O objetivo è avaliar a variabilidade espaço-temporal de
componentes da estrutura de solos, após a inserção da cultura da soja, numa catena do Pampa, em seis anos de monitoramento.

Autores: Vanderson F. Campos¹; Júlio C. W. Soares²; Higor M. de Freitas²; Thaynan H. de Lima¹; Carolyne G. Uberti¹

Introdução

A capacidade do solo de sustentar o desenvolvimento vegetal é um fator indissociável para a produção agrícola, graças as suas propriedades físicas, químicas e biológicas, que propiciam um ambiente favorável para o desenvolvimento vegetal.

Solos com boa estrutura, são aqueles que possuem valores adequados de porosidade, com boa aeração, infiltração e retenção de água, beneficiando a elongação radicular e o desenvolvimento das culturas.

Práticas pouco sustentáveis causam o decaimento na qualidade física, química e biológica do solo. Nessa ótica, a implementação de ações que mitiguem os danos de origem antrópica, como erosão, compactação e destruição de ambientes nativos, nesse meio, vem tornando-se um assunto que não pode ser ignorado (Pereira et al., 2021).

Torres et al (2015) estabelecem que, para aferir os impactos causados pelos sistemas de manejo, os indicadores físicos utilizados são: (i) densidade do solo; (ii) agregação; (iii) compactação; (iv) macroporosidade; (v) microporosidade; (vi) porosidade total; (vii) capacidade de retenção de água; (viii) estabilidade de agregados.

O presente estudo teve como objetivo avaliar a variabilidade espaço-temporal de componentes da estrutura de solos, após a inserção da cultura da soja, numa catena do Pampa, em seis anos de monitoramento.

Material e Métodos

O trabalho foi realizado no município de Santiago, RS, na Fazenda Escola da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, Câmpus de Santiago, com coordenas centrais UTM 705.589 E e 6.769.112 S (SIRGAS2000, zona 21 S). Conforme o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (Embrapa, 2018), na Catena em estudo, com 1,17 ha, desenvolvem-se polipedons de ARGISSOLOS VERMELHOS, CAMBISSOLOS HÁPLICOS, NEOSSOLOS LITÓLICOS e NEOSSOLOS REGOLÍTICOS, com grande contribuição da fração silte para a composição textural, tendo a classificação do horizonte A como franco-siltoso (textura média: silte 560 g kg-1, areia 240 g kg-1, argila 200 g kg-1). Inicialmente, a ocupação do solo era constituída por campo nativo, com mais de três décadas de estabelecimento.

Em 2017, foi realizada a inserção da cultura da soja, em plantio convencional, a partir do ano de 2018 foram adotadas técnicas de manejo conservacionista visando a implantação do sistema de plantio direto. Entre os anos de 2016 e 2021, foram realizadas prospecções por meio de 52 pontos de uma malha amostral fixa com intervalos regulares de 15 m, na profundidade de 0,0 – 0,2 m.

Para a locação dos pontos foi empregado um receptor GNSS (Global navigation Satellite System), com dupla frequência (L1/L2) e disponibilidade de Real Time Kinematic (RTK), utilizando o datum horizontal SIRGAS2000. Durante as prospecções foram coletadas amostras indeformadas para a determinação da densidade do solo (DS), da porosidade total (PT), da macroporosidade (MACRO) e da microporosidade (MICRO), as análises laboratoriais foram realizadas conforme Donagema (2011).

Utilizando-se a geoestátisca, foram realizados os ajustes dos modelos de semivariogramas aos dados, sendo definidos os seguintes parâmetros: efeito pepita, patamar e alcance. Foram testados os modelos: stable, circular, esférico, gaussiano e exponencial. Posteriormente, o grau de dependência espacial (IDE) foi classificado conforme Cambardella et al. (1994). Em seguida, para analisar o relacionamento entre as variáveis, efetuou-se a análise de correlação de Pearson (p<0,01).

