As lagartas podem atacar a soja desde os estádios iniciais de desenvolvimento, causando considerável desfolha e prejudicando o crescimento e o desenvolvimento da cultura. Algumas espécies são causam desfolha, outras espécies de lagartas atacam também órgãos reprodutivos, como flores e legumes

Visando o controle de pragas iniciais do desenvolvimento da soja, grande parte dos agricultores utilizam inseticidas em conjunto com herbicidas nas dessecações em pré-semeadura e pós-emergência da cultura da soja. Entretanto, quando não utilizados de forma correta, ou os ingredientes ativos com menor efeito em inimigos naturais, os inseticidas podem reduzir as populações de inimigos naturais da soja.

Embora os percevejos sejam conhecidos por causar danos qualitativos e quantitativos nos grãos ou sementes de soja, segundo Bueno et al. (2012), algumas espécies atuam como predadores de pragas da soja, principalmente  de lagartas em soja, sendo assim, a identificação destas espécies é essencial para embasar o momento de controle e posicionamento de produtos, visando utilizar esses inimigos naturais a favor do controle de pragas.

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Conheça as principais espécies de percevejos predadores de pragas da cultura da soja.

Podisus nigrispinus

Segundo Bueno et al. (2012), o ciclo de vida desse percevejo inclui fases de ovo, cinco estádios de ninfa e a fase adulta. Ao eclodirem as ninfas apresentam coloração marrom escura e formato arredondado.



A busca do percevejo por presas começa logo após passar pelo primeiro instar. No terceiro, quarto e quinto estádios, o percevejo apresenta coloração do abdômen avermelhado, com pequenas faixas escuras medianas e laterais no corpo. Sua longevidade varia entre 30 a 85 dias, dependendo das condições ambientais.

Os autores destacam que o Podisus nigrispinus pode ser encontrado em todos os estádios do desenvolvimento da soja e predam principalmente a lagarta-da-soja, lagartas do complexo Spodoptera, C. includens e vaquinhas como a D. speciosa.

Figura 2. Ninfa (a) e adulto (b) de Podisus sp. sugando lagarta de Anticarsia gemmatalis.

Fonte: Bueno et al. (2012).

Avaliando a capacidade predatória de Podisus nigrispinus sobre Anticarsia gemmatalis, Zanuncio Junior (2007), observou que a espécie de percevejo demonstra elevada capacidade em controlar lagartas da espécie Anticarsia gemmatalis, por meio da predação dessas.

Figura 3. Número de lagartas de Anticarsia gemmatalis predadas durante a fase adulta, por fêmeas de Podisus nigrispinus em relação à densidade de lagartas por plantas de soja, em casa de vegetação.

*Significativo ao nível de 5% de probabilidade. Temperatura de 29,1 ± 3,7 e umidade relativa de 62,0 ± 13,85%.
Fonte: Zanuncio Junior (2007).

Alcaeorrhynchus grandis

Seu tamanho varia de 16mm a 25mm de comprimento, sendo a fêmea ligeiramente maior que o macho (Bueno et al., 2012). Segundo Bueno et al. (2012), esses percevejos apresentam coloração geralmente castanho-amarronzada com manchas pretas nas pernas e ao longo da margem dorsolateral do abdômen. Após o segundo instar as ninfas começam a predação; as ninfas de terceiro instar apresentam coloração preto-azulada, com manchas avermelhadas no pronoto e com abdômen amarronzado (Bueno et al., 2012).

Essa espécie é um importante agente no controle biológico de pragas na cultura da soja, alimentando-se principalmente de larvas de lepidópteros. Na última fase ninfal, essa espécie de percevejo pode consumir em torno de 81,1 lagartas de Anticarsia gemmatalis de quarto instar (Corrêa-Ferreira & Pollato, 1985).

Figura 4. Adulto (a), ovos (b) e ninfa (c) de Alcaerrhynchus grandis predando lagarta da soja.

Fonte: Bueno et al. (2012).

Tynacantha marginata

Conforme descrito por Bueno et al. (2012), as ninfas dessa espécie apresentam cabeça preta e corpo laranja a vermelho, sua fase ninfal completa dura cerca de 30 dias, seus adultos apresentam coloração marrom na parte dorsal e laranja na parte ventral do corpo. Na ausência de presas, o percevejo pode se alimentar de plantas, entretanto, até o que se sabe, seus danos não são significativos.

Dentre as principais pragas controladas pelo Tynacantha marginata, podemos destacar ninfas de Piezodorus guildinii e Nezara viridula, assim como a lagarta-da-soja.

Figura 5. Adulto de Tynacantha marginata predando lagarta da soja.

Fonte: Bueno et al. (2012).

Para acessar o material completo produzido por Bueno et al. (2012) clique aqui!

Tendo em vista os aspectos observados, fica evidente a importância do monitoramento e identificação das espécies de insetos presentes nas áreas de cultivo, a fim de determinar o momento de controle e posicionamento de produtos, visando evitar a eliminação de inimigos naturais que exercem controle biológico sobre as pragas da soja.

Referências:

BUENO, A. F. et al. CAPÍTULO 8: INIMIGOS NATURAIS DAS PRAGAS DA SOJA. Embrapa, 2012. Disponível em: <http://www.cnpso.embrapa.br/artropodes/Capitulo8.pdf>, acesso em: 23/10/2020.

CORRÊA-FERREIRA, B. S.; POLLATO, S. L. B. Biologia do percevejo predador Alcaeorrhynchus grandis (Dallas). In: EMBRAPA-CNPSo. Resultados de pesquisa de soja 1984/85. Londrina, 1985. p. 85-87. (Embrapa-CNPSo. Documentos, 15).

SILVA, M. T. B.; COSTA, E. C.; BOSS, A. CONTROLE DE Anticarsia gemmatalis Hübner (Lepidoptera: Noctuidae) COM REGULADORES DE CRESCIMENTO DE INSETOS. Ciência Rural, v. 33, n. 4, jul-ago, 2003.

SOSA-GÓMEZ, D. R. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE INSETOS E OUTROS INVERTEBRADOS DA CULTURA DA SOJA. Embrapa, Documentos, n. 269, 2006.

ZANUNCIO JUNIOR, J. S. CAPACIDADE PREDATÓRIA DE Podisus nigrispinus (HETEROPTERA: PENTATOMIDAE) SOBRE Anticarsia gemmatalis (LEPIDOPTERA: NOCTUIDAE). Universidade Federal de Viçosa, 2007.

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