Os problemas fitossanitários estão entre os principais fatores que limitam a obtenção de altos rendimentos em soja, destacando-se os nematoides como patógenos responsáveis por prejuízos crescentes (ALMEIDA et al., 2005). Dentre os gêneros de maior importância e interesse econômico para a soja, destaca-se a espécie Pratylenchus brachyurus (nematoide das lesões radiculares).

O ataque desses nematoides resulta muitas vezes na redução do tamanho das plantas, com intenso abortamento de vagens durante o florescimento e amadurecimento prematuro das plantas, podendo os danos variarem de 30 a 50% em função da intensidade do ataque (GOULART, 2008; DIAS, 2010). Anualmente o agronegócio nacional contabiliza prejuízos em torno de R$ 35 bilhões provocados pelo ataque de fitonematoides. Apenas na produção de soja, as perdas são estimadas em R$ 16,2 bilhões (Rivas, 2015).

A erradicação de nematoides em área infestada é extremamente difícil. Entre as estratégias de manejo integrado consideradas mais promissoras, podem ser citadas a rotação ou sucessão de culturas com espécies não hospedeiras, a utilização de cultivares resistentes ou tolerantes e o tratamento químico ou biológico (ARAÚJO et al., 2012).


Veja também: Manejo do nematoide das lesões (Pratylenchus brachyurus) na cultura da soja


Pratylenchus brachyurus é um endoparasita migrador, que se movimenta livremente no solo e na raiz, promovendo necroses no sistema radicular e favorecendo a entrada de fungos e bactérias patogênicos. Dentre os manejos possíveis para P. brachyurus destacam-se as aplicações de defensivos químicos e/ou biológicos no sulco de semeadura e/ou no tratamento de sementes, rotação com plantas não hospedeiras e plantas antagonistas.

Os produtos biológicos se mostram muito eficientes no manejo de fitonematoides, destacando-se as bactérias do gênero Bacillus spp., que apresentam habilidade de sobreviver no solo através de endósporos – estruturas de resistência – e na produção de substâncias nematóxicas que podem alterar os exsudatos radiculares da planta e/ou promover a repelência/morte dos nematoides (Vaz et al., 2011).

Pensando nisso, em trabalho apresentado e publicado nos anais da 37ª Reunião de Pesquisa de Soja, os pesquisadores Souto, C.E.S.; Carrillo, M.R.; Neto, A.M.S.; Paniago, H.L.; Arantes, E.M.C.; Muniz, C.R.; e Freire, E.S. realizaram um trabalho intitulado “ Pulverização de defensivos biológicos no manejo de Pratylenchus brachyurus na soja”, com o objetivo de estudar uma nova forma de manejo para P. brachyurus induzindo resistência sistêmica em plantas de soja, através da aplicação de agentes de biocontrole, após a cultura já estabelecida no campo. Para acessar o trabalho completo clique aqui.


Veja também: Reação de cultivares de soja à Pratylenchus brachyurus


Esses autores concluíram com o trabalho que o tratamento 0,5 L p.c. ha-1 de B. subtilis BV09 reduz a população de P. brachyurus no sistema radicular e no solo, além de promover incremento no peso de mil grãos. A aplicação aérea de B. amyloliquefaciens BV03 nas doses de 0,25 e 0,5 L p.c. ha-1 também foram eficientes no manejo da população de P. brachyurus no solo e na raiz, além de promover forte incremento produtivo. Contudo, talvez sejam necessários maiores estudos na concentração das doses.

Veja os resultados obtidos pelos autores nas tabelas abaixo e figuras abaixo.

Tabela 1. Descrição dos tratamentos, nome comercial, forma de aplicação e doses. Rio Verde, safra 2018/2019.

Fonte: Souto et al., (2019).

Figura 1. Número de espécimes de Pratylenchus brachyurus por grama de raiz aos 45 e 60 dias após a emergência. Médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Scott & Knott a 5% de probabilidade.

Fonte: Souto et al., (2019).

Figura 2. Número de espécimes de Pratylenchus brachyurus por sistema radicular aos 45 e 60 dias após a emergência. Médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Scott & Knott a 5% de probabilidade.

Fonte: Souto et al., (2019).

Figura 3. Número de espécimes de Pratylenchus brachyurus por 100 cm³ de solo aos 45 e 60 dias após a emergência. Médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Scott & Knott a 5% de probabilidade.

Fonte: Souto et al., (2019).

Figura 4. Produtividade em sacos por hectare. Médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Scott & Knott a 5% de probabilidade.

Fonte: Souto et al., (2019).

Figura 5. Peso de mil sementes em gramas. Médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Scott & Knott a 5% de probabilidade.

Fonte: Souto et al., (2019).

Para ter acesso ao conteúdo completo clique aqui.



Elaboração: Engenheira Agrônoma Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

Foto de capa: Cristiano Bellé

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