A mosca-branca (Bemisia tabaci MEAM1) é uma das principais pragas da cultura da soja, ocasionando graves prejuízos econômicos à cultura devido às dificuldades de seu manejo (Figura 1). Falhas de controle e escassez de informações atualizadas têm levado os produtores brasileiros de soja a aumentar excessivamente o número de pulverizações por safra, principalmente na região Centro-Oeste do país. Como conseqüência, os custos de controle aumentam e a sustentabilidade de longo prazo dessa estratégia de controle é prejudicada, devido à seleção de populações resistentes e potenciais efeitos nocivos ao meio ambiente (ARNEMANN et al., 2019).

Figura 1. Mosca-branca adulta em folha de soja

Fonte: Grupo de Manejo e Genética de Pragas – UFSM

O manejo integrado de pragas (MIP) é o uso de diferentes estratégias para controle e convivência com a espécie-praga. Entre as melhores opções de inseticidas disponíveis atualmente no mercado para o controle de mosca-branca, estão os produtos do grupo dos reguladores de crescimento, como pyriproxyfen (Figura 2). Esse inseticida interrompe o desenvolvimento das ninfas de B. tabaci, impedindo a ocorrência de novos ciclos. Por outro lado, o controle dos adultos também reduz o crescimento populacional da praga, em função da redução na postura de ovos.

Certos estágios do ciclo de vida da mosca-branca são mais suscetíveis ao controle natural por predadores, parasitóides e patógenos. Dentre os parasitoides de B. tabaci com ocorrência natural no Brasil, destacam-se os gêneros Encarsia, Eretmocerus e Amitus. A utilização de produtos seletivos para o controle de B. tabaci, como os reguladores de crescimento, representa uma forma de auxiliar na conservação de inimigos naturais, favorecendo assim o controle biológico da espécie.

Na figura abaixo são apresentados os resultados de alguns produtos registrados para controle e que compreendem os principais ingredientes ativos utilizados no manejo da praga. Estes inseticidas foram avaliados em 25 experimentos nas safras 2017/18 e 2018/19 conduzidos por 13 instituições de pesquisa. Estes resultados constam na publicação da  Embrapa, CIRCULAR TÉCNICA – 158 – Resultados sumarizados dos ensaios cooperativos, 2020. Clique aqui para conferir.

Figura 2. Número de ninfas por folíolo (NNF) e eficiência (Ef%) dos tratamentos com inseticidas específicos para Bemisia tabaci – biótipo B em relação à testemunha sem controle aos 7 dias após a primeira aplicação (dda1) e aos 3, 7, 10 e 15 dias após a segunda aplicação (dda2) dos ensaios que apresentaram população média 7,8 a 9,3 ninfas por folíolo (menor infestação) na safra 2018/2019.

Fonte: Embrapa, CIRCULAR TÉCNICA – 158 – Resultados sumarizados dos ensaios cooperativos, 2020. Clique aqui para conferir.

Apenas para ilustrar, quanto ao impacto da praga na produtividade, neste mesmo ensaio os resultados obtidos foram estes:

Figura 3: Produtividade média (kg ha−1) e eficiência (%Ef) dos tratamentos com inseticidas específicos para Bemisia tabaci – biótipo B em relação à testemunha sem controle (T11) nos ensaios da safra 2018/2019.

Na publicação original, podem ser encontrados os dados referentes as duas safras conduzidas no ensaio realizado em rede.

Os piretróides como um todo são preferidos pelos produtores devido ao seu efeito rápido e visível; no entanto, seu amplo espectro de ação também pode resultar em efeitos prejudiciais sobre os inimigos naturais, como parasitóides e predadores. Aplicações sequenciais são particularmente importantes para o desempenho de inseticidas piretróides, que proporcionam basicamente um efeito de choque (SALGADO, 2013). Os inseticidas pertencentes ao grupo químico dos neonicotinóides, por outro lado, proporcionam efeito residual mais prolongado aliado à sistemicidade na planta (STAMM et al., 2016), o que pode estar ligado a uma maior eficiência de controle das ninfas de B. tabaci (ARNEMANN et a., 2019).

