A emergência ocorre quando as primeiras folhas, chamadas de coleóptilos, aparecem acima da superfície do solo. A semente absorve água (aproximadamente 30% de seu peso) e oxigênio para germinação. A radícula emerge rapidamente próximo à ponta da semente, dependendo das condições de temperatura e umidade do solo. O coleóptilo emerge a partir do embrião da semente e é empurrado para a superfície do solo por meio da elongação do mesocótilo. O mesocótilo encontra-se anexo à plúmula que se abre ao mesmo tempo que a estrutura atinge a superfície do solo.
Veja também: Desenvolvimento da cultura do milho: estádios x práticas de manejo
Figura 1: Milho em estádio VE.

Sob condições adequadas no campo, a semente absorve água e começa seu crescimento. A radícula é a primeira a apresentar elongação (Figura 2), a partir do grão inchado, seguida pelo coleóptilo com a plúmula fechada (planta embrionária) e as três a quatro raízes seminais laterais.
O estádio VE (emergência) é finalmente atingido pela rápida elongação do mesocótilo, o qual empurra o coleóptilo em crescimento para a superfície do solo, que é representada pela linha branca vista na Figura 2. Sob boas condições de calor e umidade, a emergência da planta ocorrerá dentro de quatro a cinco dias após a semeadura, mas sob condições de temperaturas baixas ou de seca, podem ser necessárias duas semanas ou mais.
Figura 2. Germinação e emergência da semente de milho.

Quando ocorre a emergência e a exposição da ponta do coleóptilo à luz solar, a elongação do coleóptilo e do mesocótilo é interrompida. Neste momento, a região de crescimento (extremidade apical) da planta está a 2,5-3,8 cm sob a superfície do solo e está localizada logo abaixo do mesocótilo. As folhas embrionárias, que estão se desenvolvendo rapidamente, então crescem através da extremidade do coleóptilo e o desenvolvimento da planta acima do solo se inicia.
Devido ao fato de a radícula e as raízes seminais laterais (denominadas sistema radicular seminal no conjunto) iniciarem seu crescimento diretamente a partir da semente, a profundidade do solo na qual elas inicialmente se desenvolvem depende da profundidade de semeadura. O crescimento dessas raízes, entretanto, fica mais lento logo após o estádio VE, tornando-se praticamente inexistente em torno do estádio V3.
Embora o sistema radicular seminal continue a funcionar durante a maior parte da vida da planta de milho, sua mais importante contribuição ocorre antes que as raízes nodulares se tornem bem estabelecidas.
A profundidade no solo do ponto de crescimento no estádio VE também determina a profundidade na qual começará o crescimento inicial da raiz nodular. Esta profundidade (2,5-3,8 cm) é relativamente constante a diferentes profundidades de semeadura, devido à elongação do mesocótilo (Figura 3).
Figura 6. Estádio VE: crescimento inicial da raiz nodular.

O sistema radicular nodular é iniciado em torno do estádio VE e o primeiro conjunto de raízes nodulares (verticilo) começa sua elongação a partir do primeiro nó durante o estádio V1. Desde o estádio V1 até em torno do estádio R3 (após o que o crescimento radicular é muito limitado), um conjunto de raízes nodulares começa seu desenvolvimento em cada nó progressivamente mais alto no colmo, até um total de 7 a 10 nós.
Em torno do estádio V6, o sistema radicular nodular torna-se o principal fornecedor de água e de nutrientes para a planta. Todas as raízes, exceto as radículas, inicialmente tendem a crescer em um ângulo de 25o a 30o com a horizontal.
O crescimento inicial das radículas, porém, pode ocorrer em qualquer direção (exceto para cima) para orientar a semente. O crescimento das raízes nodulares começa a tornar-se mais vertical à medida que a temperatura aumenta e ocorre a secagem das camadas superiores do solo.
Práticas de manejo nesse estádio fenológico
As condições de temperatura do solo (acima de 10 – 12°C) e umidade adequada promovem a rápida emergência (5 a 7 dias). A profundidade ótima de plantio da semente varia de 2,5 a 5,0 cm. A profundidade adequada é crítica para uma boa emergência. Frio, seca e maior profundidade de plantio podem atrasar a emergência por vários dias.
Posto que os híbridos de ciclo mais longo geralmente apresentam maiores produtividades do que os híbridos de ciclo mais curto, escolha um híbrido adaptado à sua região e realize a semeadura na época adequada para atender às suas necessidades específicas.
Também utilize densidades de semeadura (espaçamento entre linhas e população de plantas) de acordo com o recomendado para a cultivar na região, de maneira que o genótipo atinja todo o seu potencial de produção. A ocorrência de temperaturas baixas por ocasião do plantio geralmente restringe a absorção de nutrientes do solo e provoca crescimento lento. Isto pode ser parcialmente eliminado pela colocação de pequenas quantidades de fertilizantes em faixas ao lado e ligeiramente abaixo da semente. Este fertilizante em faixas deve entrar em contato com o sistema radicular seminal antes do estádio VE.
Para germinação e emergência mais rápidas em semeaduras com datas antecipadas, a semeadura rasa se beneficia das temperaturas do solo mais favoráveis perto de sua superfície. Para semeaduras mais tardias, as temperaturas do solo são geralmente adequadas para todas as profundidades de semeadura e o teor de umidade do solo torna-se o fator limitante para o rápido crescimento. As maiores profundidades de semeadura geralmente proporcionam melhor teor de umidade para as semeaduras tardias, a menos que tenha ocorrido chuva recentemente.
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Fonte das informações: IPNI.
Elaboração: Engenheira Agrônoma Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.
Foto de capa: IPNI.