Você conhece os casos de biótipos de plantas daninhas resistentes aos herbicidas no Brasil?

No texto de hoje vamos falar das espécies com relatos de resistência aos herbicidas Inibidores da ACCase, ou seja, aos graminicidas.

Atualmente, estão registrados 51 casos de biótipos de plantas daninhas resistentes no Brasil. 

Destes 51 casos, 9 são referentes aos graminicidas, ocorrendo em 7 espécies de gramíneas.

Os graminicidas pertencem ao Grupo A e são muito conhecidos por suas terminações em “FOPs”, “PROPs” e “DIMs”.

Herbicidas pertencentes aos Inibidores da ACCase. Fonte: Heap (2019).

Os herbicidas Inibidores da ACCase são o terceiro mecanismo de ação em número de casos de biótipos de plantas daninhas resistentes no mundo, são 48 casos.

Fonte: Heap (2019).

A seguir vamos ver cada um dos casos no Brasil.

  • Urochloa plantaginea (capim-marmelada)

Este foi o primeiro registro de resistência a graminicidas no Brasil, ocorreu em 1997, no Paraná, em lavouras de soja.

O registro foi de capim-marmelada resistente a 8 graminicidas:

  • butroxydim;
  • diclofop;
  • fenoxaprop;
  • fluazifop;
  • haloxyfop;
  • propaquizafop;
  • quizalofop;
  • sethoxydim.

Urochloa plantaginea (capim-marmelada). Fonte: Heap (2019).

  • Digitaria ciliaris (capim-colchão)

O capim-colchão resistente a graminicidas foi registrado em 2002, no Paraná, em lavouras de soja.

O registro foi de capim-colchão resistente a 6 graminicidas:

  • cyhalofop;
  • fenoxaprop;
  • fluazifop;
  • haloxyfop;
  • propaquizafop;
  • sethoxydim.

Digitaria ciliaris (capim-colchão). Fonte: Heap (2019).

  • Eleusine indica (capim-pé-de-galinha)

O capim-pé-de-galinha resistente a graminicidas foi registrado em 2003, em lavouras de soja.

O registro foi de capim-pé-de-galinha resistente a 3 graminicidas:

  • cyhalofop;
  • fenoxaprop;
  • sethoxydim.

Eleusine indica (capim-pé-de-galinha). Fonte: Heap (2019).

Em 2017, no Mato Grosso, em lavouras de feijão, milho, algodão e soja, também foi identificado capim-pé-de-galinha resistente a graminicidas.

Porém, este segundo caso é relatado com resistência múltipla, ou seja, a dois mecanismos de ação.

O registro foi de capim-pé-de-galinha resistente a 2 graminicidas (fenoxaprop e haloxyfop) e ao glyphosate (mecanismo de ação: EPSPs).

  • Lolium perenne ssp. multiflorum (azevém)

O azevém resistente a graminicidas foi registrado em 2010, no Rio Grande do Sul, em lavouras de soja, trigo e milho.

O registro é de resistência múltipla do azevém ao clethodim (ACCase) e ao glyphosate (EPSPs).

Lolium perenne ssp. multiflorum (azevém). Fonte: Heap (2019).

Em 2016, em lavouras de trigo, também foi identificado azevém com resistência múltipla a clethodim (ACCase) e iodosulfuron (ALS).

  • Avena fatua (aveia-brava)

A aveia-brava resistente a graminicidas foi registrada em 2010, no Paraná.

O registro foi de aveia-brava resistente a clodinafop.

Avena fatua (aveia-brava). Fonte: Heap (2019).

  • Echinochloa crus-galli var. crus-galli (capim-arroz)

O capim-arroz resistente a graminicidas foi relatado em 2015, em lavouras de arroz, em Santa Catarina.

O relato foi de resistência múltipla:

Echinochloa crus-galli var. crus-galli (capim-arroz). Fonte: Heap (2019).

  • Digitaria insularis (capim-amargoso)

O capim-amargoso resistente a graminicidas foi relatado em 2016, em lavouras de soja.

O registro foi de capim-amargoso resistente a 2 graminicidas:

  • fenoxaprop;
  • haloxyfop.

Digitaria insularis (capim-amargoso). Fonte: Heap (2019).

Conclusão

No texto de hoje vimos sobre as plantas daninhas resistentes a herbicidas inibidores da ACCase (graminicidas) no Brasil.

São 48 casos de biótipos resistentes a ACCase no mundo, 9 deles no Brasil, com referência a 7 espécies.

O manejo proativo da resistência de plantas daninhas a herbicidas é a principal ação no combate ao desenvolvimento da resistência.

Gostou das dicas? Tem mais dicas sobre limpeza de tanques de pulverização? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Sobre a Autora: Ana Ligia Girardeli é Engenheira Agrônoma formada na UFSCar. Mestra em Agricultura e Ambiente (UFSCar) e Doutora em Fitotecnia (USP/ESALQ). Atualmente está cursando MBA em Agronegócios.

 

Nenhum comentário

Deixar um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.