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Quais os sintomas típicos da deficiência de nitrogênio na soja e como avaliar a nodulação da cultura?

  • Os sintomas típicos da deficiência de N na soja incluem a clorose uniforme das folhas, dando a elas aspecto verde-amarelado;
  • São necessários cerca de 80 kg ha-1 de N para cada tonelada de soja produzida
  • A avaliação da nodulação deve ser realizada em V3 – V4;
  • Em V3 – V4 a planta deve apresentar ao menos 10 nódulos de tamanho igual ou superior a 2 mm.

Um dos nutrientes mais importantes para a cultura da soja, se não o mais importante é o nitrogênio (N). Em média, são necessários cerca de 80 kg de N por tonelada de grãos produzidos (Embrapa Soja, 2008). O nutriente é considerado móvel no floema, senso absorvido pela maioria das plantas predominantemente na forma NO3- (Sfredo & Borkert, 2004), sobretudo, culturas como a soja, com capacidade de realizar a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN), a maior absorção do elemento se dá na forma de N2.

Em função da sua maior mobilidade, os sintomas de deficiência do nitrogênio são observados principalmente nas folhas velhas da planta, apresentando como principais características, a clorose uniforme, deixando as folhas com aspecto verde-amarelado (figura 1).

Figura 1. Folhas de soja com sintomas de deficiência de nitrogênio (N).

Fonte: Yara

Felizmente, mesmo apresentando uma elevada demanda de N, praticamente todo o nitrogênio requerido para boas produtividades de soja é fornecido à cultura por meio da FBN. Gitti (2016) destaca que a associação simbiótica entre as raízes da soja e as bactérias do gênero Bradyrhizobium (FBN) contribui com todo o nitrogênio que a soja necessita para produtividade média de aproximadamente 3.600 kg ha-1, além de proporcionar valores entre 20 e 30 kg ha-1de nitrogênio para a cultura em sucessão.



Embora as bactérias fixadoras de nitrogênio possam naturalmente estar presentes no solo, normalmente, as populações naturais encontradas dessas bactérias são insuficientes para suprir toda a demanda de N da soja pela FBN. Sendo assim, a prática mais usual para garantir a adequada FBN é a inoculação das sementes de soja ou sulco de semeadura com inoculantes a base de bactérias do gênero Bradyrhizobium.

Entretanto, além de realizar uma adequada inoculação, é necessário verificar a eficácia da técnica, a fim de possíveis intervenções e/ou aprimoramento de práticas de manejo. Visando garantir o adequado aporte de nitrogênio para a soja por meio da FBN, Hungria; Campo; Mendes (2001) destacam que é necessário que a planta de soja apresente de 15 a 30 nódulos durante o período do florescimento.

A avaliação da nodulação da soja pode ser realizada quando a soja atingir estádio V3 – V4. Além da quantidade de nódulos, é essencial analisar o tamanho dos nódulos, sendo desejável nódulos com tamanho igual ou superior a 2 mm. Caso o número médio de nódulos por planta seja inferior a 10 até o estádio V3 – V4, a aplicação complementar de inoculante via pulverização, na dose equivalente a 6 milhões de células por planta (equivalente a 5 a 7 doses de inoculante por hectare, conforme a concentração do produto) e com no mínimo 200 L ha-1 de calda, pode recuperar parcialmente a nodulação (Seixas et al., 2020).

Vale destacar que a inoculação via pulverização não apresenta a mesma eficiência que a inoculação via solo ou sulco de semeadura, sendo, portanto, recomendada apenar como medida complementar de manejo, visando mitigar os efeitos da baixa nodulação.


Veja mais: Coinoculação da soja, uma ferramenta de baixo custo e bons resultados



Referências:

EMBRAPA SOJA. TECNOLOGIAS DE PRODUÇÃO DE SOJA – REGIÃO CENTRAL DO BRASIL 2009 E 2010. Embrapa Soja, Sistemas de Produção, 13, 2008. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/471536/1/Tecnol2009.pdf >, acesso em: 09/05/2023.

GITTI, D. C. INOCULAÇÃO E COINOCULAÇÃO NA CULTURA DA SOJA. Fundação MS, Tecnologia e Produção: Soja 2015/2016, 2016. Disponível em: < https://www.fundacaoms.org.br/wp-content/uploads/2021/02/Tecnologia-e-Producao-Soja-20152016.pdf >, acesso em: 09/05/2023.

HUNGRIA, M.; CAMPO, R. J.; MENDES, I. C. FIXAÇÃO BIOLÓGICA DO NITROGÊNIO NA CULTURA DA SOJA. Embrapa, Circular Técnica, n. 35, 2001. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/CNPSO/18515/1/circTec35.pdf >, acesso em: 09/05/2023.

SEIXAS, C. D. S. et al. TECNOLOGIA DE PRODUÇÃO DE SOJA. Embrapa, Sistema de Produção, n. 17, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1123928/1/SP-17-2020-online-1.pdf >, acesso em: 09/05/2023.

SFREDO, G. J.; BORKERT, C. M. DEFICIÊNCIAS E TOXIDADES DE NTURIENTES EM PLANTAS DE SOJA: DESCRIÇÃO DOS SINTOMAS E ILUSTRAÇÃO COM FOTOS. Embrapa, Documentos, n. 231, 2004. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/63305/1/Documentos-231.pdf >, acesso em: 09/05/2023.

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Equipe Mais Soja
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