A semeadura de trigo iniciou de forma incipiente no Rio Grande do Sul, acompanhando a abertura do Zoneamento Agrícola para os principais materiais utilizados no Estado. As condições de tempo seco favoreceram as operações de manejo de resteva, dessecação e implantação das primeiras áreas.
Apesar do início do plantio, o cenário para a próxima safra segue marcado por elevada cautela dos produtores como reflexo da combinação de custos de produção elevados, maior restrição ao crédito rural, limitações na cobertura securitária e perspectiva de maior risco climático em função da possível atuação de El Niño durante o inverno e a primavera.
Observa-se tendência de redução da área cultivada, associada tanto à menor expectativa de rentabilidade quanto à substituição do trigo por outras alternativas de inverno, como canola, plantas de cobertura e sistemas com milho do cedo seguido de soja safrinha.
Também há indicativos de redução no nível tecnológico empregado, como aumento do uso de sementes próprias e menor demanda por sementes fiscalizadas. A estimativa de área a ser cultivada na Safra 2026 está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Na Safra 2025, o Rio Grande do Sul cultivou 1.166.163 hectares de trigo, com produtividade média de 2.968 kg/ha e produção de 3.458.083 toneladas, conforme o IBGE.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, o tempo seco, observado no período, e a abertura da janela de semeadura do Zoneamento Agrícola para os principais materiais utilizados na região, condicionou o início da implantação das lavouras. Em São Borja, o elevado volume de chuvas ocorrido em abril dificultou a antecipação da semeadura, estratégia adotada em safras anteriores para reduzir riscos associados às precipitações da primavera.
Na de Ijuí, prosseguiram os manejos de plantas espontâneas para a implantação da cultura. A área a ser cultivada continua indefinida em razão do elevado custo de produção, da baixa perspectiva de rentabilidade e das previsões de maior volume de chuvas durante o
inverno e a primavera. A demanda por sementes fiscalizadas segue reduzida, e as cooperativas e empresas sementeiras mantêm elevado volume de estoque. Em contrapartida, observa-se uso expressivo de sementes salvas nas propriedades. As plantas de cobertura de solo apresentam bom desenvolvimento, especialmente nabo-forrageiro.
Na de Santa Rosa, a semeadura está em estágio inicial, abrangendo aproximadamente 1% da área projetada. As primeiras áreas foram implantadas principalmente por agricultores menos dependentes de financiamento e em locais com menor risco de geadas. Há projeção
de redução de cerca de 20% na área cultivada em relação a 2025, motivada pela substituição do trigo por canola, aveia-branca, mix de plantas de cobertura e sistemas com milho precoce seguido de soja safrinha. Entre os produtores que manterão o cultivo observa-se tendência de redução no nível tecnológico, como predominância de sementes próprias e menor investimento na condução das lavouras.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, aumentou 0,94%, passando de R$ 63,09 para R$ 63,68.
Fonte: Emater/RS




