A cotação da soja, em Chicago, para o primeiro mês, oscilou ao redor de US$12,00/bushel, após ter atingido a US$ 11,77 no dia 15 e US$ 12,13 no dia 18. A continuidade da guerra no Oriente Médio, apesar dos constantes anúncios de uma possível paz, que nunca ocorre, sustentam os preços. Assim, o fechamento desta quinta-feira (21) ficou em US$ 11,94/bushel, contra US$ 11,74 uma semana antes.
Estas oscilações continuarão alimentadas pela guerra, enquanto a mesma não chegar a um fim, mas também, a partir de agora, pelo clima nos EUA em função da nova safra de soja naquele país.
Neste sentido, até o dia 17/05 o plantio da nova safra de soja estadunidense atingia a 67% da área esperada, contra a média histórica de 53% para esta data. Registre-se que este plantio está avançando rapidamente. Por sua vez, na data indicada 32% das lavouras da oleaginosa já haviam germinado, contra 23% na média.
Dito isso, a Índia informou que suas exportações de farelo de soja devem recuar 50% no corrente ano, sendo este o nível mais baixo dos últimos quatro anos, depois que os preços locais subiram 47% em abril. Houve perda de competitividade perante os concorrentes internacionais, em particular Argentina, EUA e Brasil. Compradores asiáticos, que normalmente se abastecem na Índia, tendem a buscar o farelo nas Américas. Para se ter uma ideia desta perda de competitividade, “o farelo de soja indiano está sendo oferecido por cerca de US$ 680,00/tonelada FOB para embarques em junho, contra US$ 430,00 oferecidos pelos fornecedores sul-americanos”.
Assim, as exportações da Índia tendem a recuar para cerca de 900.000 toneladas no ano comercial de 2025/26, que termina em setembro naquele país, abaixo dos 2,02 milhões de toneladas do ano passado. “A Índia é o maior importador de óleo vegetal do mundo, mas tem um excedente de farelo de soja, que envia para países asiáticos e europeus, como Bangladesh, Nepal, Alemanha e Holanda, onde normalmente obtém um prêmio por ser produzido a partir de sementes de soja não geneticamente modificadas. O país do sul da Ásia importa a maior parte de sua necessidade de óleo de palma da Indonésia e da Malásia, enquanto o óleo de soja e o óleo de girassol são provenientes principalmente da Argentina, do Brasil, da Rússia e da Ucrânia” (cf. Reuters).
E no Brasil, com um câmbio ao redor de R$ 5,00 por dólar nesta semana, os preços da soja pouco mudaram. As principais praças gaúchas praticaram valores entre R$ 113,00 e R$ 115,00/saco, enquanto no restante do país os valores oscilaram entre R$ 100,00 e R$ 114,00/saco.
O recente relatório da Conab, anunciado dia 14/05, apontou que a colheita final brasileira de soja, em 2025/26, teria sido de 180,1 milhões de toneladas, contra 171,5 milhões no ano anterior. O Rio Grande do Sul teria alcançado 18,6 milhões de toneladas, após uma expectativa inicial de até 22 milhões, porém, assim mesmo acima do colhido no ano anterior que foi de 16,6 milhões de toneladas. A área total semeada no país foi de 48,7 milhões de hectares e a produtividade média alcançou 3.698 quilos/hectare (61,6 sacos/ha), enquanto o Rio Grande do Sul alcançou a 2.769 quilos (46,2 sacos/ha). Ou seja, em função da estiagem, a produtividade média gaúcha ficou 25% abaixo da registrada no país.
Dito isso, a próxima safra de soja nacional, do ano de 2026/27, cujo plantio inicia em setembro, deve ter o menor crescimento de área semeada em 20 anos. Com isso, a área total aumentará em apenas 400.000 hectares. Duas causas estariam na origem desta realidade: margens apertadas por parte dos produtores; alta no custo de produção, especialmente dos fertilizantes. Por sua vez, se continuar neste ritmo, os biocombustíveis poderão ser a principal alavanca do crescimento da produção de soja e milho no país, talvez desbancando as exportações (cf. Consultoria Veeries).
A questão central, se isso vier a ocorrer (nos parece cedo para isso) é o que fazer com o farelo, especialmente no caso da soja, pois de cada grão moído tem-se, em média, 18,5% de óleo e 78% de farelo. Existem projeções de que a área plantada de soja no Brasil, em cinco anos, atinja a 54,6 milhões de hectares, com a produção brasileira passando das atuais 180 milhões de toneladas para 210 milhões de toneladas, enquanto a área de milho, no mesmo período, chegaria a 27 milhões de hectares, com a produção total saltando dos atuais 140 milhões para 185 milhões de toneladas.
Não é impossível, porém, consideramos bastante ousadas tais projeções, levando-se em consideração os custos de crédito e de produção em geral, além das mudanças climáticas que vêm surgindo.
Enfim, segundo a Anec, as exportações de soja brasileira, em maio, deverão atingir a 16,1 milhões de toneladas, se aproximando do recorde de 16,2 milhões ocorrido em abril. Já a exportação de farelo tende a chegar a 2,78 milhões de toneladas em maio, continuando a ser um recorde apesar do recuo em relação à última estimativa.
Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).





