O trabalho tem como objetivo apresentar os feitos das plantas de cobertura sobre as propriedades físicas do solo e cultura em sucessão na região Sul do Brasil, através da compilação de alguns estudos desenvolvidos em torno desta temática.

Autores: Luane Laíse Oliveira Ribeiro¹; Letícia do Socorro Cunha²

Introdução

Alterações nas propriedades do solo podem afetar a sustentação do crescimento vegetal, e, consequentemente o rendimento das culturas. Faz-se necessário alternativas sustentáveis que melhoram e/ou mantenham a estrutura física do solo, facilitando o suprimento de água, oxigênio e nutrientes, além do crescimento e desenvolvimento radicular (Sanchez et al., 2014). A utilização de plantas de cobertura em rotação de cultura no Sistema de Plantio
Direto (SPD) é uma estratégia que pode usada para reverter este cenário, onde as plantas após manejadas deixam sua massa sobre a superfície do solo e acaba melhorando as propriedades físicas, químicas e biológicas do mesmo ao longo do tempo. As espécies que podem ser utilizadas como plantas de cobertura são muitas, deste modo, é necessário que se opte por espécies de plantas que superem as restrições físicas (Seidel et al., 2016).

No Sul do Brasil, as coberturas mais utilizadas no outono-inverno são a aveia (principalmente a preta), nabo forrageiro, ervilhacas, tremoço branco, centeio, ervilha forrageira e azevém (Conceição et al., 2017). Com isso, trabalhos que enfatizem a importância do uso das plantas de cobertura bem como seu efeitos nas propriedade físicas do solo os quais poderão favorecer o desenvolvimento de culturas comerciais em sucessão e aumentar a eficiência do uso da terra precisam ser discutidos afim de que está prática seja difundida e consolidada como alternativa para maior sustentabilidade dos sistemas de produção. Neste sentido, o trabalho tem como objetivo apresentar os feitos das plantas de cobertura sobre as propriedades físicas do solo e cultura em sucessão na região Sul do Brasil, através da compilação de alguns estudos desenvolvidos em torno desta temática.

 

Plantas de cobertura e as propriedades físicas do solo

As plantas de cobertura, juntamente com o manejo conservacionista, agem de forma a reverter os processos de compactação e degradação do solo, modificando suas propriedades físicas, químicas e biológicas, melhorando as condições estruturais do solo e mantendo o solo produtivo, além de protege-lo contra erosões e impactos das intempéries climáticas. Um solo bem estruturado e manejado garante o sucesso da produtividade, propiciando o desenvolvimento das raízes das culturas, devido a melhor aeração e capacidade de infiltração de água no solo (Carvalho et al., 2004), o acúmulo de material orgânico no solo promove o aumento da infiltração e o armazenamento de água no perfil do solo garantindo a capacidade de estabelecimento das culturas, bem como o seu desenvolvimento além de certa redução da amplitude térmica do solo. As inserções de culturas que apresentem raízes robustas e profundas instigam efeitos biológicos positivos que ampliam a porosidade do solo, contribuindo com a destruição das camadas compactadas, propiciando a formação de bioporos, aumentando a porosidade e a capacidade de infiltração de água no perfil do solo melhorando a qualidade física do solo para as culturas subsequentes. (Callegari & Costa, 2009).

Plantas de cobertura e seus efeitos nas culturas em sucessão

As plantas de cobertura do solo que antecedem as culturas de interesse econômico exercem influência sobre o rendimento das culturas. De acordo com Silva et al. (2007), sob baixa disponibilidade de N no solo, as consorciações de uma gramínea com uma espécie da família das leguminosas ou das brássicas, no inverno, de uma forma geral, aumentam o rendimento de grãos da cultura do milho, em relação à sucessão à gramíneas como a aveia preta em cultivo isolado. Nicoloso et al. (2008) encontraram maior rendimento de soja em sucessão ao consórcio de nabo forrageiro e aveia atribuindo-o à interação entre a maior porcentagem de cobertura de solo proporcionada, e a elevada produção de fitomassa por este consórcio. Em um trabalho desenvolvido por Fonseca (2017) em Lages na região do Planalto Sul Catarinense, estudando os efeitos de diferentes plantas de cobertura na produtividade das cultura de milho e soja em sucessão demostraram que a maior produtividade para o milho foi obtido após o cultivo do trigo que é uma gramínea a qual se decompõe mais lentamente, mantendo o solo coberto até o estabelecimento da cultura em sucessão. Já para soja, a maior produtividade se deu após o cultivo da ervilhaca (Tabela 1).

