O Silício (Si) é um nutriente cuja função na planta está relacionada as propriedades mecânicas das pareces celulares como rigidez e elasticidade (TAIZ et al., 2017), Além disso, segundo KORNDÖRFER et al. (2010), o acúmulo de Silício pode reduzir a transpiração das plantas, atuando como agente promotor de maior resistência a períodos de déficit hídrico, outro benefício do acúmulo de Silício na planta é a maior resistência a estresses bióticos e abióticos em resposta a maior resistência das células das folhas.

Visando avaliar a influência do silício nos componentes de produtividade e na produtividade no milho, RODRIGUES et al. (2019) conduziram o trabalho intitulado “Recobrimento de Sementes com Silício Aumenta a Produtividade de Milho de Segunda Safra”.

Os autores utilizaram diferentes doses de Filossilicato para recobrir as sementes de milho. O filossilicato contêm 26,68% de Si, 3% de CaO e 1,6% MgO, as sementes utilizadas foram do Híbrido AG 8544 PRO2, cujo cultivo foi realizado em segunda safra em sistema de semeadura direta.

As doses utilizadas de filossilicato foram 0, 5, 10, 15 e 20 g.kg-1 de sementes.

Dentre as variáveis avaliadas pelos autores, alguns componentes de produtividade como número de fileiras, número de grãos por fileiras e massa de 100 grãos se destacaram, mostrando aumento com a adoção de doses de filossilicato (tabela 1).

Tabela 1. Componentes de produtividade e produtividade do milho em resposta a diferentes doses de filossilicato no recobrimento de sementes de milho.

Adaptado: RODRIGUES et al. (2019).

Note que independente da dose de filossilicato, ambos os tratamentos que receberam a cobertura das sementes apresentaram respostas positivas para a utilização do produto. Contido, a maior contribuição do recobrimento das sementes fica por conta das respostas de produtividade do milho, destacando o importante papel que o silício desempenha no incremento da produtividade do milho.



RODRIGUES et al. (2019) observaram diferença de 2469,7 kg quando comparado o tratamento que recebeu a maior dose de filossilicato (20 g.kg-1 de sementes) com o tratamento que não recebeu filossilicato no recobrimento das sementes (0 g.kg-1 de sementes). Observe que o valor representa um incremento de 43,12% na produtividade do milho, simplesmente pela utilização da dose cheia de filossilicato avaliada pelo autor.

Figura 1. Produtividade do milho cultivar AG 8544 PRO2 em resposta a diferentes doses de filossilicato no recobrimento das sementes.

Adaptado: RODRIGUES et al. (2019).

Os autores também avaliaram a utilização de Silício via adubação foliar utilizando Silicato de Potássio, contudo, assim como observado por DE FREITAS et al. (2011), não encontraram respostas significativas quando a influência em componentes de produtividade e produtividade do milho a partir da utilização da adubação foliar.

Resposta positivas para a utilização de Silício também foram observadas por MIRANDA et al. (2018), principalmente para componentes de produtividade do milho (diâmetro e comprimento de espiga).

Veja também: Milho consorciado com Braquiária vale a pena? 

Com base nos aspectos observados a nos resultados obtidos por RODRIGUES et al. (2019), pode-se concluir que a utilização de Silício por meio do recobrimento das sementes de milho com filossilicato proporciona aumento da produtividade do milho, sendo uma interessante alternativa para o incremento da produtividade da cultura.

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Referências:

DE FREITAS, et al. ADUBAÇÃO FOLIAR COM SILÍCIO NA CULTURA DO MILHO. Rev. Ceres, Viçosa, v. 58, n.2, p. 262-267, 2011.

KORNDÖFER, P. H. et al. EFEITO DA ADUBAÇÃO SILICATADA SOBRE GRAMÍNEAS FORRAGEIRAS E CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS DO SOLO. Pesq. Agropec. Trop., Goiânia, v. 40, n. 2, p. 119-125, 2010.

MIRANDA, P. S. et al. APLICAÇÃO DE SILÍCIO NA CULTURA DO MILHO. Rev. Ciênc. Agroamb. v.16, n.1, 2018.

RODRIGUES, L. A. et al. RECOBRIMENTO DE SEMENTES COM SILÍCIO AUMENTA A PRODUTIVIDADE DE MILHO DE SEGUNDA SAFRA. Rev. Caatinga, Mossoró, v. 32, n. 4, p. 897-903, out, 2019.

TAIZ, L. et al. FISIOLOGIA E DESENVOLVIMENTO VEGETAL. Ed. 6, 2017.

Sobre o autor: Maurício Siqueira dos Santos, Engenheiro Agrônomo formado pela UFSM. Atualmente Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Agrícola da UFSM e Integrante da Equipe Mais Soja.

 

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