Recentemente o MAPA divulgou uma portaria com 40 pragas eleitas como prioridades para registro e alteração de registro de agrotóxicos em 2019, e a ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi) ocupa uma das posições de destaque na cultura da soja. Para acessar a portaria clique aqui.

A ferrugem-asiática da soja foi identificada pela primeira vez no Brasil em 2001, e a partir de então é monitorada e pesquisada por vários centros públicos e privados. Segundo o Consórcio Antiferrugem, essa doença, considerada a principal na cultura da soja, possui um custo médio de US$ 2,8 bilhões por safra no Brasil.

A doença é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi e atualmente é considerada uma das doenças que mais têm preocupado os produtores de soja no país. O seu principal dano é a desfolha precoce, impedindo a completa formação dos grãos, com consequente redução da produtividade.

No Brasil, é uma constante em todas as safras, estando presente ano após ano depois do seu surgimento, diferentemente dos EUA, por exemplo, que em razão do inverno rigoroso que reduz o inoculo do fungo no período entre as safras, na maioria dos anos, nem apresenta relatos da doença.

Atualmente, diferentes medidas vêm sendo adotadas para manejar essa doença entre os produtores, uma vez que o fungo vem se adaptando cada vez mais aos principais modos de ação de fungicidas disponíveis no mercado, o que torna o manejo químico uma das alternativas de controle da doença, porém, não a única.



Saiba mais sobre a doença

O fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem asiática, é disperso pelo vento. Assim, a doença não encontra barreiras que impeçam a sua disseminação. Tudo que necessita para se estabelecer são plantas suscetíveis, ambiente favorável e esporos (uredospóros), que seguem a direção do vento. Em todas as ocorrências se caracteriza pela grande agressividade e pela ampla capacidade de adaptação.

O fungo também é altamente dependente das condições meteorológicas. As variáveis mais relevantes nos processos de infecção e desenvolvimento do fungo em cultivos de soja são:

  • Presença do inoculo;
  • Duração do período de molhamento foliar;
  • Temperatura próxima aos 24 0C;
  • Alta umidade relativa do ar.

Em trabalho realizado por Godoy et al., (2012), o regime de temperatura mais favorável para o desenvolvimento da ferrugem-asiática foi de 28oC/ 20oC (média 24oC), sendo que em temperaturas acima de 32° a doença não se desenvolveu.

Figura 1: Severidade (%) da ferrugem-asiática, aos 16 dias após a inoculação, nos regimes de temperatura 28oC/ 20oC, 30oC/ 22oC e 32oC/ 24oC.

Fonte: Godoy et al., (2012).


Você sabe como identificar a ferrugem no campo?

Os primeiros sintomas são encontrados nas folhas inferiores da planta, sendo minúsculos pontos de coloração esverdeada a cinza esverdeada que variam de 1 a 2 mm de diâmetro e são mais escuros que o tecido sadio da folha. As lesões no início da infestação não são identificadas facilmente e para melhor visualização destas nesse estágio, é importante analisar uma folha com suspeita através do limbo foliar pela face superior da folha (adaxial) diante de um fundo claro (Embrapa, 2015).

 Após localizado o ponto suspeito, deve-se observar o ponto escuro pela face inferior (abaxial) da folha, com o auxílio de uma lupa de 10x a 30x de aumento, ou microscópio estereoscópico e identificar a presença de urédias. As urédias são caracterizadas por pequenas protuberâncias na face abaxial da folha e são estruturas reprodutivas do fungo, sendo responsáveis pela formação e disseminação dos esporos do patógeno. Á medida que os tecidos infectados morrem, as manchas aumentam de tamanho, podendo chegar a 4 mm e adquirem a cor castanho avermelhada (Embrapa, 2015).

