Os fertilizantes são responsáveis por 50% da produção mundial de alimentos, em média (ROBERTS, 2009). Com o reconhecimento público de que os fertilizantes são parte da solução para a segurança alimentar mundial, compete ao setor agrícola garantir que as práticas de adubação sejam realizadas de forma responsável e eficiente.

Aplicar  a  fonte certa, na dose certa, na época certa e no lugar certo (4C) são fundamentos das Boas Práticas para Uso Eficiente de Fertilizantes (BPUFs), necessárias para o manejo sustentável da nutrição das plantas e para o aumento da produtividade das culturas. As BPUFs destinam-se ao propósito de adequar a oferta de nutrientes às necessidades da cultura e minimizar as suas perdas no campo.


Veja também: Os diferentes tipos de adubo


Bruulsema et al. (2008) apresentam o quadro global que descreve a prática dos 4Cs e como ele é aplicável no manejo dos fertilizantes em todo o mundo (Figura 1). No seu núcleo tem-se os 4Cs – aplicação da fonte certa, na dose certa, no local certo e na época certa. Estes encontram-se centralizados no sistema de cultivo porque se integram a outros fatores agronômicos relacionados ao manejo da cultura, sendo que o conjunto de práticas agronômicas, por sua vez, contribui decisivamente para os resultados em termos econômicos, sociais e ambientais.

Figura 1. Diagrama geral para o manejo adequado de nutrientes.

Fonte: Bruulsema et al. (2008).

De forma geral, os princípios científicos universais relevantes para cada um dos 4Cs e as práticas associadas à sua aplicação estão listados a seguir (BRUULSEMA et al., 2012).

  1. Fonte certa

Consiste em combinar as fontes de fertilizantes com a necessidade da cultura e as propriedades do solo. Deve-se estar atento para as interações dos elementos e o equilíbrio entre nitrogênio, fósforo, potássio e outros nutrientes, de acordo com a análise do solo e as exigências das culturas. A adubação equilibrada é uma das chaves para aumentar a eficiência de utilização do nutriente.

Os princípios científicos fundamentais que definem a fonte certa para um conjunto específico de condições são as seguintes:

  • Considerar a dose, a época e o local da aplicação;
  • Fornecer os nutrientes em formas disponíveis para as plantas;
  • Adequar a fonte às propriedades físicas e químicas do solo. Por exemplo, evitar a aplicação de nitrato em solos inundados, a aplicação superficial de ureia em solos de pH elevado, etc.;
  • Reconhecer o sinergismo entre os elementos nutrientes e as fontes;
  • Conhecer a compatibilidade da mistura. Determinadas combinações de fontes atraem umidade quando misturadas, o que limita a uniformidade da aplicação do material misturado; o tamanho dos grânulos deve ser semelhante para evitar a segregação de produtos, etc.;
  • Reconhecer os benefícios e as interações dos elementos associados. Por exemplo, o cloreto (Cl–) que acompanha o K, no cloreto de potássio, é benéfico para o milho, mas pode ser prejudicial à qualidade do fumo e de algumas frutas. Algumas fontes de fertilizantes fosfatados podem conter Ca e S disponíveis para as plantas e pequenas quantidades de Mg e micronutrientes.;
  • Controlar os efeitos dos elementos não-nutritivos. Por exemplo, alguns depósitos naturais de rocha fosfática contém elementos-traços não-nutritivos. O nível de adição desses elementos deve ser mantido dentro de limites aceitáveis.


2. Dose certa

Consiste em ajustar a quantidade de fertilizante a ser aplicada com a necessidade da cultura. O excesso de fertilizante resulta em lixiviação e outros prejuízos ao ambiente, e a deficiência do fertilizante resulta em menor rendimento e qualidade das culturas, além de menor quantidade de resíduos para proteger e melhorar o solo.

