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Alteração da qualidade de grãos de soja durante o armazenamento

Este trabalho tem como objetivo avaliar qualidade dos grãos de soja durante o armazenamento.

Autores: Adryellen Silva da Rosa¹; Victória Pontes Damasceno Araújo²;Rafael Vinícius
de Arruda³

Introdução

A qualidade da soja interfere na comercialização dos grãos e essa pode sofrer alterações durante o armazenamento inadequado. No Brasil, a produção agrícola precisa se adequar aos avanços na direção das exigências internacionais para alcançar os mercados externos, é fundamental a manutenção da qualidade dos grãos durante o armazenamento, a fim de que evite perdas econômicas (Couto et al., 1998). Com toda a tecnologia que existe na agricultura brasileira, as perdas qualitativas e quantitativas, surgidas durante o processo de pós-colheita dos grãos, ainda possuem déficits que precisam ser ajustados, e durante o armazenamento a massa de grãos está submetida constantemente a fatores externos, esses fatores podem ser físicos, como temperatura e teor de água; químicos, como fornecimento de oxigênio; e biológicos, como bactérias, fungos, insetos e roedores (Brooker et al., 1992).

Se não forem tomados os devidos cuidados durante o armazenamento dos grãos, sérios problemas podem ocorrer, devido a infestações de microrganismos patogênicos, que levam os grãos a biodeterioração, causada por falta de controle de umidade e temperatura (Lazzari; 1997) Grãos de soja com 14% de teor de água, tecnicamente, é considerado grão úmido. Significa sérios riscos de biodeterioração armazenar soja com este nível de teor de água. A temperatura e o teor de água apontam a velocidade da infecção e do crescimento fúngico, como também o nível de grãos danificados por fungos. O grão de soja é prontamente infectado por fungos de armazenamento devido a várias características próprias do grão (Lazzar; 1997). Por tais motivos descritos acima, este trabalho tem como objetivo avaliar qualidade dos grãos de soja durante o armazenamento.

 

Material e Métodos

O experimento foi realizado no laboratório de sementes da Universidade de Cuiabá, Campus Beira Rio. Os grãos de soja foram colhidos na safra 16/17 e armazenados durante 4 meses em sacos de pano. Durante os meses que ficaram armazenados, foi feita a aspersão de água nos sacos de pano para que houvesse temperatura favorável à ação de microrganismos patogênicos foi feita avaliações mensais dos grãos. Foram avaliados a qualidade física, teor de água: água por unidade de massa do grão úmido ou seco.

A determinação foi de forma indireta por meio do aparelho g810. Classificação física foi efetuada com base no padrão oficial de classificação da soja, estabelecido pela instrução normativa nº11, do ministério da agricultura pecuária e abastecimento – mapa de 15/05/2007, complementada com a instrução normativa n° 37 de 07/07/2007. Peso hectolítrico (ph): foi determinado em um equipamento portátil com balança de precisão incorporada e também pelo aparelho g810.

Com relação as qualidades sanitárias, foram feitas análises de acordo com as instruções do manual de análise sanitária de sementes (Brasil, 2009). Tratamentos estatísticos, o experimento foi inteiramente casualizado com cinco tratamentos e quatro repetições, avaliando o teor de água, classificação física, peso hectolítrico e qualidade sanitária. Os tratamentos são a cultivar de soja. A subparcela corresponde ao período de ( T1:0, T2:30, T3:60, T4:90, T5: 120).

Resultados e Discussão

Não foram observadas diferenças na massa especifica dos grãos em até 60 dias de armazenamento, só a partir dos 90 dias pode-se notar perdas na massa especifica dos grãos. Muir (2000), verificou que a redução na massa de grãos de soja é devido a deterioração dos grãos, causadas por fungos, afirmou que a faixa ótima de temperatura para o desenvolvimento da maioria dos microrganismos está compreendida entre 20 e 40 ºC. Christensen e Kaufmann (1974), afirmaram que o teor de água e a temperatura são fatores limitantes para o desenvolvimento de fungos de armazenamento; eles afirmaram, ainda, que o valor mínimo exigido de teor de água para o desenvolvimento de Aspergillus glaucus no intervalo de temperatura entre 26 e 30ºC é de 73%.

O teor de água nos grão foram se elevando ao longo do período de armazenamento. Esses dados estão de acordo com o que Muir (2000) encontrou em seus estudos, atribui-se o aumento do teor de água tanto pela atividade respiratória dos grãos como da microflora a eles associada, embora a taxa respiratória dos grãos seja, geralmente, menos intensa que a dos microrganismos.

Ainda de acordo com o autor, a respiração dos grãos é mais intensificada a medida em que se tem teores de água mais elevados, embora a temperatura, a umidade relativa e o estado de conservação, também influenciem no metabolismo dos grãos; eles ressaltam, também, que a água produzida durante o processo respiratório aumenta o teor de água do produto que, por sua vez, intensifica o desenvolvimento e a taxa respiratória da microflora.

A massa Mil, manteve-se contante até os 90 dias, sendo alterada apenas aos 120 dias de armazenamento, variações no peso dos grãos podem ser influenciadas pela cultivar, bem como as condições do local de armazenamento, Estes valores variam, tipicamente, entre 140 a 220 g/1000.

Tabela 1: Variações de massa, teor de água, peso e infestações fúngicas.

Os fungos foram aumentando sua quantidade ao longo do tempo de armazenamento, fusarium começou com 50 dias, logo após diminui e aos 90 dias em diante aumentou sua incidência nos grãos. O aspergillus começou com um numero baixo de fungos em torno de 22,33%, mas ao longo dos dias foi aumentando até chegar a 40,33% nos 120 dias de armazenamento. Dos três fungos surgidos nos grãos, o penicillium foi o de menor incidência, tendo um numero baixo comparado as demais.

Conclusão

Os fungosFusarium  e Aspergillus foram os que mais causaram incidência num curto prazo, apresentaram também ampla faixa de variação no crescimento. A combinação de teores de água e temperaturas mais elevadas intensifica o processo de deterioração e contaminação dos grãos de soja armazenados. Para comercialização de soja e menor impacto, é preciso que se controlem corretamente esses fatores para que possa evitar assim as perdas na qualidade do grão, mantendo o valor e a qualidade do produto.

 


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Referências

BRASIL. Instrução Normativanº11, do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento – MAPA de 15/05/2007.

BROOKER, D. B.; BAKKER, A.; Fred, W. ; HALL, C. W. Secagem e armazenagem de grãos e
oleaginosas. Springer Science & Business Media, 1992.

COUTO, S. M.; Silva, M. A.; REGAZZI, J. A. Um método de CE é apropriado para avaliação quantitativa do dano mecânico. Transações da ASAE, v. 41, n. 2, p. 421, 1998.

CHRISTENSEN, C. M.; KAUFMANN, H. H. Microflora. CHRISTENSEN, CM armazenamento de cereais em grão e os seus produtos. St. Paul: Associação Americana de Químicos de Cereais, p. 158-192, 1974.

LAZZARI, F. A. Umidade, fungos e micotoxinas na qualidade de sementes, grãos e rações. Ed. do autor, 1997.

MUIR, W. E. Grãos de preservação Biosystems. Universidade de Manitoba. Winnipeg, Manitoba. 2000.

Informações dos autores

¹Engenheira Agrônoma.

²Engenheira Agrônoma.

³Engenheiro Agrônomo.

Disponível em: Anais do II Congresso Online para Aumento de Produtividade do Milho e Soja (COMSOJA), Santa Maria, 2019.

Equipe Mais Soja
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