O manejo bem realizado de percevejos depende da eliminação de plantas daninhas. As plantas ao redor da lavoura na safra e entressafra podem oferecer ambiente para as pragas se abrigarem e permanecerem nas culturas de interesse agrícola.

Por isso, atente para as alternativas de manejo dos sugadores além do controle usual de moléculas químicas, como veremos no texto a seguir.

Figura 1. Percevejo-marrom hibernando em Andropogon bicornis durante a entressafra.

Foto: Laboratório de Entomologia da Universidade de Cruz Alta.

Em uma pesquisa realizada por Pasini et al. (2018), intitulada “DENSIDADE POPULACIONAL DE PENTATOMÍDEOS EM PLANTAS HOSPEDEIRAS NO RIO GRANDE DO SUL – ANO III”, os autores observaram a população da praga em regiões do estado gaúcho na entressafra de 2017 e 2018.

Como visualizamos na Figura 2, a letra “C”, refere-se a planta daninha Chloris distichophylla (Falso-capim-de-rhodes) e a letra “A”, refere-se a Andropogon bicornis (capim-rabo-de-burro). Em relação aos percevejos encontrados, destacam-se percevejo-marrom (Euschistus heros – Eh), percevejo barriga-verde (Dichelops furcatus – Df), percevejo-asa-preta (Edessa meditabunda – Em) e percevejo verde-pequeno (Piezodorus guildinii – Pg).

Em relação a coloração das barras: Laranjas indicam Alto Uruguai; Vermelhas Planalto Médio; Amarelas Missões e Campanha; Azuis Depressão Central.



Como notamos na Figura 2, a presença do percevejo-marrom foi a maior no ano de 2017 em todas as regiões estudadas. No próximo ano, o percevejo-asa-preta destaca-se com sua significativa população.

Ambas as plantas daninhas são potenciais causas de permanência dos sugadores na lavoura. O manejo correto na entressafra determinará a população de pragas para a safra seguinte. O controle com até 4 folhas é o mais indicado para manejo de plantas daninhas.

Figura 2. Flutuação de percevejos em plantas hospedeiras Chloris distichophylla (C) e Andropogon bicornis (A).

Fonte: Pasini et al. (2018).

No ano de 2016, a densidade populacional média de Edessa meditabunda (percevejo-asa-preta) encontrada em plantas de capim-rabo-de-burro foi próxima de 100 nas regiões do Alto Uruguai e Planalto (Pasini et al., 2016), indicando severos problemas para as safras seguintes.

Na Figura 3, vamos conhecer as ervas daninhas que foram estudadas no trabalho anterior.

Figura 3. Falso-capim-de-rhodes (esquerda) e capim-rabo-de-burro (direita) infestando lavouras de soja.

Em outro trabalho de Engel et al. (2017), estudou-se a presença de percevejos em Andropogon bicornis (capim-rabo-de-burro) e Erianthus angustifolius (macega-estaladeira).

Como notamos na Figura 4, Andropogon bicornis foi a planta com maior incidência do percevejo barriga-verde. Nota-se que plantas com maior diâmetro de touceira, apresentam maior infestação.

Por isso, quanto mais avançadas estiverem as plantas (mais velhas), maior será a presença dos sugadores. A importância de controle de plantas daninhas é essencial para realizar o manejo fitossanitário de forma eficiente.

Figura 4. Média de D. furcatus ocorrentes em diferentes diâmetros de plantas das espécies A.  bicornis e E.  angustifolium (= Saccharum angustifolium) durante a entressafra de soja e milho.

Fonte: Engel et al. (2017).

O percevejo-marrom, o sugador mais comum na cultura da soja, possui preferência em se abrigar em plantas de Chloris distichophylla (Falso-capim-de-rhodes). Se formos comparar com a planta de Andropogon bicornis (capim-rabo-de-burro), nitidamente notamos a diferença de infestação. No Falso-capim-de-rhodes, o pico da praga se aproxima de 40 percevejos/planta com diâmetro de touceira de 25 cm.

Figura 5. Infestação do percevejo-marrom em plantas de Chloris distichophylla (Cd) e Andropogon bicornis (Ab).

Fonte: Engel et al. (2018).

