A colheita de milho no Rio Grande do Sul chegou a 18% da área implantada com a cultura. As condições climáticas de chuvas em todas as regiões beneficiaram as lavouras, que estão em diversas fases de desenvolvimento.

Na região de Bagé, na Campanha, a chuva adequou a umidade nos solos para retomada do plantio de lavouras do tarde. Nas lavouras já estabelecidas, percebeu-se excelente desenvolvimento, com ganho de porte, emissão de folhas novas, coloração verde escuro e ótimas condições para a polinização. O potencial produtivo das lavouras para produção de silagem e para produção de grãos está bastante promissor, à exceção de cultivos em áreas com estande muito baixo de plantas. Lavouras cujas plantas apresentam de quatro a 10 folhas recebem aplicações de fertilizantes nitrogenados. O uso de inseticidas é realizado em poucas lavouras para manejo de lagartas, pois com os altos volumes de chuvas registrados na semana, é esperada menor pressão do ataque da praga. Na Fronteira Oeste, onde o clima permitiu, foi possível prosseguir com a colheita. Em São Gabriel, Manoel Viana e Maçambará, há redução no rendimento, pois a ausência de chuvas afetou a cultura no florescimento, resultando em má granação das espigas. As lavouras em desenvolvimento apresentam boa sanidade, sem registros de doenças foliares e de colmo. Por outro lado, a lagarta do cartucho foi observada na maior parte das lavouras.

Na regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, segue a colheita; estima-se que 30% das áreas estejam colhidas ou foram liberadas para produzir silagem. Os danos causados pela estiagem são irreversíveis, com redução significativa de produtividade; poucas das áreas colhidas até o momento rendem três mil quilos por hectare, redução expressiva frente à expectativa inicial de oito mil quilos por hectare.

Na de Soledade, as chuvas favoreceram as lavouras com semeadura tardia, principalmente no baixo Vale do Rio Pardo, onde a ausência de chuvas por três semanas causou forte estresse hídrico na cultura, paralisando o crescimento e produzindo impactos na produtividade. O retorno da chuva amenizou a estiagem, e o reforço de chuvas volumosas no final de semana estabiliza o crescimento e o desenvolvimento da cultura. Continuaram na semana os tratos culturais de adubação nitrogenada em cobertura e o controle de plantas invasoras em pós-emergência em lavouras com plantios mais tardios – lavouras pós-tabaco e em restevas de milho silagem. Há registros de incidência da lagarta do cartucho Spodoptera frugiperda. Para a maioria dos casos, agricultores realizam o controle químico; alguns complementam com controle biológico usando o Trichogramma pretiosum, a vespinha.

Na regional de Ijuí, o percentual colhido chega a 10% da área total do plantio. O lento avanço da colheita se dá devido ao alongamento do ciclo provocado pela estiagem. As primeiras lavouras colhidas foram as mais prejudicadas pela falta de chuva e apresentam menores produtividades. Os produtores optam por realizar a colheita com umidade um pouco acima da ideal para a operação a fim de liberar as lavouras para outro cultivo de milho durante o mês, ainda no período recomendado pelo zoneamento de risco climático para a cultura. À medida que a colheita avança, a produtividade das lavouras vai melhorando, mas ainda apresenta grande diferencial de produtividade conforme o volume de chuvas ocorrido durante o ciclo. Lavouras em final do estádio de granação e início da maturação têm melhor potencial produtivo.

Na regional da Emater/RS-Ascar de Porto Alegre, as lavouras em início de desenvolvimento vegetativo e na floração são as mais afetadas pela falta de chuva durante o ciclo. A chuva da última semana estimula a recuperação das lavouras. Agricultores planejam a retomada do plantio de milho safrinha que se estende até fevereiro. A semeadura chega a 80% do total. Lavouras do cedo obtiveram produção mais adequada devido ao favorecimento climático, mas em algumas localidades as lavouras produziram pouco devido à falta de água na fase de pendoamento. O milho encontra-se em diversas fases: plantio, crescimento vegetativo, floração, enchimento de grão e maturação; 3% das lavouras foram colhidas. Não há presença de pragas e doenças. Devido ao uso de sementes predominantemente transgênicas, não tem havido ataque de lagartas, muito comum nesta época. Algumas poucas lavouras implantadas com milho comum apresentam ataque moderado de lagartas.