Resultados e Discussão

Sob o campo nativo, os solos apresentaram densidade (DS) média de 1,3 g/cm3, variando entre 0,9 e 1,5 g/cm-3. A porosidade total (PT) teve média de 48,1%, variando entre 34,1 e 62,9%. Da PT, a macroporosidade (MACRO) teve média de 10,5%,variando entre 1,2 e 16,9% (TABELA 1).

A microporosidade (MICRO) teve média de 37,6%, variando entre 31,6 e 45,9%. Já para o ano de 2021, após seis anos de monitoramento, a densidade média do solo retornou para o valor inicial de 1,3 g cm-3, oscilando entre 1,1 e 1,5 g cm-3 (TABELA 1).

A porosidade total, por sua vez, teve incremento para 58,2%, variando entre 51,6 e 67,1%. A macroporosidade e a microporosidade também apresentaram incremento em seus valores médios, 16,8% e 41,5%, respectivamente (TABELA 1).


Em 2016, os dados de DS, MACRO e MICRO seguiram com o ajuste ao modelo Gaussiano, com valores respectivos de 113,51, 93,85 e 27,50. Para os dados de MACRO, o ajuste se deu ao modelo exponencial, os dados de PT se ajustaram ao modelo Stable, com alcance de 18,77 e 24,25 m, respectivamente. Em 2021, os dados de PT se ajustaram ao modelo stable e os dados de DS, MACRO e MICRO ao modelo exponencial, com valores de alcance superiores a equidistância entre os pontos da malha amostral (TABELA 2).


Conforme a figura 1 relacionando os mapas de distribuição espacial das diferentes propriedades físicas dos solos, nos diferentes momentos, observa-se na paisagem que, o espaço poroso e seus diferentes compartimentos relacionam-se com a DS, como observado na análise de correlação (TABELA 3). Esses Resultados Corroboram com Reinert & Reichert (2006).

Conclusão

Observou-se que as propriedades físicas dos solos apresentaram relações espaciais em sua distribuição na paisagem, nos diferentes momentos de avaliação. As propriedades ligadas a estrutura do solo obtiveram valores próximos aos iniciais sob campo nativo, considerados ideais para a física do solo. A obtenção da propriedade estrutural está associada as práticas de conservação do solo.

Informações sobre os autores:

  • ¹ Acadêmico (a) do Curso de Agronomia, Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – Câmpus Santiago. vandersonfc@outlook.com;thaynanh.lima@hotmail.com;garciauberticarolyne@gmail.com;
  • ² Professor do curso de agronomia, Uri Santiago, Júlio Cesar Wincher Soares, Higor Machado de Freitas. E-mail: juliowincher@gmail.com,;higormfreitasagro@gmail.com

Referências

CAMBARDELLA CA, Moorman TB, Novak J M, Parkin TB, Karlen DL, Turco RF, Konopka AE. Field-scale variability of soil properties in central Iowa soils. Soil Science Society American Journal, Madison, v. 58, n. 1, p.1501-1511, 1994.

DONAGEMMA, G. K. et al. (Org.) Manual de métodos de análise de solos. 2. ed. rev. Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2011. 230 p. (Documentos, 132).

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA – Embrapa. Sistema brasileiro de classificação de solos. 3.ed. Brasília, 2018. 353p.

PEREIRA, Gustavo Eduardo et al. Propriedades físicas de solos sob diferentes sistemas de cultivo de soja em Vacaria, Rio Grande do Sul. Brazilian Journal Of Development, Curitiba, v. 7, n. 6, p. 55838-55850, jun. 2021. Disponível em: <https://bit.ly/3ylZNfI> Acesso em: 17 jul. 2021.

REINERT DJ, REICHERT. Qualidade física dos solos. Anais…Reunião Brasileira de Manejo e Conservação do Solo e da Água, 16, 2006. SBCS, 2006.

TORRES, J. L. R., Pereira, M. G., Assis, R. L. D., & Souza, Z. M. D. (2015). Atributos físicos de um Latossolo Vermelho cultivado com plantas de cobertura, em semeadura direta.Revista Brasileira de Ciência do Solo,39(2), 428-43


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