Além dessas espécies de plantas daninhas, Engel et al. (2019), verificou a presença de percevejos em Saccharum angustifolium (macega-estaladeira), também pertencente à Família Poaceae. Nota-se a permanência em grande quantidade do percevejo-asa-preta nesta planta daninha, como mostra a Figura 6.

Veja também: Eficiência de inseticidas no controle do percevejo-marrom

Figura 6. Densidade populacional de percevejos encontrados em Saccharum angustifolium na entressafra.

Considerações finais

O manejo de plantas daninhas na safra e, principalmente na entressafra, são cruciais para o controle de percevejos. Quando as plantas durante o período de inverno não são controladas, os sugadores se abrigam para hibernar na entressafra e incidem nas lavouras de soja com maior população e capacidade de ataque.

Plantas pertencentes à Família Poaceae são gramíneas, com alto potencial para abrigar os percevejos. Essas plantas são comuns em beiras de estrada e durante o período da entressafra de soja e milho. Por isso, o controle dessas ervas deve ser realizado de forma eficiente, antes de apresentarem 4 folhas desenvolvidas (facilita o controle).

Em estágios mais avançados das plantas, quando apresentam diâmetro de touceira maiores, ocorre preferência por esse tipo de característica. A incidência de percevejos se torna ainda mais presente. Mesmo que não ocorra danos significativos na entressafra, a safra posterior sofrerá com os sugadores, além de causarem custos para o produtor com o uso de inseticidas.

Referências

ENGEL, Eduardo et al. Populações de percevejos barriga-verde [Dichelops furcatus (Hemiptera: pentatomidae)] em diferentes diâmetros de plantas silvestres durante entressafra de soja e milho. Revista de Ciências Agrárias Amazonian Journal of Agricultural and Environmental Sciences, v. 60, n. 2, p. 206-209, 2017. Disponível em: < http://ajaes.ufra.edu.br/index.php/ajaes/article/view/2681/1442 >, acesso em: 02/12/2020.

ENGEL, Eduardo; PASINI, Mauricio Paulo Batistella; HÖRZ, Daniele Caroline. Densidade populacional de pentatomídeos influenciada pela estrutura morfológica de diferentes plantas no município de Cruz Alta, RS. Revista de Ciências Agrárias Amazonian Journal of Agricultural and Environmental Sciences, v. 61, 2018. Disponível em: < http://ajaes.ufra.edu.br/index.php/ajaes/article/view/2815/1501 >, acesso em: 02/12/2020.

ENGEL, Eduardo et al. Saccharum angustifolium (Nees) Trin.(Poales: Poaceae) como hibernáculo para percevejos durante a entressafra de soja e milho no sul do Brasil. Arquivos do Instituto Biológico, v. 86, 2019. Disponível em: < https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-16572019000100237&lng=en&tlng=en >, acesso em: 02/12/2020.

PASINI, M. P. B. et al. Densidade populacional de pentatomídeos em plantas hospedeiras no Rio Grande do Sul. Anais do XXI Seminário Interinstitucional de Ensino, Pesquisa e Extensão. Cruz Alta: UNICRUZ, v. 21, p. 1-8, 2016. Disponível em: < https://home.unicruz.edu.br/seminario/anais/anais-2016/XXI%20Semin%C3%A1rio%20Interinstitucional%202016%20-%20Anais/Gradua%C3%A7%C3%A3o%20-%20TRABALHO%20COMPLETO%20-%20ANAIS%20-%20Exatas,%20Agr%C3%A1rias%20e%20Engenharias/DENSIADE%20POPULACIONAL%20DE%20PENTATOM%C3%8DDEOS%20EM%20PLANTAS%20HOSPEDEIRAS.pdf >, acesso em: 02/12/2020.

PASINI, Mauricio Paulo Batistella et al. DENSIDADE POPULACIONAL DE PENTATOMÍDEOS EM PLANTAS HOSPEDEIRAS NO RIO GRANDE DO SUL-ANO III. REVISTA INTERDISCIPLINAR DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO-RevInt, v. 6, n. 1, p. 288-298, 2018. Disponível em: < https://docplayer.com.br/134203957-Densidade-populacional-de-pentatomideos-em-plantas-hospedeiras-no-rio-grande-do-sul-ano-iii.html >, acesso em: 02/12/2020.


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Redação: Equipe Mais Soja.

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