Os bioestimulantes na cultura da soja são empregados normalmente com o intuito de estimular o crescimento e desenvolvimento vegetal, podendo inclusive resultar em incrementos significativos de produtividade, conforme observado por Morais (2017).

Normalmente, os bioestimulantes são empregados no tratamento de sementes de soja ou aplicados via foliar, contribuindo para a manutenção do equilíbrio hormonal, tolerância a períodos de estresse entre outros benefícios. Entretanto, cabe destacar que independente do método de uso, os bioestimulante não substituem a adubação de base para a cultura da soja.

Com relação ao uso dos bioestimulantes no tratamento de sementes, além da conhecida influência na produtividade da cultura (desde que em condições adequadas ao desenvolvimento vegetal), os bioestimulantes podem contribuir para a melhoria de características fisiológicas das plântulas e sementes. Conforme observado por Elsenbach et al. (2017), na dose de 300 mL kg-1 de sementes, o bioestimulante composto por três hormônios vegetais: 0,09 g/L de cinetina, 0,05 g/L de ácido giberélico e 0,05 g/L de ácido indolbutírico, possibilita incremento de comprimento da parte aérea de plântulas de soja tratadas com esse bioestimulante.

Figura 1. Comprimento da parte aérea de plântulas de soja em função de diferentes doses de bioestimulantes aplicadas no tratamento de sementes.

Fonte: Elsenbach et al. (2017)

O aumento de características fisiológicas como o comprimento de plântulas pode representar a melhoria do crescimento e estabelecimento inicial da cultura no campo, contribuindo para o bom desenvolvimento da lavoura e produtividade final.

Com relação a atributos fisiológicos das sementes, Martini (2021), assim como Melo et al. (2021), observaram melhora significativa da germinação das sementes de soja tratadas com bioestimulantes, em comparação a testemunha (sem tratamento com bioestimulantes), demonstrando que os bioestimulantes são interessantes ferramentas para uso no tratamento de sementes, buscando melhorar as condições fisiológicas das sementes.



Melo et al. (2021) avaliaram os efeitos do tratamento de sementes de soja com doses de um bioestimulante à base de extrato de algas na germinação e vigor das sementes, bem como no desenvolvimento inicial, trocas gasosas e na nodulação de plantas de soja. O bioestimulante utilizados pelos autores é derivado de compostos naturais, tendo como matérias-primas ureia, acetato de potássio, quelato de zinco, vinhaça, extrato de algas e água. Contém ainda 10,0% de carbono orgânico, 8,0% de potássio, 3,0% de nitrogênio, 0,1% de zinco e 78,9 % de ingredientes inertes (Melo et al., 2021).

Figura 2. Valores dos percentuais de germinação relativas à testemunha obtidos na primeira (TPG 1) e segunda contagens (TPG 2) do teste padrão de germinação em função das doses do bioestimulante à base de extrato de algas (Radifarm®).

Fonte: Melo et al. (2021)

Com base nos resultados obtidos pelos autores, é possível constatar acréscimo de até 60% (dose de 0,09 L 100 kg sementes-1) em relação à testemunha, demonstrando a importante contribuição do uso desse bioestimulante em atributos fisiológicos das sementes de soja. Entretanto, os autores destacam que não necessariamente o aumento da dose de bioestimulantes traz benefícios às sementes, podendo inclusive, altas dose de bioestimulante, causar perda do vigor em sementes sob condições inadequadas de armazenamento, não sendo aconselhado o armazenamento das sementes após o tratamento com esse tipo de bioestimulante.


Veja mais: Mancha púrpura compromete a germinação das sementes de soja?


Referências:

ELSENBACH, H. et al. EFEITO DO BIOESTIMULANTE NO DESENVOLVIMENTO DE PLÂNTULAS DE SOJA. Anais do 9º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – SIEPE, Universidade Federal do Pampa, 2017. Disponível em: < https://guri.unipampa.edu.br/uploads/evt/arq_trabalhos/14414/seer_14414.pdf >, acesso em: 11/05/2022.

MARTINI, A. QUALIDADE FISIOLÓGICA DE SEMENTES DE SOJA SUBMETIDAS A APLICAÇÃO DE BIOESTIMULANTES. Universidade Federal da Fronteira Sul, Trabalho de Conclusão de Curso, 2021. Disponível em: < https://rd.uffs.edu.br/bitstream/prefix/4426/1/MARTINI.pdf >, acesso em: 11/05/2022.

MELO, G. B. et al. TRATAMENTO DE SEMENTES COM DOSES DO BIOESTIMULANTE À BASE DE ALGAS. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.7, n.1, p.1418-1431 jan. 2021. Disponível em: < https://www.brazilianjournals.com/index.php/BRJD/article/view/22674/18167 >, acesso em: 11/05/2022.

MORAIS, C. W. M. C. O. S. RESPOSTAS AGRONÔMICAS E DE VIABILIDADE ECONÔMICA DE DOIS BIORREGULADORES NA CULTURA DA SOJA, NO MUNICÍPIO DE PARAGOMINAS – PARÁ. Universidade Federal Rural da Amazônia, Trabalho de conclusão de curso, 2017. Disponível em: < http://bdta.ufra.edu.br/jspui/bitstream/123456789/1457/1/Respostas%20agron%C3%B4micas%20e%20de%20viabilidade%20econ%C3%B4mica%20de%20dois%20biorreguladores%20na%20cultura%20da%20soja%2C%20no%20munic%C3%ADpio%20de%20Paragominas%20-%20Par%C3%A1.pdf >, acesso em: 11/05/2022.

Acompanhe nosso site, siga nossas mídias sociais (SiteFacebookInstagramLinkedinCanal no YouTube)

Nenhum comentário

Deixar um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.