Tabela 1. Produtividade das culturas estivais.

Esses resultados reforça o fato de que as plantas de coberturas, através de seus benefícios ligados as propriedades físicas do solo além de outros, influenciam positivamente no rendimento das culturas cultivadas em sucessão. Quando a prioridade do cultivo de plantas de cobertura for o fornecimento de N à cultura sucessora, a escolha deve recair sobre as leguminosas ou os consórcios com predominância de leguminosas. Se o objetivo principal for a proteção do solo, o aumento na proporção de gramíneas no consórcio deve ser a estratégia escolhida (HEINRICHS et al., 2001).

Considerações finais

As plantas de coberturas de inverno presentam inúmeros benefícios para o solo e como consequência para as cultura comerciais em sucessão. Através da alteração de algumas propriedades físicas, estas acabam influenciando diretamente a produtividade de culturas de verão. Porém ensaios desenvolvidos a longo prazo podem ser importantes para consolidar uma informação mais precisa e exata a respeito do uso de plantas de cobertura e seus efeitos no solo e culturas em sucessão na região Sul do Brasil.


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Referências

CALEGARI, A.; COSTA, A. Manutenção da cobertura melhora atributos do solo. Revista Visão Agrícola, v. 9, p. 13-16, 2009.

CARVALHO, M. A. C. et al. Soja em sucessão a adubos verdes em solo de Cerrado. Pesq. agropec. bras., Brasília, v.39, n.11, p.1141-1148, nov. 2004.

CONCEIÇÃO, P. C; CALEGARI, A; HOJO, R. H. Plantas de cobertura e rotação de culturas. Porto Alegre: Editora Cinco Continentes, p. 130-166, 2017.

FONSECA, J. S. Plantas de cobertura e sua influência nas propriedades físicas do solo e no rendimento de culturas estivais. Trabalho de conclusão de curso-Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha (IFFar, RS) e Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA, RS), 46p, 2017.

HEINRICHS, R. et al. Cultivo consorciado de aveia e ervilhaca: relação C/N da fitomassa e produtividade do milho em sucessão. Revista Brasileira de Ciência Solo, 25:331-340, 2001

NICOLOSO, R. da S. et al. Eficiência da escarificação mecânica e biológica na melhoria dos atributos físicos de um latossolo muito argiloso e no incremento do rendimento de soja. Revista Brasileira de Ciência Solo, 32:1723-1734, 2008.

SANCHEZ, E.; MAGGI, M. F.; GENÚ, A. M.; MÜLLER, M. M. L. Propriedades físicas do solo e produtividade de soja em sucessão a plantas de cobertura de inverno. Magistra, Cruz das Almas, v. 26, n. 3, p. 266-275, 2014.

SEIDEL, E, P; MELLO, E. C. T. de. ZAMBOM, M. A. Sustentabilidade agropecuária em sistemas agroecológicos e orgânicos de produção. Unioeste-Campus Marechal Cândido Rondon, 230p, 2016.

SILVA, A. A. et al. Sistemas de coberturas de solo no inverno e seus efeitos sobre o rendimento de grãos do milho em sucessão. Ciência Rural, 37: 928-935, 2007.

Informações dos autores

¹Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Agronomia (PPGA), Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Campus Marechal Cândido Rondon-PR, Brasil. E-mail: luanelaiseifpa@hotmail.com;

2Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Agronomia (PPGA), Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Campus Marechal Cândido Rondon-PR, Brasil. E-mai: leticiacunhaufra2013@hotmail.com.

Disponível em: Anais do II Congresso Online para Aumento de Produtividade do Milho e Soja (COMSOJA), Santa Maria, 2019.

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