O objetivo deste trabalho foi avaliar a influência do horário de aplicação aliado a diferentes volumes de calda para o controle de adultos de Bemisia tabaci.

Autores: LUCAS HAHN1, ADRIANO A. MELO2, JONAS ARNEMANN2, BRUNA HETTWER3, MANOELA R. HANICH4, MILENA CAYE4, LEONARDO PATIAS4 JULIA BEVILAQUA4

Introdução

Trabalho disponível nos Anais do Evento e publicado com o consentimento dos autores.

A soja, Glycine max, caracteriza-se como a principal commodities de grãos produzidas no Brasil, sua expectativa de produção para a safra de 2019/18 é de 118,8 milhões de toneladas, (CONAB 2019). Dentre as pragas que atacam a soja durante seu ciclo de produção, a mosca- branca, Bemisia tabaci biótipo B (Hemiptera: Aleyrodidae), vem se tornando um sério e emergente problema, pois o ataque pode reduzir a produtividade da cultura. A mosca-branca é um inseto cosmopolita e amplamente distribuído no mundo, tem hábito sugador e é de grande importância econômica em diversas culturas, devido aos prejuízos causados às plantas (ZUCCHI et al., 1993). Esse inseto tem uma grande capacidade reprodutiva, o que aumenta o seu potencial de danos às culturas hospedeiras. Cada fêmea pode ovopositar de 100 a 300 ovos durante todo seu ciclo de vida (BROWN; BIRD, 1992) dependendo da alimentação e temperatura.

Os primeiros surtos em soja foram detectados em janeiro de 1996, no norte do estado do Paraná e no município de pedrinhas no estado de São Paulo, provocando perdas de 30% a 80%. O controle da praga tem sido realizado, principalmente de inseticidas aplicados durante o ano todo (Prabhaker et al 1996, Toscano et al 2001). Entretanto, estudos já confirmam a resistência de B. tabaci a diversos grupos químicos de inseticidas. Dessa forma, esse estudo teve por objetivo avaliar o controle de adultos de B. tabaci, com diferentes horários de aplicação e volumes de calda.

Material e Métodos

O presente trabalho foi realizado na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) na área do Departamento de Defesa Fitossanitária. A cultura da soja foi semeada no dia 25/01/2019, uma vez que houve atrasos devido à grande intensidade de chuvas que ocorreram nesta época, os tratos culturais foram os recomendados para a cultura no estado do Rio Grande Do Sul. A infestação ocorreu de modo natural e o monitoramento foi realizado semanalmente visando acompanhar a evolução populacional da praga. A metodologia que compõe esse trabalho consiste na aplicação do inseticida a base de Acetamiprido + Piriproxifem em diferentes horários de aplicação sendo eles, 06 horas, 12 horas, 18 horas e 00 horas, ao passo que, aliado aos diferentes horários de aplicação variava- se os volumes de calda em 50 L/ha-1, 100 l/ha e 150 l/ha, o que compôs os tratamentos.

Para isto foi utilizado um equipamento de aplicação pressurizado por CO2 e dotado de barra com 2 metros, pulverizado a uma altura de 50 cm da cultura, com espaçamento entre pontas de 0,5 m. As pontas de pulverização foram ajustadas de acordo com a vazão corresponde e de acordo com indicações do fabricante. O delineamento utilizado foi de blocos ao acaso e as parcelas compostas de 6×4 metros. As avaliações foram feitas aos 1, 3, 5, 7 e 10 dias após a aplicação. A mesma foi feita contando o número de adultos dispostos em um trifólio localizado no terço superior da planta, repetindo-as em 10 plantas escolhidas aleatoriamente no interior de cada parcela.

Figura 1. A) Aplicação realizada as 06 horas. B) Aplicação realizada as 12 horas. C) Aplicação realizada as 18 horas. D) Aplicação realizada as 00 horas. Nota-se o orvalho sobre a cultura.

Resultados e Discussão

Os parâmetros avaliados apresentaram resultados bastante distintos. Todos os tratamentos apresentaram baixa efetividade de controle quando as aplicações foram realizadas sobre orvalho e altos volumes de calda, fato que agravou ainda mais essa baixa efetividade. Esses resultados, mostram a influência negativa que o escorrimento ocasiona nas pulverizações agrícolas. Isso se explica devido ao fato de que ao haver o escorrimento, apenas uma pequena concentração de ingrediente ativo fica disposto na superfície vegetal, diminuindo assim a contaminação do inseto e consequentemente o contato com o ingrediente ativo.

