O Brasil tem apresentado um grande destaque na produção de grãos a cada ano, que pode ser observado pelo aumento da produtividade das culturas ao longo dos últimos 10 anos. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB, da safra 2006/2007 para a safra 2016/2017, o país apresentou um incremento de 50 milhões de toneladas de grãos produzidos (CONAB 2017).

A grande evolução ocorrida na agricultura brasileira nos últimos anos foi devido ao desenvolvimento de novas cultivares, melhoria no manejo da fertilidade do solo, bem como manejo de pragas, doenças e plantas daninhas, além da adoção do sistema de semeadura direta (SSD) em larga escala no País. Nos solos com adoção do SSD, houve melhorias na suas qualidades física, química e biológica. No entanto, atualmente tem crescido relatos de aumento de problemas de compactação de alguns solos, devido à utilização de equipamentos cada vez mais robustos e pesados.



Em algumas regiões, como no Centro-Oeste do país, tem sido observado o cultivo de até três safras por ano em algumas glebas, quando se cultiva milho no verão semeado mais cedo, seguido de feijão de segunda safra, com uma terceira cultura de trigo e/ou aveia, depois da colheita do feijão. Em outras glebas, tem sido comum o cultivo de soja verão, seguido de milho ou trigo na segunda safra.

O aumento do número de cultivos por ano, eleva o tráfego de máquinas pesadas nas áreas, o que pode proporcionar o surgimento de solos com uma camada mais compactada. Sabe-se que a camada compactada apresenta alteração no balanço de macro e microporos, e consequentemente da disponibilidade de água e oxigênio no solo, apresentando menor volume de solo explorado pelas raízes e formação de gradiente vertical de fertilidade (VALADÃO et al., 2014).

Os equipamentos citados na literatura para o rompimento das camadas compactadas são os escarificadores (BELLÉ et al., 2014, GIRARDELLO et al., 2014) e subsoladores (SEKI et al., 2015). Nem sempre a camada compactada está na profundidade que o escarificador trabalha. Assim, a utilização de subsolador para trabalhar em maiores profundidades deve ser avaliada, uma vez que tem sido utilizados subsoladores com haste capazes de subsolar a profundidade de até 0,60 m. Deve ser ressaltado que há grande gasto de energia nessa operação, além do fato de a camada compactada ser normalmente observada entre 0,20 e 0,40 m (SALVADOR et al., 2008).



Atualmente com o intuito de romper a camada compactada e proporcionar a correção do solo no perfil, algumas empresas de implementos agrícolas vêm lançando subsoladores robustos, com caixa para depósito de calcário. Elas tem como objetivos possibilitar o rompimento de camadas compactadas e permitir a aplicação localizada de calcário em profundidade. Por outro lado, em solos sob SSD estabilizados, não é desejável a incorporação de calcário, sendo a correção da acidez realizada com aplicação de calcário em superfície (CAIRES, 2013).

Embora ainda não existam resultados científicos que respaldem a utilização de tais equipamentos nas diversas condições brasileiras, os mesmos vem sendo utilizados por alguns produtores. Dessa forma, há necessidade de entender melhor a eficiência desses equipamentos a fim de subsidiar a pesquisa e sua adoção ou não pelos produtores brasileiros.

Em trabalho apresentado e publicado nos anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja, número 65, página 223 da sessão de Fisiologia Vegetal, Agrometeorologia e Práticas Culturais, realizado em Goiânia no ano passado, os autores MOREIRA, S.G.; SILVA, A.A.P.; SILVA, M.B; MACEDO, M.J; MORAES, F.A. e PEIXOTO, D.S. da Universidade Federal de Lavras – MG, avaliaram o efeito do uso de subsolador/escarificador na descompactação do solo e o efeito do uso do subsolador fertilizador, na produtividade de culturas anuais sob SSD.



O estudo foi realizado no município de Nazareno, MG e o experimento foi instalado em um Latossolo Vermelho Amarelo argiloso, cultivado em SSD há cerca de 10 anos. Na safra de verão de 2015/2016 foi cultivado soja cv. VTOP convencional. Na segunda Safra de 2016 foi realizado o cultivo do trigo e na safra de verão de 2016/2017 foi cultivado milho DKB230 PRO3.

Os tratamentos foram constituídos de:

  • T1 – Controle sem subsolagem;
  • T2 – Controle sem subsolagem com Brachiaria ruziziensis como planta de cobertura;
  • T3 – Controle sem subsolagem e com aplicação de 3,6 t de gesso;
  • T4 – Subsolagem profunda a 60 cm a cada dois anos;
  • T5 – Subsolagem profunda a 60 cm a cada três anos;
  • T6 – Subsolagem profunda a 60 cm, aplicação de óxido de cálcio e magnésio com dose de 1440 kg.ha-1, a cada três anos;
  • T7 – Escarificação a 25 cm;
  • T8 – Subsolagem a 60 cm de profundidade anterior à aplicação de calcário em superfície, dose de 1440 kg.ha-1.

