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Análise semanal do Mercado da Soja: diante de estoques chineses baixos, preços do farelo de soja estão em níveis recordes

As cotações da soja, em Chicago, recuaram nesta semana. O bushel da oleaginosa, para o primeiro mês cotado, fechou a quinta-feira (29) em US$ 14,10, após US$ 14,08 nos dois dias anteriores.Uma semana antes o fechamento havia sido de US$ 14,57.

O mercado esteve na expectativa do relatório trimestral que o USDA vai divulgar no dia 30/09, o qual comentaremos em detalhes no boletim da próxima semana.

Dito isso, a colheita da soja, nos EUA, até o dia 25/09, atingia a 8% da área semeada, contra 13% na média histórica e 15% na mesma data do ano anterior. Das lavouras ainda a colher, 55% estavam entre boas a excelentes, 30% regulares e 15% entre ruins a muito ruins.

Por sua vez, na semana encerrada em 22 de setembro, os EUA embarcaram apenas 257.547 toneladas de soja, ficando bem abaixo das expectativas do mercado. Assim, em todo o atual ano comercial, iniciado em 1º de setembro, o total já embarcado chega a 1,17 milhão de toneladas, 18% a mais do que no mesmo período do ano passado.

Por outro lado, na China os preços do farelo de soja estão em níveis recordes, diante de uma crescente demanda dos criadores após meses de importações fracas de soja. Afinal, os preços do suíno já subiram cerca de 40% neste verão chinês. Lembrando que os esmagadores de soja da China haviam reduzido as compras de soja, nos últimos meses, devido aos elevados preços globais e à baixa demanda da indústria pecuária. Com isso, as importações chinesas de soja, em agosto, caíram 25% em relação a agosto do ano anterior, e 8,6% nos primeiros oito meses de 2022 sobre o mesmo período de 2021. Agora, a preocupação é que o mercado chinês esteja ficando  sem farelo pois, especialmente no nordeste da China, houve interrupção no esmagamento de soja devido à escassez de grãos.

Os estoques de farelo de soja, na China, caíram por 10 semanas consecutivas, para 493.000 toneladas, na semana encerrada em 17 de setembro, volume bem abaixo da média de cinco anos que é de 845.000 toneladas (cf. Shanghai JC Intelligence Co Ltd). Hoje, os preços do farelo estão mais altos, para os criadores chineses, do que o pico atingido em março passado, quando a invasão russa da Ucrânia agitou os mercados globais de grãos, e também estão cerca de 40% mais altos do que um ano atrás, quando o racionamento de energia forçou algumas fábricas a fechar.

Já na Argentina, a projeção para a nova safra de soja é de 48 milhões de toneladas, além de 50 milhões de toneladas de milho, segundo a Bolsa de Buenos Aires. A Bolsa também indicou que a produção de trigo do país, neste ano, será de 17,5 milhões de toneladas. Lembrando que a Argentina é o maior exportador mundial de óleo e farelo de soja e um importante fornecedor de milho e trigo para o mundo.

Enfim, projeções para a safra de soja 2022/23, para a América do Sul, dão conta de uma colheita de 219,3 milhões de toneladas, com aumento de 21% sobre a frustrada safra passada. A área a ser semeada atingiria a 66,1 milhões de hectares, com alta de 3% sobre o ano anterior. Em se confirmando tudo isso, será um novo recorde histórico para a região. A grande incógnita é se os efeitos negativos do La Niña (seca, em particular) continuarão ou não para este próximo verão regional. Para o Brasil, a produção projetada é de 151,8 milhões de toneladas, sobre uma área de 43 milhões de hectares. Na Argentina, para uma área de 17 milhões de hectares, a produção esperada é de 49,6 milhões de toneladas, com um crescimento de 14% sobre a safra anterior. No Paraguai, a área chegará a 3,8 milhões de hectares, fato que pode resultar em uma produção de 10,9 milhões de toneladas, sendo mais do que o dobro da frustrada safra passada. Já a Bolívia deverá produzir 3,5 milhões de toneladas, com aumento de 3% sobre a safra deste ano, a partir de uma área semeada de 1,49 milhão de hectares. Enfim, o Uruguai deverá semear 1,22 milhão de hectares, com aumento de 5% sobre a safra 2021/22, tendo um potencial de produção ao redor de 3,43
milhões de toneladas, ou seja, 4% acima do colhido na última safra. (cf. Datagro)

Enquanto isso, no Brasil, os preços da soja se estabilizaram, com leve viés de alta na semana. A média gaúcha, no balcão, ficou em R$ 171,27/saco, enquanto as principais praças locais praticaram valores em torno de R$ 170,00. Já nas demais praças nacionais os preços da soja oscilaram entre R$ 157,00 e R$ 170,00/saco.

Dito isso, o plantio da nova safra 2022/23 chegava a 2% da área total esperada, no dia 23/09, com o Paraná atingindo a 9%, e o Mato Grosso e Mato Grosso do Sul com 2% cada um. (cf. Safras & Mercado)

Por sua vez, a Anec informou que sua projeção de exportação de soja, em setembro, é de 3,8 milhões de toneladas, contra 4,2 milhões projetadas na semana anterior. Já a exportação de farelo de soja ficaria em 2,01 milhões de toneladas, contra 2,2 milhões estimadas na semana anterior.

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Fonte: Informativo CEEMA UNIJUI, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUI, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUI).

Equipe Mais Soja
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