InícioDestaquePreços do trigo devem começar 2022 mantendo firmeza no Brasil

Preços do trigo devem começar 2022 mantendo firmeza no Brasil

A perspectiva para os primeiros meses de 2022 é de manutenção da firmeza para as cotações do trigo no Brasil. O analisa de SAFRAS & Mercado, Élcio Bento, lembra que em anos de sucessão presidencial, normalmente existe volatilidade e incertezas que não deixam espaço para um cenário de queda do dólar em relação ao real.

Do lado da oferta, a próxima safra global só ingressará em meados de junho. “Até lá, depois de absorvidos os reflexos do ingresso das safras recordes do Hemisfério Sul (Argentina e Austrália), cuja colheita está ocorrendo neste momento e encerrará em janeiro, não haverá novidades fundamentais que possam alterar o quadro de abastecimento”, disse.

Bento ressalta, no entanto, que uma eventual confirmação de uma safra recorde para a temporada 2022/23 no relatório de maio do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) tende a trazer pressão sobre as cotações nas bolsas norte-americanas. “Por outro lado, com a safra argentina já absorvida, os reflexos dentro do Mercosul dessa eventual queda seriam menores”, observou.

Argentina 

Na Argentina, o destaque fica por conta das notícias de que o governo adotará uma postura mais agressiva para garantir preços acessíveis de derivados de trigo aos consumidores locais. Além de um limite para exportações que garanta o abastecimento interno, o governo trabalha na preparação de um “Fundo Agrícola Contracíclico” para reduzir o custo do trigo às indústrias locais (moinhos e fabricantes de macarrão).

O objetivo é subsidiar 3,13 milhões de toneladas de trigo para o consumo interno para abater no preço final dos derivados do cereal. “Os recursos para o programa viriam de uma contribuição compulsória do setor exportador. Os setores que arcarão com a arrecadação dos fundos necessários para implementar a medida não foram chamados à discussão e, certamente, demonstrarão seu descontentamento. Diante da crise econômica e do empobrecimento da população, o governo sofre pressões”, explicou o analista.

Conforme ele, a história recente mostra que intervenções com a intenção de garantir uma demanda a preços baixos no mercado doméstico têm um reflexo muito negativo no lado da oferta. Entre 2008 e 2014 o país adotava medidas de cotas de exportação e elevadas tarifas de exportação (Retenciones). O resultado foi um desestímulo à produção, que caiu de 18,6 milhões de toneladas na temporada 2007/08 para apenas 9,3 milhões de toneladas em 2012/13. Nesse período o Brasil se viu obrigado a buscar grandes volumes em outros fornecedores.

“Ainda é cedo para saber os reflexos que essas medidas trariam à produção, mas certamente trazem incertezas para a indústria nacional. Mais de 80% do trigo comprado pelo Brasil vem da Argentina. A safra atual será recorde e o saldo exportável será suficiente para atender à demanda brasileira. De qualquer forma, acende-se um alerta para os próximos anos”, sublinhou.

Formação de preços

Levando em conta a paridade de importação, no final de dezembro, o trigo argentino chegaria aos moinhos da região de Curitiba por volta de R$ 1.970/tonelada, segundo Bento. Para chegar a esse mesmo valor, o trigo das regiões de produção poderia se vendido no FOB entre R$ 1.850 e R$ 1.890 a tonelada. A indicação efetiva para os últimos negócios reportados em 2021 era por volta de R$ 1.700/tonelada.

“Ou seja, mesmo considerando um deságio que normalmente o trigo nacional tem em relação ao argentino, a paridade de importação ainda deixa espaço para novas recuperações no mercado brasileiro. Esse tem sido o principal argumento dos vendedores no mercado do Paraná. No Rio Grande do Sul é a paridade de exportação que tem dado fôlego para recuperação das cotações”, disse.

Estima-se que o país venda entre 1,5 e 2 milhões de toneladas ao exterior. “Quase que a totalidade desse volume sairá das lavouras gaúchas. Se esses números se confirmarem, o mercado do estado deve ter escassez de oferta no período da entressafra, potencializando a perspectiva de alta”, finalizou o analista.

Fonte: Agência SAFRAS

Equipe Mais Soja
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