Ao longo de julho, a comercialização de trigo permaneceu lenta, refletindo o período de entressafra. A oferta da temporada passada está cada vez mais restrita. Diante da necessidade de recompor estoques, compradores elevaram gradualmente suas ofertas em busca de lotes de melhor qualidade. No entanto, vendedores seguem com disponibilidade limitada de trigo da safra 2025, mantendo as negociações pontuais.
Em julho, o preço médio do trigo no Paraná foi de R$ 1.390,71/t, o maior valor real (IGP-DI de junho/26) desde agosto/25, com avanço de 1,4% em relação a junho/26, mas ainda 9,2% abaixo do registrado em julho/25, também em termos reais. No Rio Grande do Sul, a média foi de R$ 1.317,13/t, quedas de 0,6% frente a junho/26 e de 3,6% na comparação anual. Em São Paulo, a média atingiu R$ 1.516,06/t, alta de 0,4% no comparativo mensal, mas retração de 2,4% em relação a julho/25. Em Santa Catarina, o preço médio foi de R$ 1.350,32/t, aumento de 2,5% no mês, embora ainda 9,6% inferior ao de julho/25.
DERIVADOS DE TRIGO – Os preços durante o mês de julho acumularam alta tanto para o farelo quanto para as farinhas de trigo. Para o farelo, a maior demanda deu suporte à recuperação dos preços, enquanto para as farinhas a alta está atrelada à valorização do trigo em grão. Conforme dados do Cepea, de junho para julho, o farelo a granel se valorizou 3,07% e o ensacado, 2,74%.
Para as farinhas, no mesmo comparativo, houve valorização de 1,67% para farinha integral, 1,53% para panificação, 1,24% para bolacha salgada, 1,21% para pré-mistura, 1,17% para massas em geral, 1,14% para bolacha doce e 0,63% para massas frescas.
OFERTA E CAMPO NACIONAL – Conforme dados da Conab divulgados em julho, houve redução de 4,3% na estimativa da safra brasileira de trigo de 2026 em relação ao levantamento anterior, passando de 6,30 milhões para 6,03 milhões de toneladas. Se confirmada, a produção será a menor desde 2020, ficando 23,5% abaixo da registrada na safra passada.
Diante da menor oferta doméstica, a Conab elevou a projeção de importações para 6,853 milhões de toneladas e manteve a previsão de exportações em 1,56 milhão de toneladas. Com isso, a estimativa dos estoques finais foi reduzida para 1,3 milhão de toneladas, volume 12,5% inferior ao projetado no levantamento anterior e 27,2% abaixo do previsto para a safra de 2025. Esse cenário reforça a dependência do trigo importado e pode manter a sustentação dos preços internos ao longo da entressafra, especialmente em caso de problemas de qualidade, valorização do dólar ou dificuldades na recomposição dos estoques pela indústria.
No Brasil, a semeadura está praticamente encerrada, restando apenas 3% do trigo sul catarinense a ser semeado, conforme dados divulgados pela Companhia até 31 de julho. Já a colheita alcançou 2,5% da área nacional destinada ao cultivo do trigo.
OFERTA E DEMANDA MUNDIAL – Em termos globais, o USDA reduziu ligeiramente (-0,01%) a estimativa de produção de trigo da safra 2026/27 em relação ao relatório de junho, para 819,969 milhões de toneladas. Em comparação com a temporada 2025/26, a baixa deve ser de 2,8%.
Nos Estados Unidos, a estimativa de produção foi reduzida em 0,5% em relação ao relatório anterior e em 22,6% em relação à safra 2025/26, para 41,81 milhões de toneladas. Caso esse volume se confirme, será o menor da triticultura norte-americana desde a safra 1970/71.
Pelo lado da demanda, o USDA elevou a estimativa de consumo mundial para 826,161 milhões de toneladas, impulsionada pelo maior uso para alimentação, sementes e fins industriais (FSI) em diversos países. O volume representa aumentos de 0,19% em relação ao relatório de junho e de 0,2% em relação à safra 2025/26. Em contrapartida, os estoques finais globais foram reduzidos para 272,843 milhões de toneladas, quedas de 0,94% na comparação mensal e de 2,2% em relação à temporada anterior.
O comércio internacional foi revisado para 214,46 milhões de toneladas, volume 0,5% superior ao estimado em junho, embora ainda 5,5% inferior ao registrado em 2025/26.
MERCADO EXTERNO – Nos Estados Unidos, o cenário foi de forte valorização, influenciada principalmente pelo aumento das tensões entre Rússia e Ucrânia e pelas preocupações com as condições climáticas adversas nos Estados Unidos e na Europa. Assim, em julho/26, a média do primeiro vencimento na Bolsa de Chicago foi de US$ 6,4781/bushel (US$ 238,03/t), avanços de 9,9% frente a junho/26 e de 20% em relação a julho/25. Na Bolsa de Kansas, a média alcançou US$ 6,9545/bushel (US$ 255,54/t), elevações de 10,7% no comparativo mensal e de 34% no comparativo anual.
Nos Estados Unidos, até 2 de agosto, 86% da área de trigo de inverno já havia sido colhida, avanço de 5 pontos percentuais em relação à semana anterior e em linha com o mesmo período de 2025 e na média dos últimos cinco anos. Para o trigo de primavera, 55% das lavouras apresentavam condições entre boas e excelentes, e a colheita alcançou 5% da área dos seis principais estados produtores.
Na Argentina, até 29 de julho, a semeadura atingiu 98,4% dos 6,5 milhões de hectares projetados para a safra 2026/27, conforme a Bolsa de Cereales. Quanto à média mensal dos preços FOB divulgados pelo Ministério da Economia, a média foi de US$ 231,62/t, queda de 1,6% frente a junho/26 e ligeiro recuo de 0,1% em relação a julho/25.
Fonte: Cepea




