InícioDestaqueQuais os benefícios que o Azospirillum proporciona para a soja?

Quais os benefícios que o Azospirillum proporciona para a soja?

A cultura da soja pode ser considerada exigente nutricionalmente, sendo que em média, são necessários cerca de 80 Kg de Nitrogênio, por tonelada de grãos produzidos (Embrapa Soja, 2008). Felizmente, conforme destacado por Gitti (2016), todo o nitrogênio necessário para boas produtividades de soja é fornecido a cultura via Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN), que consiste na simbiose entre plantas de soja e bactérias fixadoras de nitrogênio, normalmente do gênero Bradyrhizobium.

Para aumentar os níveis populacionais dessas bactérias no solo, a inoculação das sementes de soja ou pulverização de inoculantes no sulco de semeadura são algumas das metodologias mais empregadas para potencializar a FBN, entretanto, não só o Bradyrhizobium traz efeitos benéficos a soja, outro gênero de bactérias contribui significativamente para a produtividade da cultura.  Utilizadas em forma de coinoculação, as bactérias do gênero Azospirillum tem se mostrado cada vez mais atrativas para a cultura da soja, mas você sabe quais os benefícios em utilizar esse grupo de bactérias?

Embora possam fixar nitrogênio atmosférico, ao contrário das bactérias do gênero Bradyrhizobium que são simbióticas, as bactérias do gênero Azospirillum são associativas, logo, além de uma modelada capacidade em fixar nitrogênio, excretam somente uma parte do N fixado diretamente para a planta associada; sendo assim, suprem apenas parcialmente a demanda de nitrogênio da soja.  Posteriormente, a mineralização das bactérias pode contribuir com aportes adicionais de nitrogênio para as plantas (Hungria, 2011).



Contudo, as bactérias do gênero Azospirillum se destacam por sua ação promotora do crescimento vegetal. O principal processo microbiano pelo qual elas beneficiam as plantas consiste na síntese de fitormônios que promovem o crescimento vegetal, principalmente o sistema radicular. Esse processo favorece, inclusive, a nodulação e a FBN realizada por Bradyrhizobium pela ampliação do sistema radicular, além de aumentar o volume de solo explorado, favorecendo a absorção de água e nutrientes, incluindo maior aproveitamento dos fertilizantes químicos (Prando et al., 2022).

Isso tudo reflete no aumento de produtividade da soja, que conforme observado por Gitti (2016), é superior em plantas de soja coinoculadas (Bradyrhizobium + Azospirillum) em comparação a plantas de soja somente inoculadas (Bradyrhizobium).

Tabela 1. Produtividade da soja (sc/ha) em 2015 e 2016 obtidas em tratamentos sem a inoculação de sementes, inoculação (Bradyrhizobium) e coinoculação (Bradyrhizobium + Azospirillum brasilense). Fundação MS, Maracaju, MS, 2016.

Médias seguidas por letras distintas, minúsculas nas colunas, diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Adaptado: Gitti (2016)

De modo geral, pode-se dizer que as plantas de soja coinoculadas com Bradyrhizobium e Azospirillum apresentam uma nodulação mais abundante e precoce, com ganho médio de produtividade de 16%, que é o dobro do proporcionado pela inoculação anual apenas com Bradyrhizobium (Prando et al., 2020). Logo, as bactérias do gênero Azospirillum contribuem significativamente para o aumento da produtividade da soja, especialmente quando associadas às bactérias do gênero Bradyrhizobium na coinoculação da soja.


Veja mais: Azospirillum brasilense em milho?



Referências:

EMBRAPA SOJA. TECNOLOGIAS DE PRODUÇÃO DE SOJA – REGIÃO CENTRAL DO BRASIL 2009 E 2010. Embrapa Soja, Sistemas de Produção, 13, 2008. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/471536/1/Tecnol2009.pdf >, acesso em: 03/10/2022.

GITTI, D. C. et al. INOCULAÇÃO E COINOCULAÇÃO NA CULTURA DA SOJA. Fundação MS, Tecnologia e Produção: Soja safra 2015/2016, 2016. Disponível em: < https://www.fundacaoms.org.br/wp-content/uploads/2021/02/Tecnologia-e-Producao-Soja-20152016.pdf >, acesso em: 03/10/2022.

HUNGRIA, M. INOCULAÇÃO COM Azospirillum brasilense: INOVAÇÃO EM RENDIMENTO A BAIXO CUSTO. Embrapa, Documentos, n. 325, 2011. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/29560/1/DOC325.2011.pdf >, acesso em: 03/10/2022.

PRANDO, A. M. et al. COINOCULAÇÃO DA SOJA COM Bradyrhizobium e Azospirillum NA SAFRA 2020/2021 NO PARANÁ. Embrapa, Circular Técnica, n. 181, 2022. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/doc/1144304/1/CIRCULAR-TECNICA-181-online.pdf >, acesso em: 03/10/2022.

PRANDO, A. M. et al. COINOCULAÇÃO DA SOJA COM Bradyrhizobium E Azospirillum NA SAFRA 2019/2020 NO PARANÁ. Embrapa, Circular Técnica, n. 166, 2020. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/220542/1/CIrc-Tec-166.pdf >, acesso em: 03/10/2022.

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Equipe Mais Soja
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