Na regional de Pelotas, foi retomada a semeadura nas áreas ainda por plantar, beneficiadas enormemente com o bom volume de chuvas. Na região Colonial, as áreas de milho devem ser semeadas durante janeiro, após a colheita do tabaco. A maioria das lavouras está na fase de desenvolvimento vegetativo; outras, em pendoamento e enchimento de grãos. Os produtores seguem com os manejos da fase vegetativa e com aplicações da adubação em cobertura nas áreas em condições favoráveis para esta prática. Prosseguem também as aplicações de herbicidas e o monitoramento de pragas, principalmente a lagarta do cartucho.

Na de Caxias do Sul, com as boas chuvas do início e final da semana, a cultura continua exibindo ótimo crescimento, desenvolvimento, vigor e sanidade, mantendo a expectativa de bons rendimentos na grande maioria das áreas. A maior parte das lavouras se encontra em crescimento vegetativo e em início de florescimento. Há poucos relatos de ataque de pragas, principalmente a lagarta do cartucho, praga com potencial de ataque e de danos maiores em períodos de baixa precipitação, embora os genes de resistência das sementes implantadas.

Na regional de Erechim, as lavouras intensamente atingidas pela estiagem foram eliminadas, e as replantadas apresentam bom desenvolvimento. Na de Passo Fundo, toda a cultura encontra-se germinada, ainda que em alguns casos a germinação seja desuniforme; 75% estão em fase de desenvolvimento vegetativo e 25% em fase de floração.

Na de Santa Maria, o plantio atinge 75% da área prevista para a cultura. Os plantios são realizados ao longo da janela de semeadura (ZARC), finalizada em 30 de janeiro, caso em que predomina a semeadura em áreas de resteva de cultivo com tabaco e feijão. Com as chuvas das últimas semanas, os plantios foram intensificados para o milho safrinha. As fases da cultura são as seguintes: 35% em desenvolvimento vegetativo, 22% em floração, 30% em enchimento de grãos, 11% em maturação e 2% foram colhidos.

Na regional da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, a área implantada chegou a 94%, incremento de 3% na semana. As lavouras mais recentes apresentam bom desenvolvimento, beneficiado pelas chuvas. Na região, 25% dos cultivos estão maduros e 54% colhidos; os relatos são de baixa qualidade do produto final. Seguem os comunicados de perdas, porém em menor número. A produtividade média esperada era de 8.200 quilos por hectare, e situa-se agora em 2.617. Em Cerro Largo, há falta de grãos para compra; quando há, os valores chegam próximos aos R$ 100,00/sc. de 60 quilos.

Mercado (saca de 60 quilos)

De acordo com o levantamento semanal realizado pela Emater/RS-Ascar no Estado, o preço médio do milho aumentou novamente e ficou em R$ 77,65.

Na região de Ijuí, o produto é comercializado a valores entre R$ 72,00 e R$ 78,00/sc. O preço para produto disponível em Cruz Alta é de R$ 87,00. Na regional de Santa Rosa, R$ 77,40. Na regional de Pelotas, R$ 85,00. Na de Erechim, R$ 79,00; na de Caxias do Sul, R$ 75,00; em Frederico Westphalen, R$ 77,00; na de Soledade, R$ 75,70; na região de Santa Maria, o valor médio de comercialização é de R$ 77,44; e na de Porto Alegre, R$ 77,00/sc.

Fonte: Emater/RS-Ascar – Disponível em Informativo Conjuntural – nº 1642

Texto originalmente publicado em:
Emater/RS-Ascar
Autor: Informativo Conjuntural – nº 1642

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