Autores: Patrícia Clemente Abraão¹; Andréa Celina Ferreira Demartelaere²; Daiane Bernardi1; Noélle Khristinne Cordeiro3; Jéssica da Silva Schmidt1;José Barbosa Duarte Junior4

Introdução 

A soja Glycine max (L.) Merril é a leguminosa de maior importância econômica no mundo, principalmente por apresentar ótimas fontes de óleo e proteína vegetal, com teores em torno de 27 e 42%, respectivamente (Finoto et al., 2017).

No Centro-Oeste, o estado do Mato Grosso obteve a maior produção brasileira, cerca de 33.00 milhões de toneladas, na região Sul, o Paraná, segundo maior produtor, tem estimativa de 23.0 milhões de toneladas na safra 2019/2020 (Conab, 2020).

Apesar do aporte tecnológico empregado na cultura da soja, esta espécie ainda enfrenta desafios quanto aos fatores ambientais em seu ciclo produtivo, com destaque o déficit hídrico, que provoca alterações na qualidade fisiológica que pode comprometer a produção (Souza et al., 2020). Entretanto, a busca por medidas que amenizem os efeitos desse déficit, é alvo de pesquisas, para a obtenção de maior eficiência e produtividade na cultura da soja com o uso dos recursos hídricos (Fidelis et al., 2018).

Os polímeros hidroabsorventes, são grânulos que dilatam-se, transformando-se em partículas de gel, que podem ser utilizados na agricultura, devido a sua capacidade de retenção de água (Nascimento, 2019), sendo uma alternativa que pode influenciar no desempenho fisiológico das plantas, bem como a produtividade (Folli-Pereira et al., 2012). Portanto, o objetivo do trabalho foi avaliar a influência dos polímeros hidroabsorventes sob a produtividade da soja no Estado do Paraná-Brasil.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido no período de 05 de setembro de 2018 à 12 de fevereiro de 2019, na área experimental da Cooperativa Agroindustrial (COPAGRIL), situada na cidade de Marechal Cândido Rondon, Paraná-Brasil (24° 33’ 40” de latitude Sul e 54º 04’ 12” de longitude Oeste).

O solo da área foi classificado como LATOSSOLO VERMELHO Eutroférrico de textura argilosa, classe tipo 3, de acordo com o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa, 2008). E a análise química do solo: pH em CaCl2 = 5,87; matéria orgânica = 14,35 g dm-3; P = 73,52 mg dm-3; Ca+2 = 5,71 cmolc dm-3; Mg+2 = 1,19 cmolc dm-3; K+ = 0,71 cmolc dm-3; Al+3 = 0,00 cmolc dm-3; H + Al = 3,68 cmolc dm-3, SB = 7,62 cmolc dm-3; CTC = 11,30 cmolc dm-3 e V = 67,42%.

O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com quatro repetições, no esquema fatorial 2 x 5 + 1 formado por fontes de polímeros hidroabsorventes: PolimAgri pp® e Hydroplan-EB/HyC® nas doses: 5, 10, 15, 20 e 30 kg ha-1, e dose zero (adicional). Cada parcela experimental foi formada por 6 linhas de 5 m de comprimento, espaçadas em 0,5 m, com área útil composta por duas linhas centrais desprezando-se 0,5 m das extremidades das parcelas. A densidade de semeadura foi de 17 sementes por metro linear, e adubação com a seguintes formulações: 00-20-20 (N-P2O5-K2O), de acordo com o manual de adubação e calagem para o Estado do Paraná (Sbcs, 2017).

Resultados e Discussão

A produtividade (PROD) da soja cultivar RK 6316 IPRO (Figura 1) obteve diferenças significativas, independente da fonte do polímero utilizado, a produtividade diminuiu quanto utilizaram-se as doses 5, 15, 25 e 30 ha-1). Já nas doses de 5 kg ha-1 e 20 kg ha-1, observaram-se as maiores produtividades 3.905,63 kg ha-1 e 3.800,00 kg ha1 da soja, respectivamente, ressaltando que as maiores produtividades obtidas ficaram acima da produtividade média brasileira de 3.333 kg ha-1, segundo a Conab (2018).

Os fatores bióticos e abióticos influenciam no sucesso do manejo de aplicação dos polímeros hidroabsorventes, como exemplo as condições climáticas, pois, no período do experimento obteve baixa precipitação variando de 60 a 80 mm nos meses de setembro na safra 2018 e dezembro na safra de 2019, o déficit hídrico, que pode ter dificultado na retenção da água pelas plantas, as altas temperaturas, (20 a 35° C) deve ter agravado devido a relação da demanda evaporativa da atmosfera que estava elevada, e consequentemente a alta radiação solar.

