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Soja Chicago: cotações seguem subindo

Chicago:

As cotações da soja, em Chicago, continuaram subindo nesta semana, apesar de os fundamentos deste mercado serem baixistas. A forte alta do trigo, acompanhada pelas altas do farelo em função das greves na Argentina, além dos problemas climáticos no sul do Brasil, momentaneamente, estão puxando as cotações para cima. Afora isso, estamos em pleno mercado do clima nos EUA, época em que normalmente ocorrem fortes especulações sobre a futura safra deste país.

Assim, o fechamento desta quinta-feira (23), para o primeiro mês cotado, ficou em US$ 12,39/bushel, contra US$ 12,16 uma semana antes. O mercado se mantém acima dos 12 dólares praticamente durante todo este mês de maio. Além disso, o farelo voltou a se aproximar dos US$ 380,00/tonelada curta, contra US$ 342,60 no primeiro dia do mês, enquanto o óleo chegou a ganhar 8,8% nos primeiros 13 dias úteis de maio.

Enquanto isso, até o dia 19/05 o plantio da soja nos EUA atingia a 52% da área esperada, contra a média de 49% para esta época do ano. Por sua vez, 26% das lavouras semeadas já haviam germinado, contra 21% na média.

Quanto aos embarques de soja, por parte dos EUA, os mesmos atingiram, na semana encerrada em 16 de maio, um total de 184.289 toneladas, ficando abaixo do esperado pelo mercado. Assim, o total já embarcado pelo país da América do Norte, no atual ano comercial, soma 39,7 milhões de toneladas, contra mais de 48 milhões no mesmo período do ano passado.

Brasil:

E no Brasil, com o empuxe de Chicago e um câmbio que voltou à casa dos R$ 5,15 por dólar, mais prêmios melhores, os preços da soja subiram um pouco. A média gaúcha fechou a semana em R$ 121,48/saco, enquanto as principais praças locais praticaram R$ 120,00, ou seja, dois reais acima do valor da semana anterior. Nas demais regiões brasileiras, os preços oscilaram entre R$ 113,00 e R$ 122,00/saco.

Importante se faz destacar que as altas em Chicago estão, também, ligadas à continuidade das greves nos portos, moageiras e outros setores da cadeia dos grãos na Argentina. Com isso, a oferta de farelo, no mercado mundial, fica pressionada já que o vizinho país é o maior exportador mundial deste derivado da soja. Muitos dos importadores de farelo e óleo estão vindo ao Brasil adquirir os produtos, fato que eleva os preços internos da soja e derivados, assim como os valores dos prêmios de exportação. Apenas na semana do 09 ao 15 de maio o óleo de soja, posto na região de São Paulo, com 12% de ICMS, subiu 4,3% atingindo a R$ 5.140,35/tonelada, enquanto o farelo subiu 3,1%. Assim, a margem de processamento subiu para 5,17% em uma semana (cf. Cepea).

E há ainda as incertezas de quanto realmente foram as perdas da soja no Rio Grande do Sul, devido às enchentes. Há perdas nas lavouras e nos silos inundados. Dito isso, a China confirmou que as importações de soja brasileira cresceram 11,7% em abril, com o país asiático importando 5,92 milhões de toneladas de soja brasileira no mês passado. Já as “chegadas de soja dos EUA em abril, o segundo maior fornecedor da China, aumentaram 44%, em comparação com o mesmo período do ano anterior, para 2,45 milhões de toneladas, mas o total de chegadas até agora, neste ano, continua menor.”. A China importou, em abril, um total de 8,57 milhões de toneladas de soja. Nos primeiros quatro meses do ano, o total de embarques, oriundos do Brasil, atingiu a 15,9 milhões de toneladas, com um aumento de 72% sobre o mesmo período do ano passado. Já o total procedente dos EUA somou 9,58 milhões de toneladas, com recuo de 40% sobre o mesmo período do ano anterior. (cf. Serviços Alfandegários da China)

Já na terceira semana de maio, o Brasil exportou um total de 690.000 toneladas de soja para todos os destinos. Isso representa um recuo de 2,6% sobre o ano anterior. Assim, em maio, o Brasil exportou, até aquele momento, 8,28 milhões de toneladas de soja, contra 15,6 milhões em todo o mês de maio de 2023. Lembrando que maio é um dos melhores meses de exportação de soja por parte do Brasil. Com a quebra na safra de soja do Rio Grande do Sul, devido às enchentes (aliás, chuvas intensas voltaram a cair sobre o Estado na segunda metade desta semana), a produção brasileira final já está sendo redirecionada para níves abaixo de 150 milhões de toneladas, devendo ficar entre 145 e 150 milhões segundo grande parte dos analistas. No Rio Grande do Sul, com o abandono de muitas lavouras destruídas pelas chuvas, já se fala em uma colheita ao redor de 18 milhões de toneladas. Pelo sim ou pelo não, o fato é que, somando todas as situações ocorridas no país, a safra deste ano deverá ficar menor do que a registrada no ano passado. Alguns avançam 4,1 milhões de toneladas a menos (cf. Hedgepoint).

Autor/Fonte: CEEMA UNIJUÍ –  Prof. Dr. Argemiro Luís Brum – Comentários referentes ao período entre 17/05/2024 e 23/05/2024

Equipe Mais Soja
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