O mercado da soja em Chicago oscilou bastante nesta semana. Após iniciar em alta a semana, na esteira das expectativas do relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para o dia 12/08, as cotações cederam no transcorrer da mesma, embora o relatório tenha sido altista para a soja. Assim, o fechamento desta quinta-feira (15) ficouem US$ 8,58/bushel, contra US$ 8,65 uma semana antes.

Ajudou para as altas do início da semana, igualmente, a melhoria das exportações estadunidenses, inclusive para a China, mesmo com o recrudescimento do litígio comercial com os EUA.

O relatório do USDA deveria confortar estas altas, porém, os números para o milho e o trigo foram muito baixistas, derrubando as cotações destes dois grãos, fato que puxou igualmente a soja para baixo, estagnando o movimento altista.

Quanto ao relatório, o mesmo apontou o seguinte para 2019/20: 

  • A produção da nova safra estadunidense foi revista para baixo ficando agora estimada em apenas 100,2 milhões de tonelada, contra 104,6 milhões em julho e contra os 102,9 milhões esperados pelo mercado;
  • Os estoques finais dos EUA foram reduzidos para 20,6 milhões de toneladas, enquanto o mercado esperava 22,3 milhões e contra os 21,6 milhões de julho;
  • Mesmo assim, o preço médio aos produtores estadunidenses, para a atual safra, não foi modificado, ficando em US$ 8,40/bushel, contra US$ 8,50 um ano antes e US$ 9,33/bushel dois anos antes;
  • A produção mundial de soja foi reduzida para 341,8 milhões de toneladas, contra 347 milhões em julho;
  • Os estoques finais mundiais ficariam em 101,7 milhões de toneladas, contra 104,5 milhões em julho e uma expectativa do mercado em 106,2 milhões de toneladas;
  • A produção brasileira ficou projetada em 123 milhões de toneladas e a da Argentina em 53 milhões;
  • As importações da China foram reduzidas para 85 milhões de toneladas de grãos de soja, contra 87 milhões em julho.


Nota-se, portanto, que, com exceção dos dados da China e da futura produção sul-americana, os demais elementos foram altistas para as cotações, porém, isso não se confirmou no transcorrer da semana.

Além dos números para o milho e trigo, ajudou para isso a previsão de clima positivo para o restante do mês de agosto no Meio Oeste estadunidense, e mais o estouro da crise financeira mundial a partir do anúncio de dados econômicos da China, Alemanha e Argentina.

E isto mesmo com o anúncio dos EUA, que igualmente estariam flertando com uma recessão logo adiante, de que alguns itens seriam retirados da nova lista tarifária que atingirá a China a contar de 1º de setembro. Aliás, neste sentido, outros itens teriam sido postergados para dezembro e as negociações sino-estadunidenses continuam.

Aqui no Brasil, mesmo com Chicago estagnado na média, a crise financeira mundial, associada em particular ao caos econômico argentino após o anúncio do resultado das prévias eleitorais do vizinho país, domingo passado, fez o Real se desvalorizar ainda mais, atingindo a R$ 4,04 durante a semana, algo que não era visto desde maio passado. Este fato, e mais a manutenção de prêmios firmes nos portos brasileiros (os mesmos oscilaram entre US$ 1,20 e US$ 1,30/bushel), elevaram novamente os preços da soja por aqui.

Neste sentido, a média gaúcha no balcão subiu para R$ 73,23/saco, enquanto os lotes atingiram a valores entre R$ 81,00 e R$ 81,50/saco. Nas demais praças nacionais os lotes giraram ao redor de R$ 80,50 no Paraná; R$ 69,00 em Sorriso (MT); R$ 72,50 em São Gabriel (MS); R$ 73,50 em Goiatuba (GO); R$ 80,00 em Campos Novos (SC); R$ 70,50 em Pedro Afonso (TO); e R$ 73,00/saco em Uruçuí (PI).

A partir desta nova janela de oportunidades para a venda da soja, espera-se que os produtores brasileiros acelerem as mesmas já que até o dia 09/08, a última safra havia sido negociada em 78% de seu total, contra 82% na média histórica, sendo que no Rio Grande do Sul as vendas atingiam a 63%, contra 70% na média, no Mato Grosso 84% contra 90% e no Paraná 78%, contra a média de 77%. Em Santa Catarina o quadro era de 59% vendido, contra 69% na média. (cf. Safras & Mercado)

Quanto as vendas futuras da nova safra de soja, as vendas no país atingiam a 16%, contra 14% na média histórica para esta época. No Rio Grande do Sul as mesmas atingiam a 7%, contra 8% na média; no Paraná 15%, contra 12%; no Mato Grosso 23%, contra 17% na média; em Goiás 15%, ficando dentro da média; e em Santa Catarina 6%, contra 7% na média. (Safras & Mercado)


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CEEMA

Fonte: Informativo CEEMA UNJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ.

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA - Unijui

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