Os princípios fundamentais científicos que definem a dose certa para um conjunto específico de condições são os seguintes:

  • Considerar a fonte, a época e o local da aplicação;
  • Avaliar a demanda de nutrientes da planta. O rendimento está diretamente relacionado à quantidade de nutrientes absorvidos pela cultura até a maturidade;
  • Utilizar métodos adequados para avaliar a disponibilidade de nutrientes no solo, como: análise de solo, análise de metas de produção, balanço da remoção pela cultura, análise de tecido, manejo específico de nutrientes, tecnologia de aplicação de doses variáveis, inspeção da cultura, etc.;
  • Avaliar todas as fontes de nutrientes disponíveis. Na maior parte das fazendas, a avaliação inclui a quantidade e a disponibilidade de nutrientes em fertilizantes, estercos, compostos, biossólidos, resíduos de colheitas, além da deposição atmosférica e da água de irrigação;
  • Prever a eficiência de uso do fertilizante (aumento de produção por unidade de fertilizante aplicado). Alguma perda de fertilizante é inevitável no sistema de cultivo por meio de fatores específicos do local, incluindo tipo de solo, clima, microrganismos e sistema de cultivo;
  • Considerar o impacto dos nutrientes nos recursos do solo. Se as saídas de nutrientes de um sistema de cultivo forem superiores às entradas, haverá diminuição da fertilidade do solo a longo prazo. A análise de solo ajuda a determinar quando as doses de nutrientes aplicadas excedem, se igualam ou estão menores do que as quantidades removidas na colheita da cultura;
  • Considerar a dose de máxima eficiência econômica da adubação. Para efetuar o cálculo dessa dose é necessário obter, para cada safra e cultura, a função do lucro, incluindo os custos variáveis e fixos nas funções de produção.

Saiba mais: Princípios e cuidados da adubação foliar


3. Época certa

Consiste em disponibilizar os nutrientes para as culturas nos períodos de necessidade. Os nutrientes são utilizados de forma mais eficiente quando sua disponibilidade é sincronizada com a demanda da cultura.

Os princípios fundamentais científicos que definem a época certa para um conjunto específico de condições são as seguintes:

  • Considerar a fonte, a dose e o local de aplicação;
  • Analisar a marcha de absorção de nutrientes pelas plantas. Os nutrientes devem ser aplicados concomitantemente com a demanda sazonal de nutrientes da cultura, a qual depende da data de plantio, das características de crescimento das plantas, da sensibilidade às deficiências nas fases particulares de crescimento, etc.;
  • Analisar a dinâmica de fornecimento de nutrientes do solo. Solos ácidos, por exemplo, bastante comuns em regiões tropicais, têm alta capacidade de fixação de fósforo. O adubo fosfatado aplicado nesses solos pode ser facilmente convertido em formas pouco solúveis e indisponíveis de P. Assim, nesses ambientes, é comum a aplicação anual de fertilizantes fosfatados localizados em faixas no solo para aumentar a produção das culturas;
  • Analisar a dinâmica de perda de nutrientes do solo. Por exemplo, em regiões tropicais, as perdas por lixiviação tendem a ser mais frequentes no verão;
  • Avaliar a logística das operações no campo. Por exemplo, várias aplicações de nutrientes podem ser combinadas com aplicações de defensivos. As aplicações de nutrientes não devem atrasar as operações que dependem do tempo, como o plantio.

4. Local certo

Consiste em colocar e manter os nutrientes onde as culturas podem absorvê-los. O método de aplicação é decisivo no uso eficiente do fertilizante.

Os princípios fundamentais científicos que definem o local certo para a aplicação específica de nutrientes são os seguintes:

  • Considerar a fonte, a dose e a época de aplicação;
  • Considerar o local de crescimento das raízes das plantas. Os nutrientes precisam ser colocados próximo às raízes em crescimento, onde possam ser absorvidos quando necessário;
  • Considerar as reações químicas do solo. Concentrar os nutrientes que podem sofrer fixação, como o fósforo, em faixas ou em volumes menores de solo pode melhorar a disponibilidade do elemento;
  • Atender os objetivos do sistema de plantio direto. As téc- nicas de aplicação subsuperficial, que matém a camada de palha sobre o solo, podem ajudar a preservar os nutrientes e a água;
  • Manejar a variabilidade espacial. Avaliar as diferenças de solo dentro e entre os campos em relação a produtividade das culturas, capacidade de fornecimento de nutrientes do solo e vulnerabilidade à perda de nutrientes.

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Elaboração: Engenheira Agrônoma Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

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