Os autores avaliaram a produtividade das culturas durante as três safras. De forma geral, a soja cultivada em todos os locais subsolados apresentaram maior produtividade do que a soja dos locais só com escarificação da camada superficial.

Observou-se também um ganho de cerca de 600 kg ha-1 na produtividade de soja com a utilização de todos os subsoladores (Tabela 1). Apenas a escarificação da camada superficial do solo não foi suficiente para romper as camadas compactadas do solo e aumentar a produtividade da soja.

Acredita-se que nesse primeiro ano de cultivo todas as parcelas com uso de subsolagem profunda possibilitaram melhoria na qualidade física do solo e aumentaram a produtividade da soja. Isso porque logo após a colheita da soja Silva et al. (2016) observaram menor resistência à penetração das raízes (RP) nas parcelas subsoladas.

Nos tratamentos com subsolagem profunda, notou-se redução da resistência à penetração (RP) até 25 cm (Figura 1). Essa menor RP deve ter contribuído para melhorar as condições físicas para o estabelecimento do sistema radicular em relação aos tratamentos dos locais sem subsolagem. Por outro lado, tanto as culturas do trigo como a de milho não tiveram suas produtividades afetadas pelos tratamentos.

Os resultados obtidos pelos autores podem ser observados abaixo:

Fonte: MOREIRA, S.G.; SILVA, A.A.P.; SILVA, M.B; MACEDO, M.J; MORAES, F.A. e PEIXOTO, D.S. (2018).
Fonte: MOREIRA, S.G.; SILVA, A.A.P.; SILVA, M.B; MACEDO, M.J; MORAES, F.A. e PEIXOTO, D.S. (2018).

O trabalho pode ser acessado nos anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja, número 65, página 223 da sessão de Fisiologia Vegetal, Agrometeorologia e Práticas Culturais.

Referências

CAIRES, E. F. Correção da acidez do solo em sistema de plantio direto. Informações Agronômicas,IPNI,Piracicaba, SP, n.141, p.1-13 2013.

CONAB–Companhia Nacional de Abastecimento. Disponível em: <http://www.conab.gov.br/OlalaCMS/uploads/arquivos/17_09_12_10_14_36_boletim _graos_setembro_2017.pdf> Acesso em 23 de Outubro de 2017.

BELLÉ, M. P., ALONÇO, A. S., FRANCETTO, T. R., ROSSATO, F. P., FRANCK, C. J., CARPES, D. P. Demanda energética e mobilização do solo com o uso de escarificadores em sistemas de semeadura direta. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v.18, n.5, p.551-558, 2014.

GIRARDELLO, V. C., AMADO, T. J., SANTI, A. L., CHERUBIN, M. R., KUNZ, J., TEIXEIRA, T. G. Resistência à penetração, eficiência de escarificadores mecânicos e produtividade da soja em latossolo argiloso manejado sob plantio direto de longa duração. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v.38, p.1234-1244, 2014.

SALVADOR, N., BENEZ, S. H., & MION, R. L. Consumo de combustível na operação de subsolagem realizada antes e depois de diferentes sistemas de preparo periódico do solo. Engenharia Agrícola, v.28, n.2, 256-262, 2008.

SEKI, A. S., GONÇALVES SEKI, F., JASPER, S. P., SILVA, P. R., BENEZ, S. H.. Efeitos de práticas de descompactação do solo em área sob sistema de plantio direto. Revista Ciência Agronômica, v.46, n.3, p.460-468, 2015.

SILVA, B. M; MELO, M. L. A; MOTA, P.K; GUIMARÃES, E.V; MOREIRA, S.G. Resistência à penetração em latossolo sob plantio direto após diferentes métodos de descompactação.XX Reunião Brasileira de Manejo e Conservação do Solo e da Água, p.914-916, 2016.

VALADÃO, F. C., WEBER, O. L., JÚNIOR, D. D., SCAPINELLI, A., DEINA, F. R., BIANCHINI, A. Adubação fosfatada e compactação do solo: sistema radicular da soja e do milho e atributos físicos do solo. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v.39, p.243-255, 2014.


Veja também:    Uso de diferentes plantas de cobertura como alternativa na descompactação do solo e melhoria no rendimento de milho.


Elaboração: Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

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