O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito da densidade de semeadura na
produtividade e índice de área foliar de soja de baixo grupo de maturação relativa semeada em janeiro.

Autores: Lorenzo Colvero Sarzi Sartori¹; Kaliandra Zottele Nuñez2; Isadora Hubner Brondani3, Guilhermi Penteado Simões4, Mariano Avel Trachta5. Victoria Brittes Inklman6, Giovani Antonello Barcellos7.

Introdução

A produtividade da soja é determinada pela capacidade das plantas interceptarem radiação solar e converte-la em matéria seca pelo processo fotossintético com partição favorável a produção de grãos (ROCHA et al., 2017). A otimização da produtividade pode ser viabilizada quando se analisa a adaptação de cultivares modernas de soja em diferentes condições de cultivo, como por exemplo, diferentes densidades de plantas ou diferentes épocas de semeadura.

No Rio Grande do Sul (RS) o cultivo de soja destaca-se por abranger uma ampla janela de cultivo com semeaduras precoces (final de setembro e início de outubro) e tardias (final de dezembro e janeiro) (MEOTTI et al., 2012). Conforme Zanon et al. (2016) a cada dia de atraso da semeadura a partir de 04/11 perde-se 26 kg.ha.dia-1 de potencial produtivo, porém, o atraso na semeadura de soja é comumente encontrado no RS.

Na Metade Norte do RS os atrasos nas semeaduras ocorrem em função do cultivo de soja após trigo, sendo que a colheita do trigo ocorre principalmente em meados de novembro, enquanto que na Metade Sul do RS o atraso na semeadura ocorre em áreas de rotação com arroz, onde a prioridade por parte do produtor é finalizar a semeadura do arroz.

Entretanto, as semeaduras de culturas de inverno e os altos índices pluviométricos do inverno do RS, pressionam cada vez mais para colheitas antecipadas, necessitando a utilização de cultivares cada vez mais precoces mesmo em semeaduras tardias. Cultivares precoces em semeaduras tardias (dezembro e janeiro) possuem seu período vegetativo reduzido comparado com épocas preferenciais (ZANON et al., 2015) podendo resultar em florescimento precoce, redução do número final de nós e índice de área foliar.

Uma hipótese para maximizar estas variáveis ecofisiológicas seria o aumento da densidade de plantas, visando a redução da perda de potencial produtivo pelo atraso na época de semeadura. Nesse contexto, o objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito da densidade de semeadura na produtividade e índice de área foliar de soja de baixo grupo de maturação relativa semeada em janeiro.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido na safra 2018/19 na área experimental do Departamento de Fitotecnia, da UFSM. O solo é uma transição entre a Unidade de Mapeamento São Pedro (Argissolo Vermelho distrófico arênico) e a Unidade de Mapeamento Santa Maria (Alissolo Hipocrômico argilúvico típico). (EMBRAPA, 2013). Foi semeada uma cultivar de grupo de maturação relativa (GMR) 5.0 (50I52RSF IPRO), no dia 24/01/2019. O espaçamento foi de 0,45 cm com irrigação complementar. Assim, testou-se as densidades de 18, 31, 44 e 57 plantas.m-2, no delineamento blocos ao acaso com 3 repetições. A área foliar foi determinada em uma planta por parcela através da metodologia proposta por Richter et al. (2014) através da equação descrita a seguir:

AF= (C . L) . 2,0185        (1)

Onde AF= área foliar de cada trifólio, C= comprimento do folíolo central de cada trifólio, L= largura do folíolo central de cada trifólio. O índice de área foliar (IAF) foi determinado através do somatório da área de cada trifólio da planta, dividido pela área que cada planta ocupa para cada densidade. As medições do IAF foram realizadas a cada 20 dias. No estágio R8 (FEHR E CAVINESS, 1977), foi realizada a determinação da produtividade. As médias destas variáveis foram distinguidas pelo teste Tukey (P<0,05) através do software estatístico SISVAR (FERREIRA 2011).

Resultados e Discussão

Os resultados da Figura 1, demonstram que para o GMR 5.0 semeados em época tardia a população de plantas é um componente importante para a produtividade. Em relação a densidade de plantas, os valores acima de 31 plantas m² apresentaram as maiores produtividades para GMR 5.0.

