A soja chegou à safra 2016/17 com uma produção de 114.075,3 mil toneladas em uma área de 33.909,4 mil hectares (ha) resultando em uma produtividade média de 56 sacas ha-1 no Brasil (CONAB, 2017). No entanto, esta produtividade ainda poderia aumentar significativamente se considerarmos o potencial genético da cultura da soja.

No mercado há uma gama de tecnologias usadas para alcançar a alta produtividade na soja (Pontes Júnior, 2012). Nestes casos, o principal foco é estimular os componentes de produção da soja para que se expressem ao máximo possível. Uma destas tecnologias é o uso de herbicidas para cessar o crescimento em altura da planta e induzir a formação das ramificações laterais. Isso proporciona maior formação de nós reprodutivos, possibilitando maior número de flores e vagens por planta (Foloni et al., 2016).



O maior problema ao usar herbicidas é a injúria que estes causam às plantas. Normalmente, após a aplicação destes produtos há aumento no teor das espécies reativas de oxigênio (ERO) que são tóxicas às plantas. Esses efeitos ficam ainda mais severos quando as plantas passam por outras situações de estresse não previstas, como os veranicos (Parsons, 2003).

Em trabalho apresentado e publicado nos anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja, número 98, página 323 da sessão de Fisiologia Vegetal, Agrometeorologia e Práticas Culturais, realizado em Goiânia no ano passado, os autores CABRAL, E.M.A.; DOURADO NETO, D.; SOARES, L.H.; FAGAN, E.B.; SANTOS, L.L.S.; PEREIRA, I.S.; TEIXEIRA, W.F. e MACHADO, L.L.C. avaliaram o dano oxidativo gerado em plantas de soja submetidas à aplicação de herbicidas utilizados como reguladores de crescimento, bem como a produtividade da cultura submetida à aplicação desses herbicidas.

O experimento foi conduzido na área experimental da Cooperativa Agropecuária do Alto Paranaíba (COOPADAP) localizada em Rio Paranaíba, MG, de outubro de 2017 a março de 2018 sob pivô central. Foram utilizados os seguintes tratamentos: 1) Controle; 2) Imazetapir (Pivot®); 3) Lactofen (Naja®); 4) Clorimuron (Classic®) e 2,4-D (Nortox®) nas doses de zero, 300, 300, 35 e 35 mL ha-1, respectivamente.



A variedade cultivada utilizada foi NA 5909 RG semeada a uma população de 400 mil plantas ha-1. Cada parcela continha cinco linhas de seis metros e a área útil de cada parcela fora as três linhas centrais e 4 metros centrais. As aplicações dos tratamentos foram feitas no estádio V4 da cultura.

Os resultados obtidos pelos autores podem ser observados abaixo:

Figura 1. Atividade da SOD em folhas de soja no ensaio intitulado “Uso de reguladores de crescimento em soja estressada por herbicida”. NS 5909 RG. Safra 2017/18.

Fonte: CABRAL, E.M.A.; DOURADO NETO, D.; SOARES, L.H.; FAGAN, E.B.; SANTOS, L.L.S.; PEREIRA, I.S.; TEIXEIRA, W.F. e MACHADO, L.L.C. (2018).

Figura 2. Teores de PL em folhas de soja no ensaio intitulado “Uso de reguladores de crescimento em soja estressada por herbicida”. NS 5909 RG. Safra 2017/18.

Fonte: CABRAL, E.M.A.; DOURADO NETO, D.; SOARES, L.H.; FAGAN, E.B.; SANTOS, L.L.S.; PEREIRA, I.S.; TEIXEIRA, W.F. e MACHADO, L.L.C. (2018).

Figura 3. Produtividade do ensaio intitulado “Uso de reguladores de crescimento em soja estressada por herbicida”. NS 5909 RG. Safra 2017/18.

Fonte: CABRAL, E.M.A.; DOURADO NETO, D.; SOARES, L.H.; FAGAN, E.B.; SANTOS, L.L.S.; PEREIRA, I.S.; TEIXEIRA, W.F. e MACHADO, L.L.C. (2018).

Os resultados obtidos mostraram que a aplicação dos tratamentos aumentou a atividade da SOD, enzima responsável por atuar na defesa da planta na presença de ERO degradando o radical superóxido em peroxido de hidrogênio e oxigênio, conforme a Figura 1. A peroxidação lipídica nas folhas por sua vez foi inferior para todos os tratamentos quando comparado ao controle (Figura 2).

No caso da produtividade, estatisticamente não houve diferença entre os tratamentos, no entanto, a aplicação de 2,4-D resultou em um incremento de 1,19 sacas a mais que o controle. Supostamente o herbicida exerceu um efeito hormonal na planta uma vez que é um produto mimetizador de auxina, hormônio responsável pelo crescimento vegetal. Dessa forma, os resultados mostram que a utilização de herbicidas para regular o crescimento da soja pode resultar em incrementos na produtividade.

Referências

BEAUCHAMP C. O., FRIDOVICH I. Superoxide dismutase: improved assays and an assay applicable to acrylamide gels. Analytical Biochemistry, New York, v.44, p.276-287. 1971.

CONAB – Companhia Nacional do Abastecimento. Acompanhamento da safra brasileira: Grãos. Brasília, 2017. 161 p. Disponível em: <http://www.conab.gov.br/OlalaCMS/uploads/arquivos/17_06_08_09_02_48_boletim_graos_jun ho_2017.pdf>. Acesso em: 03 jun. 2017.

 FOLONI, J.S.S.; HENNING, F.A.; MERTZ-HENNING, L.M.; PIPOLO, A.E.; MELO, C.L.P. Lactofen e etefon como reguladores de crescimento de cultivares de soja. XXXV Reunião de Pesquisa de Soja, Londrina, p.42-45. 2016.

 PARSONS, P.A. Metabolic efficiency in response to environmental agents predicts hormesis and invalidates the linear no-threshold premise: ionizing radiation as a case study. Critical Reviews in Toxicology, v.33, n.3-4, p.443-449, jan. 2003.

RAMA DEVI, S.; PRASAD, M.N.V. Copper toxicity in Ceratophyllum demersum L. (Coontail), a free floating macrophyte: response of antioxidant enzymes and antioxidants. Plant Science, Amsterdam, v.138, p.157-165, 1998.

O trabalho pode ser acessado nos anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja, número 98, página 323 da sessão de Fisiologia Vegetal, Agrometeorologia e Práticas Culturais.


Veja também:

Desempenho e produtividade da cultura da soja mediante a aplicação de biorreguladores


Elaboração: Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

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