O volume de calda é um dos elementos mais importantes a ser observado nas diferentes condições em que serão feitas as pulverizações, visto que, por consequência aos fatores descritos a cima, nas condições das 06 horas e 00 horas, onde o molhamento folhar devido ao orvalho era bastante abundante, o melhor desempenho ficou por conta dos tratamentos com volume de calda de 50 l/ha, o que fortalece a prerrogativa de que ao diminuir o volume de calda, consequentemente aumentamos a concentração do ingrediente ativo na solução e mesmo que haja escorrimento, que é diminuto em baixos volumes de calda, possa haver uma compensação pela relação de perda por escorrimento e ingrediente ativo por unidade foliar.

Por outro lado, houve um satisfatório controle de adultos de Bemisia tabaci nos horários correspondentes às 12 e 18 horas, quando as condições climáticas mais se aproximaram dos ideais para as pulverizações, dando maior destaque para o volume de calda de 50 l/ha as 12 horas devido haver uma maior média de controle nos dias avaliados. Em contraponto a isso, evidencia-se negativamente os resultados de controle para a vazão de 150 l/ha no horário das 00 horas. Isso deve-se ao tempo que, após a aplicação, a cultura ficou sob intensa incidência de orvalho dificultando assim a absorção do produto pelas plantas, diferentemente do que acontece as 06 horas, onde 1 hora após a aplicação, o terço superior das plantas já se apresentavam secas.

Gráfico 1. Eficiência no controle de Bemisia tabaci.

Conclusões

O desempenho dos inseticidas está diretamente relacionado as condições com que são aplicados. Horários de aplicação inadequados podem interferir na eficácia do controle devido as condições do clima que naquele momento se apresenta. Ajustes como taxa de aplicação a ser aplicado pode ser fator determinante para o sucesso da pulverização, principalmente quando em horários propícios a formação de orvalho.


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Referências

Redução na produção da soja causada por Bemisia tabaci (Gennadius) biótipo b (Hemiptera: Aleyrodidae) e avaliação de táticas de controle. / Simone Silva Vieira– Lages, 2009. Disponível em: http://www.cav.udesc.br/arquivos/id_submenu/721/dissertacao_simoni_silveira.pdf

Prabhaker N, Coudriet D L, Meyerdirk D E (1985) Insecticide resistance in the sweetpotato whitefly, Bemisia tabaci (Homoptera: Aleyrodidae). J Econ Entomol 78: 748-752. DICK, M.H. Modern methods gains in the battle against weeds. Railway Age, v.164, p.16-20, 1968.

Prabhaker N, Toscano N C, Henneberry T J, Castle S J, Weddle D (1996) Assessment of two bioassay techniques for resistance monitoring of sweetpotato whitefl y (Homoptera: Aleyrodidae) in California. J Econ Entomol 89: 805-815.

TAMAI, M. A.; MARTINS, M. C.; LOPES, P. V. L.; OLIVEIRA, A. C. B. Perda de produtividade em cultivares de soja causada pela mosca-branca no cerrado baiano. Barreiras, BA: Fundação BA, 2006. (Comunicado técnico, 21).

Informações dos autores

1Aluno de graduação, Universidade Federal de Santa Maria, UFSM, Santa Maria/RS Brasil, Fone (55) 99699-8476, lucashahn_bvb@hotmail.com;

2Engenheiro Agrônomo, Professor Adjunto, Dep. Defesa fitossanitária, Universidade Federal de Santa Maria, UFSM, Santa Maria/RS;

3Engenheira Agrônoma, Aluna de Mestrado, Programa de Pós-Graduação em Agronomia, UFSM, Santa Maria/RS;

4Aluno de graduação, Universidade Federal de Santa Maria, UFSM, Santa Maria/RS.

 

 

1 COMMENT

  1. Estou Contratando a Moscas brancas no Paraná; com produtos Orgânicos. Aloé Extratos está tendo um controle ótimo, com aplicações a cada dez dias!!!
    Dosagens de 0,5 litros pôr Hectare!!!
    Show!!!

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