Figura 1. Produtividade da cultivar de soja BMX RAIO RR em quatro densidades de semeadura: D8 (18 pl.m-2), D14 (31 pl.m-2), D20 (44 pl.m-2), D26 (57 pl.m-2). Santa Maria, RS, 2019.

A evolução do IAF durante o ciclo (Figura 2) demonstra que a principal contribuição para o IAF total em todo foi da área foliar oriunda da haste principal. Segundo Zanon et al. (2015) o período vegetativo da soja sofre um encurtamento de ciclo com o atraso da semeadura em função da sensibilidade ao fotoperíodo, visto que a soja é uma planta de dia curto (KANTOLIC et al, 2008).

Figura 2. Evolução do índice de área foliar da cultivar de soja BMX Raio RR nas densidades
de 18 (a), 31 (b), 44 (c) e 57 (d) plantas.m-2. Santa Maria, RS, 2019.

O curto período vegetativo reduz o número final de nós e a emissão de ramificações, impedindo a obtenção de altos valores de IAF e localizando a produção de grãos praticamente na haste principal da planta. Uma maneira de aumentar o IAF em plantas de soja que concentram a produção na haste principal é aumentar a densidade de plantas.

Segundo Tagliapietra et al. (2018) valores de IAF máximos próximos de 6 são imprescindíveis para altas produtividades. As diferenças nos valores de IAF máximos estão explícitas na Tabela 1. A população de 18 plantas.m-2 foi a que apresentou o menor valor de IAF (2,4) e consequentemente menor produtividade (2880 kg.ha-1). Este baixo IAF nesta população foi oriundo principalmente pela baixa densidade de plantas.

Tabela 1. Índice de área foliar máximo da haste principal (HP), ramificações (RAM) e total da cultivar BMX Raio RR semeada em quatro densidades de semeadura. Santa Maria, RS. 2019.

O cultivo de soja semeada em janeiro no Rio Grande do Sul permite a obtenção de produtividades acima de 3420 kg.ha-1 em condições potenciais de cultivo. Porém, deve-se considerar o IAF como fator limitante para a produtividade visto que a pressão de pragas e doenças é alta em lavouras com semeaduras tardias.

Conclusão

O aumento de densidade de semeadura proporciona incremento de produtividade em semeaduras tardias. O índice de área foliar é fator limitante para altas produtividades de cultivares de baixo GMR em semeaduras tardias.


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Referências

ROCHA,T.S.M. et al. Performance of soybean in hydromorphic and nonhydromorphic soil under irrigated or rainfed conditions. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.52, n.5, p.293-302, 2017.

MEOTTI, G. V. et al. Épocas de semeadura e desempenho agronômico de cultivares de soja. Pesquisa Agropecuaria Brasileira, 47, 14-21, 2012.

ZANON, A.J. et al. Desenvolvimento de cultivares de soja em função do grupo de maturação e tipo de crescimento em terras altas e terras baixas. Bragantia, Campinas, 78, 2015.

EMBRAPA. Sistema brasileiro de classificação de solos. 3ª ed. Brasília, DF. Embrapa, p. 353, 2013.

FEHR, W.R.; CAVINESS, C.E. Stages of soybean development. Ames: Iowa State University of Science and Tecnology, p. 15, 1977.

FERREIRA, D, F. Sisvar: a computer statistical analysis system. Ciência e Agrotecnologia (UFLA), v. 35, n. 6, p. 1039-1042, 2011.

KANTOLIC, A.G. Control ambiental y genético de la fenologia del cultivo de soja: impactos sobre elrendimiento y la adaptación de genótipos. Revista da Facultad de Agronomía UBA, Buenos Aires, v.28, p.63-88, 2008.

TAGLIAPIETRA, E. L. et al.. Optimum Leaf Area Index to Reach Soybean Yield Potential in Subtropical Environmental. Agronomy Journal, 110:932-938. 2018

Informações dos autores

¹ Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.

² Estudante do curso técnico em agropecuária, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS.

Disponível em: Anais do II Congresso Online para Aumento de Produtividade do Milho e Soja (COMSOJA), Santa Maria, 2019.

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