A dessecação pré-colheita da soja, com uso de herbicida, é uma prática muito comum que tem três objetivos: uniformizar a área da soja, controlar plantas daninhas e antecipar a colheita, pois o produtor obtém uma antecipação média de cinco dias, o que antecipará o próximo plantio, como o milho safrinha, por exemplo.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Rodrigo Arroyo Garcia, “quando o produtor desseca a lavoura, a planta vai morrer rapidamente e o trabalho precisa ser executado de forma dinâmica” o que segundo ele, deve ser feito em consonância com os dados pesquisados sobre a previsão do tempo. “É fundamental que o produtor esteja atento a essas informações, antes de optar pela dessecação, pois o excesso de chuvas pode prejudicar o trabalho de colheita e ocasionar perdas”, destaca.

Caso a colheita, após a dessecação demore, o produtor pode ter surpresas desagradáveis como, por exemplo, perdas com abertura de vagens, maior incidência de grãos “ardidos” e até germinação da soja no próprio pé, dentro da vagem, caso ocorra excesso de umidade na lavoura por período prolongado”, explica Garcia.



O pesquisador da Embrapa Soja, Fernando Adegas ressalta que há quatro fatores que nos levam a realizar a dessecação de pré-colheita da soja, que são eles:

  • Presença de plantas daninhas na área, que venha a interferir na colheita;
  • Quando a soja ainda está com a haste verde, demonstrando que a maturação não foi uniforme;
  • Antecipar a colheita para a semeadura da cultura seguinte;
  • Melhorar a produção de sementes para quem estiver produzindo semente.

Segundo Adegas, a pesquisa atualmente mostra que os dois primeiros pontos destacados são os mais relevantes tecnicamente para se fazer a dessecação, e os demais pontos não são tecnicamente viáveis, dessa forma, a presença de plantas daninhas e a presença de haste verde devem ser os principais fatores para se fazer essa dessecação.

A colheita também pode ser feita sem dessecação, mas o produtor deve levar em conta os benefícios da prática, aliado às informações de previsão de tempo e avaliar os riscos envolvidos, antes da tomada de decisões, bem como o estado da lavoura.

Outra dica do pesquisador Rodrigo Arroyo Garcia se refere ao momento certo de aplicação do dessecante, que é fundamental, pois evita perdas no rendimento da cultura, caso seja feito antes do tempo correto, que é a maturação fisiológica das plantas. Essa fase é conhecida como o estágio R7 de desenvolvimento, onde boa parte das folhas já estão amareladas. Se fizer a dessecação antes desse ponto, a soja perde massa dos grãos”, explica Garcia. A partir desse ponto recomendado, a planta já finalizou o transporte de nutrientes para os grãos e já atingiu o pico de matéria seca e está apenas perdendo água”.

Vale salientar também que os produtores que adotam a dessecação da soja sigam as orientações agronômicas, sobretudo porque o principal herbicida usado como dessecante nas lavouras de soja está sendo retirado de circulação. “Assim, seguindo as orientações desse profissional, que vai fazer o diagnóstico da área, conhecer as especificações do produto e só então emitir a receita, o trabalho de pré-colheita será feito com a segurança e a qualidade necessária”, enfatiza.

Os produtos mais utilizados até então são o Paraquat (na dose de 1,5 a 2,0 L/ha do produto comercial), ou Diquat na mesma dosagem. Doses mais elevadas devem ser utilizadas em áreas com maior massa foliar. No caso de predominância de gramíneas, o ideal é utilizar o paraquat. Quando houver predominância de folhas largas, principalmente corda-de-viola, deve-se utilizar o diquat.

A dessecação em pré-colheita de campos de sementes de soja convencional com glifosato não deve ser realizada, uma vez que essa prática acarreta redução de qualidade de sementes, reduzindo seu vigor e germinação, devido ao não desenvolvimento das radículas secundárias das plantas.

Para evitar que ocorram resíduos no grão colhido, devemos observar o intervalo mínimo de sete dias entre a aplicação do produto e a colheita.

Passos importantes a serem analisados

  • Se é necessário fazer a dessecação;
  • Em que momento deve-se realizar;
  • Qual a maneira correta para a realização da prática.

Cuidados a serem tomados

  1. Não pode haver resíduos da aplicação nos grãos de soja, para isso, deve-se seguir as instruções do rótulo, para saber a dose correta de aplicação do produto e o período ideal entre a aplicação e a colheita desse grão.
  2. Saber exatamente qual é o estádio da cultura em que deve ser feita a aplicação, sendo que o estádio ideal recomendado é o R7.3, ou então quando 75% da soja já estiver amarelada, sendo que a dessecação antes desse período pode causar perdas na produtividade de até 25%.

Confira o vídeo abaixo. 



Fonte das informações destacadas: Embrapa Soja.

Elaboração: Engenheira Agrônoma Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

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