Obteve-se que nem sempre as doses mais elevadas dos polímeros exercem respostas positivas na cultura da soja, pois, o solo pode atuar como uma barreira, limitando a expansão do polímero e a retenção de água, pressupondo que as respostas relacionadas ao uso dos hidroabsorventes podem ter sido influenciados pelas características físicas do solo (Vale et al., 2006).

As raízes por não possuírem elevadas quantidades de oxigênio e nem a rápida remoção do gás carbônico formado, ocorre redução na movimentação da solução, por elevar a capilaridade, minimizando a relação água/ar, causando prejuízos no desempenho da cultura, e limitando a produção (Nascimento, 2019).

Conclusão

Os polímeros hidroabsorventes: Polim-Agri pp® e Hydroplan-EB/ HyC® a partir da dose de 20 kg ha-1, alcançaram a maior eficiência na produtividade da soja no estado do Paraná Brasil.

Referências

CONAB. Companhia Nacional de Abastecimento. Acompanhamento da safra brasileira de grãos (2018) – safra 2018/2019. Disponível em: https://www.embrapa.br/soja/cultivos/soja1/dadoseconomicos Acesso em: 10 fev. 2020.

FERREIRA, D. F. Sisvar: um programa para análises e ensino de estatística. Revista Científica Symposium, 6:36-41, 2008.

FIDELIS, R. R.; LOPES, M. B. S.; MARTINEZ, R. A. S.; MARQUES, K. B.; AGUIAR, R. W. S; VELOSO, D. A. Influência do uso do hidrogel no cultivo da soja sob estresse hídrico. Bioscience Journal, v. 34, n. 5, p. 1219-1224, 2018.

FINOTO, E. L.; SEDIYAMA, T.; ALBUQUERQUE, J. A. A.; SOARES, M. B. B.; GALLI, J. A.; JUNIOR, P. S. C.; MENEZES, P. H. S. Antecipação e retardamento de colheita nos teores de óleo e proteína das sementes de soja, cultivar Valiosa RR. Scientia Agropecuária, v. 8, n. 2, p.99-107, 2017.

FOLLI-PEREIRA, M.S.; MEIRA-HADDAD, L.S.; BAZZOLLI, D.M.S.; KASUYA, M.C.M. Micorriza arbuscular e a tolerância das plantas ao estresse. Rev. Bras. Ci. Solo, 36, 1663-1679, 2012.

MAPA: Classificação dos solos (2008). Disponível em <http://www.agricultura.gov.br/arq_editor/RPA%203%202015.pdf>. Acesso em: 11 fev. 2020.

NASCIMENTO, S. M. Polímero de alta densidade e adubação foliar em palma orelha de elefante mexicana. 2019, 87 p. Dissertação (Mestrado em Produção Animal). Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2019.

SBCS. Sociedade Brasileira de Ciência do Solo. Manual de Adubação e Calagem para o Estado do Paraná. Curitiba: SBCS/NEPAR, 2017. 482 p.

SOUZA, I. J.; OLIVEIRA, Z. B.; SILVA, C. M.; GOIS, H.; RODRIGUES, L. R.; LINK, T. T.; MALFFINI, L. B. Componentes de rendimento de soja irrigada por aspersão em Cachoeira do Sul no ano agrícola de 2018/19. CIÊNCIA E NATURA, v. 42, Special Edition, e. 3, 2020.

VALE, F.R.G.;CARVALHO,S.P.;PAIVA,L. C.Avaliação da eficiência de polímeros hidroretentores no desenvolvimento do cafeeiro em pós-plantio.Coffee Science, v.1, p.7-13, 2006.

Informações sobre os autores:

  • 1 Mestrado em Agronomia, Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Marechal Candido Rondon/PR. E-mail:E-mails: patriciaabraao@gmail.com; daiani_ber@gmail.com.
  • 2 Doutora em Agronomia, Universidade Federal da Paraíba (UFPB). E-mail: andrea_celina@hotmail.com.
  • 3 Doutoranda em Agronomia, Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Marechal Candido Rondon/PR. E-mail: noellecordeiro@outlook.com.
  • 4 Docente Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Marechal Candido
    Rondon/PR. E-mail: bduarte7@yahoo.com.br.

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