Embora sejam consideradas pragas secundárias da cultura da soja, os tripes podem causar perdas significativas, especialmente sob condições ambientais adequadas ao desenvolvimento da praga. Os danos à produtividade variam de acordo com a espécie, densidade populacional da praga e período em que infestam a soja. Estudos indicam que as perdas de produtividade em função da ocorrência de tripes em soja variam em 10% a 25%, podendo resultar em perdas de produtividade de até 10 sacas por hectare. Dentre as principais espécies de expressão econômica, destacam-se a espécie Frankliniella occidentalis, a Frankliniella schultzei e a Caliothrips phaseoli (Zanattan; Nunes; Madaloz, 2023).

Além de causar danos diretos em função da alimentação (figura 1), os tripes são responsáveis pela transmissão do vírus que causa a doença “queima-do-broto” pode resultar em sérios prejuízos à soja (Sosá-Gómez et al., 2023). Além dos danos característicos  nas folhas da soja, um estudo conduzido por Neves et al.  (2022) demonstrou que os tripes também são capazes de reduzir estruturas fisiológicas da planta importantes para a formação dos grãos, mais especificamente, as flores.

Figura 1. Danos característicos de tripes em soja.

De acordo com os autores, há uma relação significativa entre densidade de tripes e a redução do número de flores de soja, demonstrando que, para cada 2,44 tripes por amostra, perde-se 1% de flores de soja por abortamento (amostra compostas por bandeja de 40x25x3cm, totalizando 0,1 m²).

Figura 2.  Regressão linear das perdas de rendimento (%) em função da densidade de tripes em plantas de soja na fase reprodutiva. Cada círculo representa os dados de uma das 80 repetições.
Adaptado: Neves et al. (2022)

Tendo em vista o impacto dos tripes tanto na fase vegetativa quando reprodutiva da soja, o controle eficaz dessas pragas é determinante para a manutenção do potencial produtivo da cultura, especialmente quando as condições climáticas são favoráveis ao desenvolvimento desses insetos (condições de baixas precipitações e/ou períodos de estiagem).

Baseado nas recomendações técnicas para a cultura da soja, recomenda-se que o controle químicos de tripes seja realizado  ao atingir o nível de infestação de aproximadamente 20 tripes por folíolo. No entanto, em função do curto ciclo de vida desses insetos, o controle efetivo da praga é extremamente difícil tornando necessário realizar reaplicações de inseticidas.

Produtos com ação translaminar, como clorfenapir, são os mais indicados para o controle de tripes. Ao serem aplicados na superfície superior das folhas, esses inseticidas são capazes de translocar para o lado inferior, onde ninfas e adultos estão localizados em maior número (Pozebon, 2022). Sobretudo, visando um controle eficiente dos tripes, deve-se dar preferência por inseticidas de maior performance, rotacionando mecanismos de ação, a fim de reduzir o risco de selecionar indivíduos resistentes.

Avaliando a variação geográfica e suscetibilidade de espécies de tripes a diferentes inseticidas Warpechowski et al. (2023) observaram que, no geral, as populações de F. schultzei e C. phaseoli foram suscetíveis e apresentaram baixa variação na suscetibilidade a espinetoram, metomil, espinetoram + metoxifenozida e profenofos + cipermetrina.

Com base nos resultados obtidos, os autores também constataram que, C. phaseoli foi mais suscetível a acefato, clorfenapir e abamectina do que F. schultzei. Em contraste, populações de ambas as espécies apresentaram reduzida suscetibilidade a abamectina, imidacloprido, lambda-cialotrina, lambda-cialotrina + sulfoxaflor e bifentrina + carbosulfano.

Sendo assim, os resultados observados por Warpechowski et al. (2023) demonstram que as espécies de tripes F. schultzei e C. phaseoli, apresentam variação geográfica e interespecífica na suscetibilidade a inseticidas, sendo que, ambas as espécies apresentaram suscetibilidade a espinetoram, metomil, espinetoram + metoxifenozida e profenofos + cipermetrina (figura 3 e figura 4).

Figura 3. Mortalidade conjunta de populações de F. schultzei e C. phaseoli expostas ao campo concentração de campo de inseticidas de modo de ação único. Barras (± SE) com as mesmas letras minúsculas letras minúsculas dentro de cada mistura e aquelas com as mesmas letras maiúsculas dentro de cada espécie não são significativamente diferentes.
Fonte: Warpechowski et al. (2023)
Figura 4. Mortalidade conjunta de populações de F. schultzei e C. phaseoli expostas ao campo concentração de campo de misturas de inseticidas pré-formuladas. Barras (± SE) com as mesmas letras minúsculas letras minúsculas dentro de cada mistura e aquelas com as mesmas letras maiúsculas dentro de cada espécie não são significativamente diferentes.
Fonte: Warpechowski et al. (2023)

Logo, assim como a eficiência dos inseticidas deve ser observada para o posicionamento desses defensivos no controle químico dos tripes, as espécies da praga também devem ser levadas em consideração, uma vez que há variação quando a suscetibilidade a inseticidas e distribuição geográfica das populações de tripes.

Confira a Pós Graduação em Mitigação de estresses e construção de plantas resilientes, clique aqui e garanta sua vaga!

Referências:

POZEBON, H. O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE TRIPES EM SOJA: Mais Soja, 2022. Disponível em: < https://maissoja.com.br/o-que-voce-precisa-saber-sobre-tripes-em-soja/#:~:text=Os%20tripes%20s%C3%A3o%20insetos%20raspadores,phaseoli%20(tripes%2Dcarij%C3%B3). >, acesso em: 05/01/2025.

SOSA-GÓMEZ, D. R. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE INSETOS E OUTROS INVERTEBRADOS NA CULTURA DA SOJA. Embrapa Soja, Documentos, n. 269, 2023. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/1152855 >, acesso em: 05/01/2026.

WARPECHOWSKI, L. F. et al. WHY DOES IDENTIFICATION MATTER? THRIPS SPECIES (Thysanoptera: Thripidae) FOUND IN SOYBEAN IN SOUTHERN BRAZIL SHOW HIGH LEVELS OF GEOGRAPHICAL AND INTERSPECIFIC VARIATION IN SUSCEPTIBILITY TO INSECTICIDES. UFSM, Dissertação de Mestrado, 2023. Disponível em: < https://repositorio.ufsm.br/handle/1/31045 >, acesso em: 05/01/2026.

ZANATTA, F.; NUNES, M.; MADALOZ, J. OCORRENCIA DE TRIPES NAS CULTURAS DE SOJA E MILHO. PIONNER AGRONOMIA, CROP FOCUS, 2023. Disponível em: < https://www.pioneer.com/content/dam/dpagco/pioneer/la/br/pt/files/Crop_focus_ocorrncia_de_tripes_em_soja_e_milho.pdf >, acesso em: 05/01/2026.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.