Os preços do trigo caíram no Paraná em setembro, influenciados pela colheita da nova safra. No Rio Grande do Sul, os valores também recuaram, mas de forma menos intensa – vale lembrar que as atividades de campo neste estado se iniciam apenas entre outubro e novembro. Diante disso, as cotações médias do cereal no estado paranaense estiveram inferiores às registradas no sul-riograndense. Esse cenário é atípico, tendo em vista que, historicamente, os preços no Paraná superam os do Rio Grande do Sul.

Em setembro, o preço médio do trigo no mercado disponível (negociações entre empresas) no Paraná foi de R$ 1.158,64/tonelada, com queda de 4,4% frente à de agosto. No Rio Grande do Sul, a média foi de R$ 1.198,40/t, com baixa de 3% em relação ao mês anterior. Levando-se em consideração a série histórica do Cepea iniciada em 2004, foram poucas as vezes em que o preço do Rio Grande do Sul superou o do Paraná (sendo entre setembro e outubro de 2004; em setembro de 2015; em setembro e outubro de 2017; em agosto e setembro de 2020).

No acumulado do mês (de 31 de agosto a 30 de setembro), os levantamentos do Cepea mostram que, no mercado de lotes, as quedas nos preços foram de 7,5% no Rio Grande do Sul, de 2,4% em Santa Catarina e de 0,5% no Paraná, mas avançaram 2% em São Paulo. No mesmo período, os valores do grão no mercado de balcão (valor pago ao produtor) avançaram 8,4% no estado paranaense, 3,3% no catarinense e 2,5% no estado sul-rio-grandense.

No geral, muitos produtores paranaenses estiveram afastados do mercado, atentos ao baixo volume de chuvas, que deve prejudicar a qualidade do cereal e reduzir a oferta frente ao estimado anteriormente. Assim, foram poucas as negociações observadas, sendo algumas mais concentradas no norte do Paraná. Agentes de cooperativas, inclusive, trabalharam com preços mais altos, no intuito de atrair produtores – os reajustes foram repassados também ao mercado de lotes.

Conforme o Deral/Seab, a colheita no Paraná havia atingido 63% da área prevista até o dia 28 de setembro e a comercialização, envolvido 29,2% do volume, contra 16% no mês anterior (até o dia 23 de setembro).

Apesar da preocupação dos produtores quanto à qualidade de suas lavouras, o relatório divulgado pela Conab em setembro indica que as estimativas otimistas para o trigo. Segundo a Companhia, a área de trigo em 2020 deve crescer 14,1%, somando 2,33 milhões de hectares, com previsão de oferta de 6,8 milhões de toneladas, 32,5% acima da de 2019.

Enquanto isso, na Argentina, segundo a Bolsa de Cereais, algumas regiões foram prejudicadas por escassez de chuvas em setembro. A safra 2020/21, com previsão de colheita em dezembro, foi projetada em 17,5 milhões de toneladas, contra 18,8 milhões de toneladas em 2019/20.

Importações – De acordo com os dados preliminares da Secex, nos primeiros 21 dias úteis de setembro, foram importadas 470,1 mil toneladas de trigo, contra 492,6 mil toneladas em setembro/19. Em relação ao preço de importação, a média de setembro/20 esteve em US$ 221,00/t FOB origem, 5% abaixo da registrada no mesmo mês de 2019 (de US$ 232,70/t).

Derivados – De agosto para setembro, os negócios envolvendo farinhas estiveram pontuais, com muitos agentes consultados pelo Cepea aguardando a entrada da safra para renovar os estoques. Contudo, os preços da maioria das farinhas se enfraqueceram, pressionados por demandantes. Já para os farelos, a demanda aquecida manteve os valores em alta.

As farinhas destinadas à bolacha doce, massas frescas, massas em geral, prémistura e integral se desvalorizaram 2,4%, 2,2%, 2%, 1,7% e 1,4%, respectivamente. Por outro lado, as farinhas para bolacha salgada e panificação se valorizaram 1% e 0,5%, respectivamente. Para os farelos, as elevações nos preços foram de expressivos 7% para o ensacado e de 6,5% para o a granel.

Preços internacionais – Considerando-se as médias de agosto e setembro, o primeiro vencimento do trigo Soft Red Winter, negociado na CME Group (Bolsa de Chicago), se valorizou 6,7%, a US$ 5,4862/bushel (US$ 201,58/t). Para a Bolsa de Kansas, o primeiro vencimento do trigo Hard Red Winter avançou 10,7%, a US$ 4,8113/bushel (US$ 176,79/t).

Conforme o relatório do USDA, a projeção para a produção mundial em 2020/21 avançou 0,6% em relação ao relatório do mês anterior, a 770,49 milhões de toneladas, 0,8% maior que a da safra 2019/20 (764,025 milhões de toneladas). O aumento se deve às maiores safras no Canadá, Austrália e União Europeia, compensando a menor safra na Argentina. Quanto ao consumo, registrou-se ligeiro aumento de 0,1%, a 750,902 milhões de toneladas frente ao relatório anterior, e de 0,4% em comparação com a última safra. Para os estoques mundiais, houve avanço de 0,8% frente ao relatório de agosto, somando 319,367 milhões de toneladas, e a relação estoque/consumo deve ser de 42,5%.

Fonte: Cepea

Texto originalmente publicado em:
Cepea
Autor: Cepea/Esalq

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