Nesta terça-feira, 18 de junho, a Embrapa Clima Temperado (Pelotas,RS) em parceria com diversas empresas, dedicou um dia inteiro para promover o II Seminário Técnico da Soja em Terras Baixas com a presença de um público que ultrapassou a expectativa dos organizadores do evento. Mais de 150 pessoas participaram nesta edição, que tratou do Rumo à Consolidação do Sistema de Produção, tendo como objetivos da programação, exclusiva de palestras técnicas, de mostrar um pouco dos resultados alcançados no projeto de pesquisa Viabilização da Cultura da Soja no Agroecossistema de Terras Baixas do Rio Grande do Sul.

O coordenador do evento, pesquisador Germani Cocenço, falou que o II Seminário Técnico buscou a interação entre o produtor e os pesquisadores de maneira a divulgar os bons resultados em condições experimentais, permitindo que sejam replicados para este público. Os destaques nesta edição foram direcionados ao manejo de solo, manejo de fertilidade e como lidar com o excesso hídrico nas lavouras.

Quanto ao público o pesquisador se referiu: “A receptividade do público é por que são rizosojicultores. A soja está entrando em áreas de arroz, quem planta agora soja em Terras Baixas são produtores de arroz. As duas culturas possuem diferenças, e eles vem à procura de experiências para trabalhar com a cultura”.

A manhã foi aberta com a palestra técnica sobre Manejo de plantas daninhas em Soja em Terras Baixas, o pesquisador André Andres apresentou resultados realizados com o uso da rotação de culturas para controlar plantas daninhas; apresentou também estudos de identificação de espécies daninhas e seu controle assim como o monitoramento da resistência de daninhas a herbicidas. “Mostrando uma parte de controle químico, aonde tivemos um projeto de quatro anos que nos indicou resultados como o uso de doses excessivas de químicos e em horários inadequados”, explicou Andres.

A outra parte de sua fala foi voltada para não dependência de insumos externos, que são as apostas de controle de plantas daninhas em arroz irrigado, soja e pastagens. “Quando as plantas daninhas encontram resistência a químicos, os produtores buscam outros mais potentes, e isso, aumento quase cinco vezes mais o custo de produção”, observou Andres, explicando da importância de corrigir o manejo, praticando a rotação de culturas, as quais freiam a entrada ou  minimizam a presença de plantas daninhas nas lavouras.

A palestra da pesquisadora Walkyria Scivittaro foi sobre o Manejo da Fertilidade do Solo para Sistemas de Produção de Arroz Irrigado/Soja. Ela falou sobre a importâcia da fertilidade como um dos componentes fundamentais na produção. “A planta quase sempre responde à adubação, mas se não tivermos outros fatores de produção controlados, daí ela não consegue responder. Tem que ir melhorando o sistema como um todo e o produtor rural voltado à cultura do arroz precisa mudar seu pensamento de que o arroz responde pouco à adubação, pois as outras culturas como a soja e as forrageiras respondem muito mais”, ressaltou Scivittaro.



O pesquisador José Maria Barbat Parfitt mostrou resultados do trabalho com o uso de drenagem em lavouras de soja em terras baixas em consonância com a palestra do engenheiro agronomo Antoniony Winkler, da WR Assessoria Agrícola, que apresentou os resultados positivos em macrodrenagem  no cultivo da soja em terras baixas, utilizando geotecnologias.

Após a pausa para o almoço, as palestras tiveram sequência. A pesquisadora Lilia Heiffig Del Aguila apresentou os resultados dos experimentos sobre o Arranjo de Plantas de Soja em Terras Baixas. Os estudos mostram que a quantidade de plantas por hectare influencia na produção. “Indicamos que o melhor é usar populações maiores, em torno de 330 mil pés/hectares, embora muito se fale em redução da população e redução do espaçamento, mas em terras baixas isso não é o mais adequado”, explicou Lilia.

