Os tripes (ordem Thysanoptera) constituem um dos grupos de artrópodes mais abundantes associados ao cultivo de soja. São insetos pequenos, medindo de 1 a 2 mm de comprimento, de cor marrom ou preta, que em anos secos podem atingir altas densidades populacionais (Figura 1).

Estes insetos causam danos diretos raspando as folhas da soja, tornando-as prateadas após o ataque. As lesões causadas nas folhas acarretam no aumento da perda de água pela planta, e em épocas de seca ou estiagem, as lavouras murcham com maior rapidez. Além disso, a situação se agrava em algumas regiões pelos danos indiretos dessa praga, como a transmissão de viroses às plantas, especialmente do vírus causador da doença queima-do-broto.

Figura 1. Tripes em soja.

Fonte: Grupo de Manejo e Genética de Pragas, UFSM.

Em anos secos, o estresse hídrico das plantas de soja permite que ocorra um aumento rápido das populações infestantes da praga. Nessas condições, ocorre o desenvolvimento dos tripes em estado de pseudo-pupa no solo. Após o inseto completar esta fase, surgem os insetos adultos, que rapidamente se dispersam por toda a plantação.

A proliferação dessa praga é favorecida principalmente por períodos quentes e secos, mas pode também surgir em condições de baixas temperaturas, associadas à estiagem. As chuvas reduzem as populações de tripes por ação mecânica (lavagem e afogamento dos indivíduos) e por garantir umidade favorável à atividade de microrganismos que causam doenças e matam estes insetos.

A capacidade de dano da espécie de tripes Caliothrips phaseoli é variável, não apenas em relação à abundância da população, mas também pelas condições climáticas. Estudos apontam quedas de rendimento na cultura da soja entre 10 e 25% devido ao ataque dessa espécie (GAMUNDI et al. 2005; 2006).

Segundo estudo conduzido por Gamundi (2009), a dinâmica populacional mostra que C. phaseoli foi mais abundante no tratamento sem irrigação (Figura 2). Ademais, a presença de tripes no período Vn-R5 afetou a altura das plantas, quando comparando tratamentos com e sem irrigação.

Figura 2. Evolução da população de C. phaseoli, em tratamentos sem controle, em duas condições de disponibilidade hídrica durante os distintos estádios fenológicos da soja.

Fonte: GAMUNDI, 2009. “Sin riego” = Sem irrigação – “Con riego” = irrigada

A dispersão de adultos de tripes ocorre principalmente através do vento. O arraste destes insetos através do vento os transporta a distâncias consideráveis dentro da lavoura e até para lavouras vizinhas.

Em geral, os tripes são detectados primeiro em áreas com menor fertilidade do solo ou maior estresse hídrico nas plantas de soja. As bordas das glebas, com solos mais compactados e degradados pela passagem de maquinário, são os primeiros a serem afetados por esta praga. Entretanto, também ocorrem infestações no interior das lavouras, em manchas de solo com baixa fertilidade ou baixa capacidade de retenção de água.

Portanto, a fim de evitar a dispersão de tripes na lavoura principalmente em períodos de estiagem, o produtor deve realizar monitoramento constante nas plantas, observando se há sintomas de danos causados por tripes e, quando necessário, realizando a aplicação de defensivos químicos recomendados para o controle dessa praga na cultura da soja. Para saber mais sobre o controle de tripes em soja, clique aqui.

Revisão: Henrique Pozebon, Mestrando PPGAgro  e Prof. Jonas Arnemann, PhD. e Coordenador do Grupo de Manejo e Genética de Pragas – UFSM

REFERÊNCIAS:

HOFFMANN-CAMPO, Clara Beatriz et al. Pragas da soja no Brasil e seu manejo integrado. Londrina: Embrapa soja, 2000.

GAMUNDI, J. C.; PEROTTI, E. Evaluación de daño de Frankliniella schultzei (Try-bom) y Caliothrips phaseoli (Hood) en diferentes es-tados fenológicos del cultivo de soja. Para mejorar la producción, v. 42, p. 1-5, 2009.

GAMUNDI, Juan Carlos et al. Evaluación del daño de trips Caliothrips phaseoli (Hood) en soja. Para mejorar la producción, v. 30, p. 71-76, 2005.

GAMUNDI, Juan Carlos; PEROTTI, E. Molinari; DIZ, J. Control y evaluación de daños de Caliothrips phaseoli (Hood) en cultivos de soja. Para mejorar la producción, n. 33, 2006.

https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/cebola/arvore. >acesso em: 15/01/2021.

https://www.croplifela.org/pt/pragas/lista-do-pragas/trips-em-soja. > acesso em: 15/01/2021.



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