A rotação de culturas é fundamental para manter a sustentabilidade dos cultivos agrícolas, possibilitando que culturas distintas proporcionem condições de manejo diferentes, contribuindo para a melhoria de atributos físicos, químicos e biológicos do solo, além de possibilitar o manejo fitossanitário e controle de plantas daninhas. O trigo é uma das principais culturas de inverno que integram a rotação de culturas com a soja, especialmente nas regiões Sul do Brasil, onde o clima é mais favorável para o cultivo do cereal.

Entretanto, assim como nas demais culturas agrícolas, o controle de plantas daninhas é fundamental para evitar perdas de produtividade e qualidade do trigo pela competição das plantas daninhas com a cultura por radiação solar, água e nutrientes. Dentre as plantas daninhas presentes na culturas, destaca-se a buva (Conyza spp.), sendo comumente encontrada nos estádios iniciais do desenvolvimento do trigo ou até mesmo no período reprodutivo da cultura.

Dentre os métodos mais empregados para o controle das plantas daninhas no trigo, o método químico é o mais utilizado. De maneira geral, pode-se dizer que para o controle de plantas daninhas dicotiledôneas assim como a Buva na cultura do trigo, o 2,4-D é o herbicida mais utilizado. O 2,4-D é um mimetizador de auxinas que atua como regulador de crescimento.

Conforme destacado por Roman; Vargas; Rodrigues (2006), uma das grandes dificuldades da utilização do produto é quando a assertividade do momento ideal de aplicação, uma vez que o trigo apresenta maior tolerância à molécula entre os estádios de afilhamento e início da elongação do colmo. Aplicações muito precoces podem reduzir a produtividade da cultura por interferir nos primórdios de espiguetas, assim como aplicações muito tardias, após a elongação do colmo podem interferir negativamente na produtividade dos grãos em decorrência da interferência na esporogênese.



As principais causas da redução da produtividade do trigo em função da aplicação do 2,4-D são dadas em função e efeitos de fitotoxidade que o produto pode ocasionar na cultura do trigo. Segundo Roman; Vargas; Rodrigues (2006), o principal sintoma de fitotoxidade observado é a retenção das espigas no colmo após a elongação, permanecendo tortas com o ápice preso a ao colmo pelas aristas da espiga.

Figura 1. Sintomas de toxidade de fitotoxidade de 2,4-D em trigo.

Fonte: OR Sementes.

Veja também: Manejo de Herbicidas na cultura do Trigo


Efeitos da toxidade de 2,4-D também foram observados por Petrolli et al. (2018), que avaliando o efeito da época de aplicação do 2,4-D na cultura do trigo constataram que a aplicação de 2,4-D em trigo no início do afilhamento resultou em menores valores de número de espigas por planta quando comparado a testemunha, a qual não sofreu aplicação de nenhum herbicida. Os autores ainda concluem recomendando a não aplicação do herbicida em antes do afilhamento do trigo, o que corrobora as afirmações de Roman; Vargas; Rodrigues (2006) que descrevem como a fase de maior tolerância do trigo ao herbicida 2,4-D a fase entre o afilhamento e início da elongação do colmo.

Assim como o estádio de desenvolvimento do trigo para a aplicação do herbicida, a dose também pode influenciar na produtividade do cereal, assim como observado por Soligo (2019), onde o autor avaliou doses e épocas de aplicação de 2,4-D em trigo. As épocas de aplicação avaliada foram antes do perfilhamento, no perfilhamento, no surgimento do primeiro nó visível e no emborrachamento da cultura, as doses avaliadas foram 0; 349; 698; 1047 e 1396 g e.a ha-1.

Figura 2. Efeitos das doses do herbicida 2,4-D sobre a produtividade (Kg.ha-1) em trigo, cultivar ORS Vintecinco.

Fonte: Soligo (2019).

O 2,4-D também pode ser utilizado como estratégia de manejo de plantas daninhas para a cultura sucessora ao trigo quando aplicado na pré-colheita do trigo. Segundo Tavares et al. (2018), o uso de 2,4-D na dessecação em pré-colheita do trigo não influi na qualidade fisiológica do trigo, entretanto, os autores destacam que quando aplicado antes da maturidade fisiológica dos grãos, o 2,4-D deixa resíduos nos grãos de trigo, sendo assim, é aconselhável a dessecação após a maturidade fisiológica dos grãos.

Tendo em consideração o importante papel que o 2,4-D desempenha no manejo de plantas daninhas na cultura do trigo, principalmente se tratando do controle de dicotiledôneas, é fundamental atentar para o estádio de desenvolvimento do trigo na aplicação do produto, evitando assim efeitos de fitotoxidade no trigo.



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Referências:

OR SEMENTES. SINTOMAS DE FITOTOXIDADE DO HERBICIDA 2,4-D. OR SEMENTES, disponível em: <https://www.facebook.com/orsementes/photos/sintomas-de-fitotoxicidade-do-herbicida-24-da-aplica%C3%A7%C3%A3o-precoce-de-24-d-pode-red/1234031979955550/>, acesso em: 28/07/2020.

PRETROLLI, Y. D. S. et al. EFEITO DA ÉPOCA DE APLICAÇÃO DOS HERBICIDAS 2,4-D E IODOSULFURON-METIL NA CULTURA DO TRIGO. 8º Mostra de Iniciação Científica, Tecnológica e de Inovação, Instituto Federal Rio Grande do Sul, Campus Sertão, out. 2018.

ROMAN, E. S; VARGAS, L. RODRIGUES, O. MANEJO E CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS EM TRIGO. Embrapa, Documentos, n. 63, nov. 2006.

SOLIGO, V. DOSES E ÉPOCAS DE APLICAÇÃO DE 2,4-D EM TRIGO. Universidade Federal da Fronteira Sul, Erechim, 2019.

TAVARES, L. C. et al. PRODUTIVIDADE, QUALIDADE FISIOLÓGICA E RESÍDUO EM SEMENTES DE TRIGO EM FUNÇÃO DA DESSECAÇÃO COM HERBICIDAS. Colloquium Agrariae, v. 14, n.3, p. 132-143, 2018.

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