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Locais de abrigo do percevejo-marrom em soja

Os percevejos são as principais pragas sugadoras da cultura da soja, interferindo na produtividade e qualidade dos grãos. O principal dano ocasionado por essa praga é o ataque direto aos grãos e legumes (vagens) da planta, afetando diretamente o produto final. O percevejo-marrom (Euschistus heros) é a espécie mais abundante na cultura da soja no Brasil. Suas altas densidades populacionais estão diretamente relacionadas às condições climáticas e à capacidade de sobreviver na entressafra da soja, entre outros fatores.

Veja também: Eficiência de inseticidas no controle do percevejo-marrom

A longevidade média de um percevejo-marrom adulto é de 116 dias. Os ovos possuem coloração amarela e são depositados nas folhas ou legumes da planta, em massas com 5-8 ovos. As ninfas recém-eclodidas possuem coloração alaranjada e cabeça preta, posteriormente tornando-se acinzentadas ou marrons. Os adultos possuem coloração marrom escura. O pronoto apresenta um prolongamento característico denominado espinho. Vários fatores interferem no ciclo biológico destes insetos, alterando assim o seu ciclo e a sua duração. Na cultura da soja, normalmente o percevejo-marrom completa três gerações.

Figura 1. Ciclo de desenvolvimento do percevejo-marrom, E. heros.

Fonte: Cividanes (1992).

Todas as fases do ciclo do percevejo ocorrem no dossel das plantas de soja. As ninfas movem-se mais no sentido longitudinal do que no sentido transversal das fileiras de soja, e a maior distância é percorrida por ninfas do quarto e quinto ínstares. Os insetos iniciam a colonização das plantas no final do período vegetativo da cultura ou durante a floração (R1 a R2), saindo de hospedeiros alternativos e infestando a lavoura a partir das bordas (período de colonização). Com o aparecimento das vagens (R3), as populações de percevejo-marrom aumentam, principalmente as ninfas (período de alerta).



O final do desenvolvimento dos legumes (R4) e início de enchimento dos grãos (R5.1) compreendo o período de maior susceptibilidade das plantas de soja ao ataque de E. heros. A população infestante cresce até o final do enchimento de grãos (R6), quando atinge o pico populacional máximo. A partir daí a população tende a decrescer, com a soja atingindo a maturação fisiológica (R7). Na colheita (R8) os percevejos remanescentes completam a dispersão para as plantas hospedeiras alternativas e, posteriormente, para os nichos de hibernação.

Vários hospedeiros alternativos fornecem abrigo e alimento aos percevejos-marrons remanescentes durante a entressafra, incluindo plantas daninhas. O inseto pode completar várias gerações nesses hospedeiros alternativos e, muitas vezes, não necessita se deslocar para os nichos de hibernação para sobreviver até o próximo verão. Os restos culturais da soja também possibilitam a sobrevivência dos percevejos a partir do outono, fornecendo abrigo sob a palhada e alimento na forma de sementes perdidas na colheita.

Durante este período, os percevejos acumulam lipídios após adquirir a quantidade necessária para se alimentar e, se necessário, permanecem num estado de hibernação parcial. Neste estado, o inseto pode permanecer cerca de sete meses do ano sob a vegetação na superfície do solo, às margens das lavouras de soja. Portanto, os cultivos da entressafra, bem como as plantas hospedeiras no entorno da lavoura, contribuem para a sobrevivência e permanência de E. heros e outros percevejos no sistema de produção, possibilitando altas infestações no ciclo seguinte da cultura da soja.

Redação: Solange Figur

Redação: Lauren Brondani Castilhos. 

Revisão: Henrique Pozebon e Jonas Arnemann

Referências:

CIVIDANES, F.J. Determinação das exigências térmicas de Nezaraviridula (L., 1758), Piezodorusguildinii (West., 1837) e Euschistusheros (Fabr., 1798) (Heteroptera: Pentatomidae) visando ao seu zoneamento ecológico. 1992. 100 f. Tese (Doutorado em Ciências) – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – USP, Piracicaba, 1992.

CORREA-FERREIRA, BEATRIZ S.; PANIZZI, ANTÔNIO R. Percevejos da soja e seu manejo. Embrapa Soja-Circular Técnica, n. 24, (INFOTECA-E), 1999. Disponível em: < https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Repositorio/circTec24_000g4vbbaaq02wx5ok0dkla0s1m9l51b.pdf >, acesso em: 09/11/2020.

PANIZZI, Antônio Ricardo; BUENO, A. de F.; SILVA, FAC da. Insetos que atacam vagens e grãos. Soja: manejo integrado de insetos e outros artrópodes-praga. Brasília: Embrapa, p. 335-420, 2012. Disponível em: <http://www.cnpso.embrapa.br/artropodes/Capitulo5.pdf>, acesso em: 09/11/2020.

 

Equipe Mais Soja
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