A pesquisadora Ana Paula Afonso trouxe um relato da Ocorrência de Insetos em Função do Manejo do Solo e da Fertilidade. A pesquisadora explica que a certificação das pragas que está atingindo a lavoura é importante para aplicar os inseticidas de forma eficaz. Ela também lembra que é importante preservar os inimigos naturais que se encontram na área, pois eles são responsáveis pela eliminação de 20% das pragas.

“Os inseticidas são responsáveis por 80% do controle das pragas, os outros 20% são controlados por inimigos naturais”, pontuou Afonso. Ao fim da palestra a pesquisadora deu dicas de como reconhecer qual o tipo de lagarta para fazer um controle mais eficaz.

Outro tema importante abordado na palestra foi a Fixação Biológica de Nitrogênio em Soja nas Terras Baixas. A pesquisadora Maria Laura Turino Mattos apresentou os benefícios da inoculação, uma prática eficaz para a fixação do nitrogênio que assim diminui o número de adubações durante a safra. Além disso, essa prática ajuda na formação de um sistema radicular mais resistente ás situações de estresse hídrico.

“Nós temos que abrir os olhos para enxergar esses inimigos invisíveis que junto com outros fatores vem diminuindo a produção de soja”, declarou o pesquisador Cesar Bauer Gomes ao explicar o tema A Ocorrência de Fitonematoídes em Ambiente de Terras Baixas. Entre os nematóides de maior ocorrência na região estão o Meloidogyne javanica e Pratylenchus brachyurus. O pesquisador disse que para fazer um controle eficaz é necessário combinar cultivares resistentes ou moderadamente resistentes, rotação de culturas, controle biológico e também o uso de tratamento de sementes, mas este isolado não tem grande resultados.



Além das pragas e dos nematóides também foi abordado o Manejo Integrado de Doenças em Terras Baixas, pelo pesquisador Cley Donizete Martins Nunes. Entre todas as doenças que podem atacar a soja, a ferrugem asiática foi a mais discutida. Nunes explicou que a maior quantidade de chuvas aumenta as chances de ferrugem, geralmente em uma soja plantada em novembro, a doença começa a aparecer no início do ano. “Quem planta mais tarde corre o risco de ter uma incidência maior, mas a incidência pode ser maior de um ano para outro”, analisou Nunes.

Para terminar o ciclo de palestras, a representante da Safras & Cifras, Suzel Rubin de Mello, falou sobre Gestão e Comportamento de Mercado da Soja. Abordou os custos de produção de uma lavoura de soja, o comportamento do mercado nos últimos anos. O objetivo da palestra foi apresentar a rotação de culturas como uma aliada ao rateio de custos de uma lavoura de arroz ou soja e, assim, aumentar a renda sem aumentar o valor gasto.

Participantes levam e trazem experiências 

Para o produtor Lazier Ricardo da Silva, de Cachoeira do Sul, o evento foi muito bom e trouxe muitos conhecimentos novos. “Vamos implementar nas nossas lavouras a subsolagem na várzea e também a inoculação das sementes, são duas idéias boas que vamos levar daqui”, citou Silva.

Já o consultor Fabrício Marques, da Empresa Pedra Moura, falou da importância da temática central do evento em abordar os sistemas de produção. “As nossas maiores dificuldades em outras safras era com recomendações de lavouras propriamente porque as propriedades justamente estavam com problemas em sistemas de produção”, contou Marques.

Ele relatou que o mais importante é adequar a propriedade antes do sistema de produção. Segundo Marques a soja é uma cultura de terras altas e as propriedades aqui na Metade Sul do Estado foram projetadas para a cultura de arroz, ou seja, com a presença de solos irrigados. “Por isso é tão importante corrigir a drenagem dos solos, já que a soja está num ambiente que não é natural para ela”, destaca Marques. Para ela, em sua experiência de assessoria técnica, a rotação de culturas é fundamental para dar sustentabilidade ao negócio e a pecuária para dar longevidade ao sistema.

Fonte: Embrapa

Texto originalmente publicado em:
Embrapa Clima Temperado
Autor: Cristiane Betemps - Embrapa Clima Temperado

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