Ao infestarem a cultura da soja, as ninfas de mosca-branca tendem a concentrar-se nos terços médio e inferior das plantas (CZEPACK et al., 2018), no lado abaxial dos folíolos e nas áreas central e inferior de sua superfície (POZEBON et al., 2019). Portanto, os adultos de B. tabaci estão mais expostos ao contato direto com o inseticida pulverizado, enquanto o controle das ninfas depende mais da eficácia de translocação do inseticida dentro da planta.

Arnemann et al. (2019) observaram aumento na eficiência de controle de mosca-branca após a segunda aplicação, indicando que pulverizações sequenciais começando no início da infestação são um fator chave para o controle de B. tabaci nas lavouras de soja. Consequentemente, o limiar de controle da mosca-branca na soja deve ser estabelecido em um estágio inicial da infestação. Segundo Padilha et al. (2020), esse limiar é alcançado quando a densidade populacional média da praga chega a 1,5 mosca-branca por trifólio, considerando um custo de controle de R$ 90,00 por hectare e valor da soja de R$ 120,00 por saca.

Ademais, segundo Arnemann et al. (2019) a combinação dos inseticidas ciantraniliprole + lambda-cialotrina, na dose de 100 + 7,5 g de ingrediente ativo por hectare proporcionou a maior eficácia de controle para adultos de mosca-branca (65% de controle). Já para as ninfas, o tratamento mais eficiente foi a combinação acetamiprido + pyriproxyfen, na dose de 60 + 30 g de ingrediente ativo por hectare (67% de controle).

è importante lembrar, que o manejo integrado compreende diferentes pilares, e até mesmo o controle de plantas daninhas também contribui para evitar a proliferação da praga na entressafra, já que muitas delas servem como plantas hospedeiras para B. tabaci.

Considerações finais

No cenário atual de proteção das culturas agrícolas, o uso de inseticidas químicos continua sendo a estratégia de controle mais eficiente e economicamente viável para B. tabaci na soja. Entretanto, a exposição contínua aos inseticidas sem alternância de modos de ação eleva o risco de surgimento de populações resistentes, comprometendo a eficácia dessa técnica em longo prazo. Assim, é imprescindível a adoção de medidas preventivas que desfavoreçam o desenvolvimento de mosca-branca nas áreas de cultivo de soja, empregando-se o controle químico em uma estratégia integrada com medidas de controle biológico e cultural.

Revisão: Henrique Pozebon, Mestrando PPGAgro  e Prof. Jonas Arnemann, PhD. e Coordenador do Grupo de Manejo e Genética de Pragas – UFSM



REFERÊNCIAS

ARNEMANN, J. A. et al. 2019. Managing whitefly in soybean. Journal of Agricultural Science. Disponível em http://www.ccsenet.org/journal/index.php/jas/article/view/0/39733

BUENO, A. F. et al. Mosca-branca. Ageitec – Agência Emrapa de Informação Tecnológica. Disponível em https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/soja/arvore/CONT000fznzu9ib02wx5ok0cpoo6ariubmhq.html

PADILHA, G. et al. Damage assessment of Bemisia tabaci and economic injury level on soybean. Crop Protection, 2020. Artigo em trâmite para publicação.

VIEIRA, S. S. Redução na produção da soja causada por Bemisiatabaci(Gennadius) Biótipo B (Hemiptera: Aleyrodidae) e avaliação de táticas de controle. Dissertação de Mestrado. Lajes, SC. Disponível em http://www.cav.udesc.br/arquivos/id_submenu/721/dissertacao_simoni_silveira.pdf

VIVIAN, L. Manejo de infestação de mosca branca em soja e algodão. Revista Cultivar. Disponível em https://www.grupocultivar.com.br/artigos/alta-infestacao

YOKOYAMA, M. Controle da mosca branca (Bemisiatabaci raça B). Pioneer. Disponível em http://www.pioneersementes.com.br/media-center/artigos/62/controle-da-mosca-branca-bemisia-tabaci-raca-b

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