Os nematoides vêm crescendo em importância no sistema produtivo e ganhando espaço no cenário agrícola brasileiro, como um dos principais problemas fitossanitários da sojicultura, podendo inclusive inviabilizar algumas áreas de cultivo.

Além de causarem danos diversos às plantas parasitadas, os nematoides participam de complexos de doenças de diferentes modos, como a criação de portas de entrada para outros patógenos; modificação da rizosfera, favorecendo o crescimento de outros patógenos; atuação como vetores de viroses, bactérias e fungos; alteração da suscetibilidade do hospedeiro a outros patógenos por meio da indução de alterações fisiológicas no hospedeiro, causando senescência prematura e indução de respostas sistêmicas nas plantas hospedeiras, muitas vezes pelo aumento na suscetibilidade de alguns órgãos da planta.

Estas pragas são consideradas inimigos ocultos dos produtores porque nem sempre é possível visualizá-los ou identificá-los no campo. Os sintomas na parte aérea das plantas, na maioria das vezes, são facilmente confundidos com outras causas, entre elas, deficiência de nutrientes, ataque de pragas e doenças, estiagem e compactação de solo. De acordo com a Sociedade Brasileira de Nematologia, as perdas variam em média entre 5 e 35%, dependendo do tipo de cultivo. Em casos mais severos, as perdas podem ser ainda maiores.


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Pensando nisso, em trabalho apresentado e publicado nos anais da 37ª Reunião de Pesquisa de Soja, os pesquisadores França, P.P.; Loreto, R.B.; Favoreto, L.; Meyer, M.C. ; Andrade, D.F.M.; Silva, S.A. realizaram um trabalho intitulado “Estudo do desenvolvimento da soja em diferentes níveis populacionais de Aphelenchoides besseyi e Pratylenchus brachyurus”, com o objetivo de avaliar o desenvolvimento da soja sob diferentes níveis populacionais de A. besseyi ( causador da “soja louca II) e P. brachyurus (nematoide das lesões).

No trabalho, os autores concluíram que a infecção por A. besseyi não alterou os parâmetros avaliados nas condições do experimento, independentemente das diferentes densidades populacionais. Entretanto, o aumento da população de P. brachyurus expressou diferenças significativas tanto em altura quanto em massa fresca de parte aérea das plantas.

Veja abaixo os resultados encontrados pelos autores.

Tabela 1. Altura (cm) de plantas de soja BRSMG 729 IPRO em diferentes densidades populacionais de Aphelenchoides besseyi e Pratylenchus brachyurus, avaliada aos 45 dias após a inoculação dos nematoides.

França et al., (2019).

Tabela 2. Massa fresca (g) de parte aérea de plantas de soja BRSMG 729 IPRO em diferentes densidades populacionais de Aphelenchoides besseyi e Pratylenchus brachyurus, avaliada aos 45 dias após a inoculação dos nematoides.

França et al., (2019).

Tabela 3. Massa fresca (g) de raiz de plantas de soja BRSMG 729 IPRO em diferentes densidades populacionais de Aphelenchoides besseyi e Pratylenchus brachyurus, avaliada aos 45 dias após a inoculação dos nematoides.

França et al., (2019).

Figura 1. Diferença de altura das plantas em função da variação das populações iniciais (PI) de nematoides. A) PI= 1000 A. besseyi e 1000 P. brachyurus; B) PI= 500 A. besseyi e 500 P. brachyurus.

França et al., (2019).

Para acessar o trabalho completo clique aqui.



Elaboração: Andréia Procedi – Equipe Mais Soja. 

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