela eficiência na transmissão. A existência de um elevado número de tipos de potyvirus e de uma elevada gama de plantas hospedeiras aumenta a força desta doença.

Figura 1 – Pulgão do milho em plantas em estádio VT.

Figura 1 – Fonte: Tiago Hauagge

O pulgão-do-milho pode ser encontrado em colônias formadas por adultos e ninfas. Os adultos, que podem ser ápteros ou alados, são sempre fêmeas e se reproduzem de forma assexuada (partenogênese). A forma adulta frequentemente observada nas colônias é a áptera, e a forma alada, responsável pela dispersão das colônias, é observada quando a população do inseto na planta é alta, a fonte de alimento está se esgotando ou as condições ambientais são desfavoráveis ao inseto

Medindo entre 0,9 e 2,2 mm de comprimento, o ciclo biológico desta espécie varia em torno de 20 e 30 dias e cada fêmea origina em média 70 novos pulgões. Fêmeas não aladas têm maior progênie (até 80 ninfas) enquanto que as fêmeas aladas se reproduzem em menor número (até 50 ninfas).

 Pelo fato de não precisarem de machos para o processo de reprodução, os pulgões-do-milho se reproduzem assexuadamente (partenogênese telítoca), ou seja, as próprias fêmeas dão origem a novas fêmeas. Os pulgões não ovipositam, desta forma, as ninfas já saem do corpo da mãe praticamente formadas. Este processo possibilita um rápido crescimento populacional (Figura 2) uma vez que a reprodução pode ser contínua dependendo do clima e uma nova geração pode acabar ocorrendo a cada semana dependendo da temperatura.

Figura 2 – Fêmea alada – Fonte: Embrapa, (2006).

A rapidez de desenvolvimento das ninfas, o número da progênie e a longevidade do adulto são grandemente influenciados pela temperatura que, quanto mais alta for, maior será o desenvolvimento das ninfas. A temperatura ótima para o desenvolvimento das ninfas fica entre 10°C e 35°C. Períodos de baixa umidade ou temperaturas acima/abaixo desses limites interrompem o desenvolvimento das ninfas.

Figura 3 – Fêmea áptera (sem asas). – Fonte: Embrapa, (2006).

Danos

Ao se alimentarem da seiva das plantas, secretam parte não aproveitada desta seiva, conhecida como “honeydew”, o que propicia o desenvolvimento de fungos (fumagina) capazes de interferir na polinização e prejudicar a atividade de fotossíntese da planta.

 Em casos severos, o complexo pulgão-virose pode acarretar a morte de plantas, ou causar perfilhamento de espigas, espigas atrofiadas e espigas com granação deficiente. Esses sintomas, muitas vezes, são confundidos no campo com problemas de polinização. Segundo a literatura, ao se alimentar de plantas infectadas, o pulgão adquire o vírus em poucos segundos ou minutos e, da mesma forma, transmite-o em poucos segundos ou minutos ao se alimentar de plantas sadias.

Figura 4 – Clorose nas folhas de milho devido ao ataque de pulgões.

Fonte: Tiago Hauagge

Figura 5 – Lavoura com alta infestação de pulgão, plantas com necrose foliar e espigas malformadas.

Fonte: Tiago Hauagge

Figura 6 – Planta atacada por pulgão, resultando e má formação da espiga e falha na polinização.

Fonte: Tiago Hauagge

Alguns sintomas permitem a identificação das viroses associadas, como a presença de manchas verdes nas folhas entremeadas por manchas amareladas, em padrão de mosaico. Esses sintomas são claramente visíveis em plantas jovens e tendem a desaparecer na medida em que se tornam adultas, tornando difícil sua identificação após o florescimento.

Essas viroses podem causar também encurtamento de internódios e redução no tamanho das espigas e dos grãos. Há uma variação dos danos causados pelo complexo pulgão-viroses entre os diferentes cultivares de milho, entretanto a intensidade dos danos está relacionada com o conjunto de fatores relativos ao solo e ao clima.

 Os maiores danos são observados quando a infestação de pulgões ocorre na fase inicial de desenvolvimento vegetativo da cultura, com estimativas de perdas que podem alcançar até 60% da produção. A redução na produtividade ainda precisa ser mais bem estudada, entretanto admite-se que é uma resposta fisiológica da planta associada à interação dos pulgões aos seguintes fatores: a) viroses transmitidas; b) altas populações de pulgões; c) estresse hídrico.

Em trabalho realizado por Ávila et al., (2015), onde estudou-se o efeito da adubação nitrogenada em milho safrinha sobre a ocorrência de insetos-pragas, pode-se concluir que a ocorrência do pulgão do milho, R. maidis é influenciada pela adubação nitrogenada na cultura, diferentemente das outras espécies estudadas. O inseto apresentou menor incidência nos tratamentos com menor presença de nitrogênio.

Veja o resultado dos autores nas Tabelas 1 e 2.

Fonte: Ávila et al., (2015).
Fonte: Ávila et al., (2015).

Acesse o trabalho completo clicando aqui. 

Manejo e controle

Mesmo para híbridos tolerantes, é recomendado o MIP, evitando-se atingir o nível de dano econômico, com perdas significativas de produtividade, em anos mais favoráveis ao complexo pulgão. Dentre as pragas do milho, o pulgão pode ser a mais sensível a um desequilíbrio biológico. Geralmente têm grande número de inimigos naturais, como parasitóides (Aphidius sp.), predadores (joaninhas, larvas de sirfídeos, tesourinha e crisopídeos) e doenças fúngicas. Os parasitoides colocam seus ovos em ninfas de pulgões, fazendo com que os pulgões atingidos se tornem “múmias”.

Um diagnóstico precoce da presença da praga na lavoura é uma estratégia eficaz para o seu controle, pois um bom manejo pode evitar altas populações. Além disso, a escolha de híbridos que sejam menos sensíveis ao ataque da praga pode gerar bons resultados.

Pulverizações aéreas com inseticidas a base de neonicotinóides tem demonstrado resultados expressivos em nível de campo, porém, é preciso sempre respeitar o intervalo de carência. Tais aplicações se justificam se o nível de infestação da praga for elevado (mais de 100 pulgões/planta) em um percentual expressivo de plantas/hectare. Estresse hídrico e baixa umidade podem potencializar os danos.

Clique aqui para saber mais.



Elaboração: Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

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