Hoje vamos finalizar a série de textos sobre plantas daninhas importantes na cultura da soja.

Já falamos sobre o capim-amargoso, vassourinha-de-botão, capim-pé-de-galinha e buva.

Hoje vamos falar de uma planta que tem merecido muita atenção, o caruru.

As espécies do gênero Amaranthus são conhecidas popularmente por caruru.

Dentre elas podemos citar:

  • A. deflexus (caruru-rasteiro)
  • A. retroflexus (caruru-gigante).

    Fonte: HRAC.
  • A. viridis (caruru-de-mancha).

    Fonte: HRAC.
  • A. spinosus (caruru-de-espinho).

    Fonte: HRAC.
  • A. hybridus (caruru-branco).

    Fonte: HRAC.
  • A. palmeri (caruru-palmeri).
  • No texto vamos focar em duas delas: A. palmeri e A. hybridus .

A. palmeri

  • O A. palmeri é uma planta anual com maior ocorrência no verão, como outras espécie de caruru se adapta muito bem a solos férteis. É uma planta muito problemática nos Estados Unidos e na Argentina.Ela foi identificada no ano de 2015 no Brasil, na região do núcleo algodoeiro Centro-Norte do estado de Mato Grosso, em  áreas normalmente cultivadas com rotação das culturas de algodão, soja e milho. Sendo este o primeiro relato da espécie aqui no país, divulgado pelo Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt).
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    Fotos: Saul Jorge Pinto de Carvalho. HRAC – BR.

     

    Fotos: Saul Jorge Pinto de Carvalho (esq.), Ramiro Fernando López Ovejero (dir.). HRAC – BR.

     

     

 

 

 

 

Até o momento a espécie foi identificada apenas no estado de MT, com situação controlada, e medidas foram tomadas para evitar que ocorra a disseminação para outras localidades. Contudo todo cuidado haja visto que a planta está presente em plantações dos nossos vizinhos argentinos.

São dois casos de resistência a herbicidas de A. palmeri no Brasil. Em 2015 biótipo relatado com resistência ao glyphosate e em 2016, caso de resistência múltipla aos inibidores da ALS (chlorimuron, cloransulam, imazethapyr) e glyphosate.

A. hybridus

Assim como o A. palmeri, também é uma planta anual de maior ocorrência no verão. Na safra 2018/19 foram relatadas dificuldades no controle para a aplicação de glyphosate.

Foram relatadas dificuldades no Rio Grande do Sul e também na região dos Campos Gerais no Paraná. Ambos são casos de suspeita de resistência ao glyphosate.

Fotos: Fundação ABC.

Ambas as espécies merecem muita atenção, são muito agressivas, apresentam crescimento rápido, podem produzir mais de 200 mil sementes.

As sementes podem ser disseminadas pelo vento, animais entre outros agentes. E um merece muita atenção: maquinário! Por isso a necessidade da limpeza de máquinas e o cuidado com o tráfego das mesmas.

Em relação a interferência na soja, estudo indicou que 4,6 plantas m-2 de A. hybridus podem reduzir 25 – 30% a produtividade da soja. Enquanto outro estudo indicou que 8 plantas m-2 de A. palmeri podem reduzir até 75% a produtividade da soja.

Pensando no controle destas plantas, não podemos simplificar o manejo, o que já foi dito para as outras plantas daninha nesta série. Apenas o glyphosate não é suficiente, neste contexto outros herbicidas merecem destaque como:

  • Inibidores da ALS (imazethapyr, cloransulam, chlorimuron, entre outros);
  • Inibidor da GS (glufosinate);
  • Inibidores da Protox (saflufenacil, flumioxazin, sulfentrazone, entre outros);
  • Auxínicos com destaque para 2,4-D e dicamba.
    Fonte: Andrade Junior et al. (2018).

    Conclusão

    O caruru está entre as principais plantas daninhas que causam prejuízos na cultura das soja. Seu controle é dificultado devido a elevada produção de sementes e os casos de resistência a herbicidas e suspeita de resistência ao glyphosate.

    Duas espécies merecem mais atenção: Amaranthus palmeri e Amaranthus hybridus.

    Para um controle eficaz é necessário o uso de outros herbicidas além do glyphosate.

    O controle preventivo é fundamental, sobretudo com foco na limpeza e tráfego de máquinas. Para evitar a disseminação das espécies, que são problemas em algumas regiões do Brasil e principalmente na Argentina.



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    Sobre a Autora: Ana Ligia Girardeli, Sou Engenheira Agrônoma formada na UFSCar. Mestra em Agricultura e Ambiente (UFSCar) e Doutora em Fitotecnia (USP/ESALQ). Atualmente, estou cursando MBA em Agronegócios.

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