O controle de plantas daninhas é uma prática de manejo indispensável para evitar a matocompetição e com ela a redução da produtividade da soja, já que plantas daninhas podem competir com a soja por água, radiação solar e nutrientes do solo.

Visando um manejo eficiente, conhecer alguns conceitos e parâmetros podem auxiliar no manejo de plantas daninhas da soja, atuando de forma efetiva quando necessário, reduzindo os custos de controle e a interferência de plantas daninhas na produtividade da soja. Segundo Agostinetto et al. (2008), no início do desenvolvimento da cultura, as plantas daninhas e cultivadas podem conviver em conjunto por determinado período, sem que haja redução da produtividade, sendo esse período de nominado de período anterior à interferência (PAI).

Já o período total de prevenção da interferência (PTPI), é aquele período a partir da emergência, quando a cultura deve crescer livre da presença de plantas daninhas para que sua produtividade não seja alterada (Agostinetto et al., 2008). A diferença entre PAI e PTPI corresponde ao período crítico de prevenção da interferência (PCPI), ou seja, é o período em que práticas de manejo devem ser realizadas para o controle de plantas daninhas, evitando a redução da produtividade da cultura.



Embora sejam conceitos de fácil entendimento, a duração desses períodos pode variar de acordo com a espécie de planta daninha presente na área de cultivo e habilidade competitiva da cultivar. Contudo, alguns trabalhos como o realizado por Franceschetti et al. (2018), podem auxiliar na determinação desses períodos.

Franceschetti et al. (2018) avaliaram o período de interferência de plantas daninhas na cultura da soja, cultivar Elite PRO. A cultivar foi submetida a convivência dom papuã (Urochloa plantaginea) por períodos de 7, 14, 21, 28, 35 e 42 dias após a emergência (DAE) e por todo o ciclo.

Conforme os resultados obtidos pelos autores, a convivência da soja com o papuã começou a afetar a produtividade a partir dos 26 DAE, observando-se assim a necessidade de se efetuar o controle da planta daninha até os 41 DAE. O intervalo entre 26 e 41 DAE corresponde ao período crítico de prevenção à interferência (PCPI) (Franceschetti et al., 2018).

Figura 1. Produtividade de grãos da soja (kg ha-1) cv. Elite IPRO, em função dos períodos de convivência (●) e de controle (○) de papuã (Urochloa plantaginea).

PAI: período anterior a interferência; PTPI: período total de prevenção a interferência e PCPI: período crítico de prevenção a interferência. Barras verticais correspondem ao desvio padrão da amostra. * Significativo a p≤0,05.
Adaptado: Franceschetti et al. (2018)

Com base nos resultados obtidos por Franceschetti et al. (2018), pode-se dizer que em média, o PAI para a cultura da soja quando em convivência dom o papuã (Urochloa plantaginea), é de aproximadamente 26 DAE. Embora esse valor possa diferir para distintas cultivares e planta daninhas, com o trabalho realizado por Franceschetti et al. (2018) é possível ter uma noção do PAI para a cultura da soja.

Confira o trabalho completo de Franceschetti et al. (2018) clicando aqui!


Veja também: Alelopatia do azevém – uma ferramenta interessante no manejo integrado de plantas daninhas


Referências:

AGOSTINETTO, D. et al. PERÍODO CRÍTICO DE COMPETIÇÃO DE PLANTAS DANINHAS COM A CULTURA DO TRIGO. Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 26, n. 2, p. 271-278, 2008. Disponível em: < https://www.scielo.br/pdf/pd/v26n2/a03v26n2.pdf >, acesso em: 15/12/2020.

FRANCESCHETTI, M. B. et al. PERÍODOS DE INTERFERÊNCIA DE PLANTAS DANINHAS NA CULTURA DA SOJA. Anais da VIII Jornada de Iniciação Cientifica e Tecnológica – VIII JIC, 2018. Disponível em: < https://portaleventos.uffs.edu.br/index.php/JORNADA/article/view/8650 >, acesso em: 15/12/2020.

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