Os herbicidas pré-emergentes ou também chamados de herbicidas residuais são produtos aplicados no solo antes que ocorra a emergência das plantas daninhas, sendo que estes devem persistir por tempo e concentração suficientes na camada do solo, onde se localiza o maior percentual de sementes de plantas daninhas que germinarão na sequência.


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Uma das principais vantagens desses produtos é que eles possibilitam à cultura de interesse, desenvolver-se antes das plantas daninhas, adquirindo vantagens competitivas sobre elas. Além disso, muitos pré-emergentes possuem mecanismos de ação distintos dos utilizados em pós-emergência e assim, possuem importante encaixe na rotação de produtos, visando incremento de controle, manejo de biótipos resistentes e como estratégia anti-resistência.

Você sabe quais são os principais benefícios do uso de pré emergentes no sistema da soja?

 O professor Leandro Albrecht da Supra Pesquisas/UFPR cita 3 principais vantagens:

  1. Reduzir o banco de sementes – Reduzindo o banco de sementes seguramos a germinação e emergência de maneira que liquidamos as plântulas, segurando assim o fluxo de plantas daninhas na lavoura, reduzindo os danos. Não tendo esta redução do banco de sementes, teremos entrada de invasoras cada vez mais cedo e passando do ponto de controle, sendo que a utilização de aplicações sequenciais nem sempre nos trazem a eficiência de controle desejada.
  2. Aumentar o período anterior à interferência – Utilizando esta estratégia de manejo, reduzimos o período crítico e a complexidade de controle, podendo até reduzir aplicações em pós emergência da cultura.
  3. Propiciar a rotação de mecanismos de ação – Reduzindo assim a pressão de seleção, diminuindo os problemas de resistência a herbicidas. No caso da buva, pensando em pré-emergentes, temos 3 mecanismos de ação diferentes para auxílio do manejo. Em relação ao capim-amargoso, adicionamos 5 mecanismos na rotação.

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Porém, para a utilização desses produtos, deve-se atentar para uma série de questões para que a aplicação seja eficiente e não prejudique a cultura sucessora. Pensando nisso, na terceira temporada do Dicas Mais Soja, Leandro Albrecht, Dr. e pesquisador da UFPR, comentou sobre os principais critérios para a utilização dos pré-emergentes, enfatizando os cuidados principais que o produtor deve ter quando for utilizar esses herbicidas.



O pesquisador destacou que quando compararmos a utilização de pré-emergentes ao passado, antes da soja RR, o uso desses herbicidas era bem maior ao que é utilizado atualmente, onde apenas 14% dos produtores de soja utilizam os pré-emergentes no manejo de suas lavouras.

Segundo o pesquisador, deveríamos utilizar em maior escala esses herbicidas e para saber o motivo pelo qual eles deveriam ser mais utilizados, veja o vídeo do professor Leandro onde ele comenta por que usar os pré-emergentes.

Dentro dos critérios para utilização dos pré-emergentes, o pesquisador destaca os que seguem:

Física e química do produto

Nós temos que entender que cada produto possui as suas características específicas, como a solubilidade, se ele é iônico ou não iônico, ácido fraco ou não e a sua lipofilicidade, por exemplo, e esses fatores possuem relação com a aplicação e a ação do produto no solo, destacou o pesquisador.

Física, química e biologia do solo

Fatores como a quantidade de argila, a textura do solo, a CTC, o pH e a palhada estão fortemente ligados ao potencial de adsorção do herbicida no solo, resultando na capacidade desse herbicida se dissolver. A palhada, por exemplo, pode ser uma barreira física, impedindo com que o herbicida chegue até o solo, agindo sobre ele.

Clima

O último critério destacado pelo pesquisador foram as questões meteorológicas. Sem água o produto não está na solução do solo, logo, ele não estará agindo sobre a “sementeira”.

Além disso, a água é necessária para evitar problemas decorrentes do residual dos produtos, como o que chamamos de carryover, que é o residual indesejado no solo que pode causar problemas para as futuras culturas que serão implantadas na área.


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Para entender melhor esses critérios, o pesquisador cita alguns produtos, como a Trifluralina, por exemplo, muito utilizada em pré-plantio incorporado no passado devido a sua necessidade de incorporação no passado. Hoje, já existem formulações que não necessitam da incorporação, porém esse produto ainda pode ser considerado complexo pelo fato de ficar retido na palhada, sendo pouco solúvel e sendo foto degradável, apesar de possuir um controle muito eficiente, atingindo uma grande quantidade de plantas daninhas como capim-amargoso e caruru, porém necessita ser bem posicionado, bem aplicado e também necessita da chuva para atingir o solo, mesmo nas formulações mais modernas, ressalta o pesquisador.

Outro exemplo citado pelo pesquisador foi a mistura Imazapic + Imazapyr, muito utilizada no controle de capim-amargo, e com grande espectro de plantas daninhas, porém, no que se refere ao carryover, pode ser problemático, uma vez que necessita ser aplicado 30 dias antes da cultura da soja e nesse período necessita de 100 mm de água para que não cause danos na cultura.

Por fim, o pesquisador destacou outros três elementos que são importantes para a utilização dos pré-emergentes e que devem ser levados em consideração na escolha do produto, que são eles:

  • Seletividade do produto;
  • Espectro de controle;
  • Custo.

Para ouvir a conversa do pesquisador com o Mais Soja, assista o vídeo abaixo.



Elaboração: Engenheira Agrônoma Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

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