Por apresentar elevada produção de sementes, as plantas do gênero Amaranthus podem facilmente infestar áreas de produção agrícola. A disseminação e distribuição de sementes do cururu ocorre principalmente por máquinas, equipamentos agrícolas e animais que venham de áreas infestadas.

Como característica, essa daninha pode apresentar diversos fluxos de emergência ao longo do desenvolvimento da soja, o que dificulta ainda mais seu manejo e controle em pós-emergência. Aliado a isso, a elevada produção de sementes do caruru “alimenta” o banco de sementes do solo, contribuindo para a persistência dessa daninha em lavouras brasileiras.

O elevado potencial do caruru em causar danos, reduzindo significativamente a produtividade de culturas como soja e milho, torna o manejo e controle do caruru indispensável para a obtenção de altas produtividades. Embora algumas espécies do gênero Amaranthus possuam resistência conhecida e determinados herbicidas, ações complementares podem contribuir expressivamente para o controle do caruru, a exemplo do controle cultural.

Por se tratar de uma planta fotoblásticas positiva, uma das principais estratégias de controle cultural do caruru baseia-se na cobertura do solo, e a principal forma de promover uma boa cobertura do solo é a traves da produção de palhada. Na implantação e condução do Sistema de Plantio Direto de maneira eficiente é indispensável que o esquema de rotação de culturas promova, na superfície do solo, a manutenção permanente de uma quantidade mínima de palhada, que nunca deverá ser inferior a 4,0 t.ha-1 de fitomassa seca (Embrapa).


Veja mais: MISSÃO CARURU – Episódio 17 – Novas tecnologias


 Para germinar e emergir as sementes de caruru necessitam de condições adequadas de umidade, temperatura e luz. Além de atuar na restrição da chegada de luz nas sementes de caruru, conforme observado por Rossi et al. (2007), a cobertura do solo com palhada residual, reduz a temperatura do solo. Sob condições inadequadas de temperatura e luminosidade, as sementes do caruru não germinam, mesmo em condições ideais de umidade.

Dessa forma, a cobertura do solo é um forte aliado no manejo e controle do caruru, reduzindo os fluxos de emergência dessa daninha. Embora a soja predomine nos cultivos de verão, durante o período de inverno é possível investir na cobertura do solo, através do cultivo de culturas com elevada produção de matéria seca e/ou plantas de cobertura, estabelecendo um eficiente sistema de rotação de culturas.

A cultura empregada como fonte de cobertura do solo pode variar de acordo com a região, disponibilidade de insumos, rotação de culturas estabelecida entre outros fatores, entretanto, deve-se priorizar culturas que possibilitem a boa cobertura do solo.

Conforme observado por Carvalho et al. (2013), a persistência da palhada na cobertura do solo pode variar de acordo com a espécies, sendo a relação C/N uma das principais causas dessa variação. Dessa forma, a relação C/N deve ser um dos fatores a ser levados em consideração na definição da cultura de cobertura.

Além dos tradicionais cultivos solteiros de espécies como a aveia-preta, o consorcio de plantas de cobertura ou “Mix” de plantas de cobertura, vem demonstrando potencial uso na agricultura, possibilitando além do controle cultural de plantas daninhas, o incremento de matéria orgânica no solo e ciclagem de nutrientes entre outros benefícios.

Conforme destacado pelo Professor da UFSM, André Ulguim o uso eficiente da cobertura do solo pode representar uma redução de até 50% das infestações de caruru. Logo, investir em palhada é indispensável para um eficiente manejo e controle do caruru.

Confira abaixo mais um MISSÃO CARURU, com as dicas e contribuições do Professor André Ulguim.


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Referências:

CARVALHO, W. P. et al. DESEMPENHO AGRONÔMICO DE PLANTAS DE COBERTURA USADAS NA PROTEÇÃO DO SOLO NO PERÍODO DE POUSIO. Pesq. agropec. bras., Brasília, v.48, n.2, p.157-166, fev. 2013. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/pab/a/nTS8GfxFWn3Sr5VrpCspS9f/?lang=pt&format=pdf >, acesso em: 20/08/2021.

EMBRAPA. PLANTIO DIRETO. Agência Embrapa de Informação Tecnológica. Disponível em: < https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/milho/arvore/CONTAG01_72_59200523355.html >, acesso em: 20/08/2021.

ROSSI, A. et al. DIFERENTES MANEJOS DA COBERTURA VEGETAL DE AVEIA PRETA EM POMAR NO SUL DO BRASIL. Bragantia, Campinas, v.66, n.3, p.457-463, 2007. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/brag/a/GFqXX6YtMrdF3GXtFtCyzZG/?lang=pt&format=pdf >, acesso em: 20/08/2021.

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