O custo com herbicidas representa uma boa parte dos gastos com o manejo das culturas. Sabemos que para manter altas produtividades, precisamos realizar o manejo das plantas daninhas para um nível em que a sua convivência não cause danos a cultura. E para isso, devemos usar a tecnologia de aplicação a nosso favor.

A tecnologia de aplicação utiliza os conhecimentos científicos para proporcionar a correta aplicação do produto, chegando em quantidade suficiente ao alvo, sem contaminação de outras áreas.

Quais fatores influenciam na aplicação do defensivo agrícola?

Muitos fatores podem influenciar, vimos em outro texto que as condições ambientais devem ser levadas em consideração para aplicação dos produtos. Outros fatores incluem:

  • alvo de aplicação (planta ou solo);
  • volume de aplicação;
  • formulação;
  • características dos herbicidas;
  • cobertura do produto no alvo;
  • aditivos.

Observe abaixo a relação do tamanho de gotas com a cobertura do alvo e o risco de deriva.

Fonte: Agronômico.

Gotas muito finas promovem uma excelente cobertura do alvo, entretanto possuem o risco de deriva e evaporação muito alto. Produtos que tem ação de contato, como os herbicidas paraquat e inibidores da PROTOX, precisam ter uma boa cobertura do alvo. Já, herbicidas sistêmicos e pré-emergentes não precisam de 100% de cobertura do alvo, assim podem ser utilizadas gotas mais grossas.

Observe agora pela figura abaixo, a cobertura do alvo em relação ao diâmetro das gotas e ao volume de aplicação.

Fonte: Ramos.

Como os adjuvantes ajudam na hora da aplicação?

Os adjuvantes são classificados em:

  • ativadores: elevam a atividade do herbicida, elevam a absorção de herbicida na planta-alvo.
  • modificadores de calda: modificam as características físicas ou químicas da solução, facilitam a aplicação e aumentam a aderência à superfície da planta.

Os ativadores são adicionada ao tanque de pulverização para aumentar a atividade do herbicida, incluem:

  • surfactantes (aniônicos, catiônicos, não iônicos e anfotéricos);
  • óleos vegetais;
  • óleos minerais;
  • derivados de silicone;
  • fertilizantes azotados.

Os surfactantes reduzem a tensão superficial da gota pulverizada.

Observe pela figura abaixo que a porcentagem de controle das plantas daninhas aumenta conforme o aumento da concentração do surfactante. Verifique também a tensão superficial da gota pulverizada, o contato dela com a folha é maior quando passou a ser utilizado o surfactante.

Fonte: ESALQ.

Já os adjuvantes modificadores de calda podem ser:

  • molhantes;
  • corantes;
  • controladores de deriva;
  • agentes espessantes;
  • agentes adesivos;
  • condicionadores de calda;
  • agentes de compatibilidade;
  • reguladores de pH;
  • umectantes;
  • antiespumantes;
  • absorventes de UV.

Todas essas funções modificam a calda de pulverização. No próximo texto vamos ver qual a função de cada um destes produtos, e quando precisamos utilizar.

Conclusão

No texto de hoje vimos que a tecnologia de aplicação deve ser lembrada na hora da aplicação dos defensivos agrícolas. Vimos que muitos fatores podem interferir na aplicação, mas que podem ser ajustados com a tecnologia de aplicação a nosso favor. O artigo também trouxe uma primeira noção sobre os adjuvantes e suas classificações. 

Gostou do texto? Tem mais dicas sobre tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Sobre a Autora: Ana Ligia Girardeli, Sou Engenheira Agrônoma formada na UFSCar. Mestra em Agricultura e Ambiente (UFSCar) e Doutora em Fitotecnia (USP/ESALQ). Atualmente, estou cursando MBA em Agronegócios.

 



 

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