Para melhor identificação das urédias à campo e a olho nu, deve-se fazer com que a luz incida com inclinação sobre a face abaxial da folha, fazendo assim com que ocorra a projeção de sombras das urédias. Posteriormente, as estruturas reprodutivas do fungo (urédias) adquirem cor castanho clara a castanho escura, e expelem os uredospóros. Estes de coloração hialina (cristalina), ficam beges e se alojam ao redor dos poros ou são translocados pelo vento (Castillo, 2018).

Danos

Sabe-se que o patógeno é favorecido por chuvas bem distribuídas e longos períodos de alta umidade. A temperatura considerada ótima para seu desenvolvimento varia de 18 a 28°C e sob essas condições as perdas na produtividade podem variar de 10 a 90%, a depender do estágio de infecção e da taxa de progresso da doença.

A ferrugem ocasiona a queda prematura das folhas que acaba prejudicando a plena formação dos grãos. Quanto mais cedo ocorrer a desfolha, menor será o tamanho dos grãos e, consequentemente, maior a perda de rendimento e de qualidade (sementes verdes). Em casos severos, quando a doença atinge a soja na fase de formação das vagens ou início da granação, pode causar o aborto e a queda das vagens.

Figura 2: Caso severo de ferrugem asiática em soja, onde pode-se observar a morte total das folhas antes do enchimento de grãos.

 

Manejo e controle da doença

Atualmente, os fungicidas sítio específicos utilizados no controle da ferrugem pertencem a três grupos distintos: os chamados triazóis, as estrobilurinas e as carboxamidas.

Desde a safra 2007/08 vem sendo observada, apesar da contribuição dos fungicidas, uma redução da eficiência desses produtos vem sendo observada desde a safra 2007/08 em função da adaptação do fungo. E, por isso, Desde 2008, produtos isolados não são recomendados em decorrência da menor eficiência, sendo recomendados somente misturas comerciais de fungicidas com diferentes mecanismos de ação.

Na safra 2007/08 foi detectada menor sensibilidade do fungo causador da ferrugem-asiática aos “triazóis”. Na safra 2013/14, foi observada a redução de eficiência das estrobilurinas. Nessa mesma safra foram registradas as primeiras misturas de fungicidas estrobilurinas e carboxamidas para a cultura da soja. Na safra 2016/17, alguns fungicidas com carboxamidas apresentaram redução de eficiência nos ensaios cooperativos, em relação aos resultados da safra anterior, em regiões específicas.

Nos gráficos abaixo, elaborados a partir dos resultados da Rede de Ensaios Cooperativos – Consórcio Antiferrugem, pode-se observar o desempenho dos produtos para controle da ferrugem-asiática, ao longo das safras.

Gráfico 1: Porcentagem de controle da ferrugem-asiática da soja com fungicidas a base de tebuconazol (TBZ), ciproconazol (CPZ) e azoxistrobina (AZ), avaliados no período de 2003 a 2018.

Fonte: Embrapa.

Gráfico 2: Porcentagem de controle da ferrugem-asiática da soja com fungicidas a base de IQe (“estrobilurinas”) em mistura com IDM (“triazóis”), no período de 2008 a 2018.

Fonte: Embrapa.

Gráfico 3: Porcentagem de controle de ferrugem-asiática da soja com fungicidas a base de IQe (“estrobilurinas”) em mistura com ISDH (“carboxamidas”); misturas de IQe, ISDH e IDM (“triazóis”); e mistura de ISDH e IDM, no período de 2011 a 2018.

Fonte: Embrapa.

Veja o trabalho completo clicando aqui.

Baseado nisso, as estratégias de manejo da doença que podem ser adotadas são:

  • Fazer o vazio sanitário, com ausência de plantas de soja na entressafra;
  • Utilização de cultivares precoces;
  • Semeadura no início da época recomendada;
  • Uso de cultivares com gene(s) de resistência;
  • Uso de fungicidas no aparecimento dos sintomas ou preventivamente.

Veja também: Ferrugem-asiática da SOJA: sem PERDER o CONTROLE

Teremos novos materiais para a ferrugem-asiática?

Elaboração: Andréia Procedi- Equipe Mais Soja.

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