Herbicidas controlam ervas daninhas, interferindo com a forma como elas crescem. Isso é conseguido através de vários ‘modos de ação’ (MOA), que em última análise, bloqueiam a germinação das sementes ou o estabelecimento de mudas; impedem a produção de carboidratos essenciais, proteínas ou lipídios (óleos e gorduras) pelas plantas; ou desidratam folhas e caules. Conhecer o MOA de um herbicida é importante para entender como usar esse herbicida da maneira mais eficaz. É um elemento importante, tanto na seletividade de herbicidas quanto na resistência de ervas daninhas.

Modos de ação que envolvem a fotossíntese:

Quatro tipos de herbicidas afetam principalmente a fotossíntese. Paraquat e diquat, são os únicos membros do primeiro tipo. Quando a energia solar é captada pela clorofila, ela é transferida em um fluxo de elétrons através do ‘Fotossistema I’. O paraquat desvia este fluxo, o que resulta na produção de radicais livres altamente reativos, destroem muito rapidamente as membranas celulares, que derramam o conteúdo manisfestando-se como amarelecimento e ressecamento. Isso acontece em poucas horas sob luz solar intensa, devido aos altos níveis de energia que foge do controle. Quase todas as plantas verdes são afetadas pelo paraquat, o que o torna um herbicida não seletivo de amplo espectro.

O segundo tipo bloqueia a transferência de energia através do ‘Fotossistema II’. Herbicidas desse tipo (‘inibidores do FS II’) se ligam a uma proteína envolvida na cadeia de transmissão, reduzindo sua eficácia. Isso causa algum desvio de elétrons, com resultados similares, porém mais lentos, que os do paraquat, e retarda o crescimento devido ao menos aporte de energia para a fotossíntese. Triazinas, como a atrazina, e ureases, como o clortoluron, são inibidores do FSII, mas têm MOAs levemente diferentes, pois se ligam à proteína em questão em pontos diferentes.

Um terceiro tipo, os inibidores da protoporfirinogênio oxidase (PPO), interferem com uma enzima envolvida na produção de clorofila e outras moléculas de grande importância na fotossíntese. Sem clorofila nova, as folhas amarelam e a fotossíntese diminui. No entanto, as estruturas formadoras de clorofila não utilizadas se acumulam e reagem com o oxigênio, formando radicais livres reativos que são especialmente destrutivos para as espécies de folhas largas.

O quarto tipo de inibidor da fotossíntese, impede a produção de pigmentos de folhas chamadas carotenóides. Estes são conhecidos como as cores de outono, quando a clorofila verde se degradou. Os carotenóides têm um papel na proteção da clorofila contra destruição devido a mais energia luminosa do que pode processar. Herbicidas nesta categoria têm vários alvos diferentes, mas todos resultam em plantas tratadas que desbotam e se tornam brancas.

Para simplificar, um quinto tipo pode ser adicionado. Ele tem um único membro comercial, o glufosinato. Embora seja um inibidor enzimático, ele indiretamente afeta a fotossíntese, e seus sintomas que aparecem mais rápido se devem à destruição da membrana, resultando em desidratação.

MOA Efeito em ervas daninhas
Inibição do fotossistema I (FSI)
  • A fotossíntese é afetada levando à destruição das membranas celulares, o efeito específico é muito mais rápido do que outros desidratantes;
  • As folhas amarelam e ressecam especialmente rápido na luz solar;
  • Espectro muito amplo de ervas daninhas controladas; somente aplicação foliar; inativados e imobilizados em contato com o solo; exclusivo de paraquat e diquat.
Inibição do fotossistema II (FSII)
  • A fotossíntese é afetada levando à destruição das membranas celulares, porém, mais lentamente do que por outros desidratantes;
  • Amarela e resseca as folhas a partir das pontas, bordas e entre os vasos;
  • Aplicação pré e pós-emergência com efeitos residuais no solo; o espectro de ervas daninhas e a seletividade de culturas variam; vários tipos diferentes, inclusive: triazinas (por exemplo, a atrazina), ureases (por exemplo, isoproturona); nitrilas (por exemplo, bromoxinil).
Inibição da protoporfirinogênio oxidase (PPO)
  • Ressecamento rápido de todo o tecido verde em contato de pulverizações foliares;
  • Sistêmica, com ação mais lenta quando entra pelas raízes;
  • Tendenciosa para controle de plantas daninhas de folhas largas em várias culturas, por exemplo, fomesafen.
Inibição da biossíntese de carotenóides, por exemplo, 4-hidroxifenil-piruvato-dioxigenase (HPPD)
  • Os pigmentos da folha não podem ser sintetizados ou protegidos e, portanto, se degradam;
  • Brotos são ficam brancos;
  • Aplicação pré e pós-emergência para ervas daninhas-alvo e culturas diferentes, dependendo do produto, por exemplo, mesotriona, clomazona, norflurazon.
Glutamina sintetase
  • Provoca acúmulo de amônia, que destrói as membranas celulares e para a fotorrespiração e a fotossíntese por privação de doadores de aminoácidos;
  • Os brotos amarelam e ressecam, porém mais lentamente do que com paraquat;
  • Controla um amplo espectro de ervas daninhas jovens apenas com pulverizações foliares; exclusivo do glufosinato.

 

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Fonte: Centro de Informações sobre o Paraquat

Texto originalmente publicado em:
Centro de Informações sobre o Paraquat
Autor: Centro de Informações sobre o Paraquat

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